Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

30.7.09

Baú desTERRAdo

Por questões de limite de armazenamento, o Terra defenestrou o Baú dos seus domínios. Como novas postagens cá estão vetadas, este parvo escriba internético agora brinca em novo endereço.
Layout, links e outros ajustes ainda não definitivos.
 
Segue o andor no:
 

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    2:52 — Arquivado em: Sem categoria

27.7.09

Acepipes cariocas

Na semana deste blogueiro em plagas fluminenses, alguns acepipes merecem registro. Uns foram a ração pra parar em pé entre um passeio e outro. Outros, o passeio em si.

Confiram, salivem de inveja, comentem e, se puderem, visitem para comer bem.

 

Baby Beef Barra: a convite do amigo Carlos Dantas, fui pra me esbaldar nas picanhas, mas o sushiman era tão profissa que os sashimis de atum e salmão foram a perdição do almoço domingueiro

http://www.babybeefbarra.com.br/

Beduíno: batendo perna no velho centro do Rio, passei, olhei, entrei, comi e, por Alah!, o restaurante dos "brimos" vale cada centavo gasto. Na foto, o menu degustação serve bem duas pessoas

http://vejabrasil.abril.com.br/rio-de-janeiro/restaurantes/1136/beduino

Confeitaria Colombo: clássico dos clássicos. Só pelo cenário, a visita já valeria. Os doces são qualquer coisa de outra galáxia. Na foto, os campeões de audiência: folhadinho de morango e viradinho de chocolate com nozes. A casa, fundada em 1894, tem "só" 115 anos

http://www.confeitariacolombo.com.br/

Ainda na Colombo: isso sim é vitrine fashion

http://www.confeitariacolombo.com.br/

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    15:24 — Arquivado em: Sem categoria

20.7.09

Cariocadas

Uma garoa Sampa-londrina e surpreendentes 17° inibiram qualquer passeio que exija céu de brigadeiro.  Corcovado e Pão de Açúcar não combinam com cinza úmido.

Um guarda-chuva de camelô, tênis confortáveis e lá vamos nós para o velho centro do Rio. Arcos da Lapa, Teatro Municipal, Biblioteca Nacional, Confeitaria Colombo (doces irresistíveis num belo cenário clássico) e, claro, o acadêmico das macaúbas não poderia deixar de “orar” na sede da Academia Brasileira de Letras.

Alguns sabem que na literatura brazuca este blogueiro tem um ídolo: desde que ele assumiu a coluna Rio de Janeiro na página 2 da Folha e depois da leitura deliciosa do seu clássico “Quase Memória” (presente do amigo Walther Castelli) sou discípulo fanático da prosa genial e despretensiosa do Cony. Um tosco discípulo, é verdade.

Sem saber da agenda da Arcádia maior do país, descobri ao chegar que estava começando um seminário de críticos e escritores franceses. A palestra inaugural ia começar em vinte minutos e, de longe, vi uma movimentação de engravatados no hall de entrada.

Vestindo uma malha de Monte Sião me aproximei da porta e, obrigado Deus!, as pernas bambearam, a boca secou, o coração disparou. Amparado por uma bengala, Cony, que circulava no hall, foi gentil em posar para uma foto e deve ter se compadecido deste fã abobalhado que não conseguiu articular meia dúzia de palavras.

Para ficar mais um tempinho perto do mestre, fiz a inscrição correndo e, com um aparelho tradutor simultâneo (só eu e alguns poucos monoglotas usamos a geringonça) pendurado na cintura, entrei no auditório da ABL para ouvir a explanação de Emmanuel Renault, professor de Filosofia da Universidade de Lyon. Não entendi patavina das elucubrações do intelectual. Pela cara de enfado do Cony, acho que ele lamentou trocar a caminhada matinal na Lagoa pelo compromisso protocolar na Academia.

Posso voltar para casa, para o trabalho. Estas férias já valeram os meus parcos caraminguás. Pode chover mais cinco dias e o Pão de Açúcar branquear de neve. Não ligo. Abraçar Carlos Heitor Cony já justificou minha passagem por este mundo.

Em tempo: simpaticíssima, Nélida Piñon também aceitou ser retratada ao lado deste parvo das letras, mas, depois do instantâneo com o Cony maior, ela parecia uma reles vizinha da Tereziano.

  

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    23:57 — Arquivado em: Sem categoria

17.7.09

Companhias bizarras

A mensagem abaixo foi uma resposta ao artigo do amigo jornalista Jasson de Oliveira Andrade (também reproduzido mais abaixo).

A favor do Brasil, Jasson, a favor do Brasil.

Eu diria que, políticas partidárias de lado, nada contra Lula ou Sarney, mas a favor do Brasil. E, de alguma forma, ser contra a oligarquia Sarney, mesmo supondo o oportunismo eleitoral, é ser a favor do Brasil.

Agora, o mais triste de tudo é o lulo-petismo em nome da “governabilidade” fazer alianças com Sarney, Collor, Renan e afins. Uma bela história de contestação e resistência à ditadura que vai indo para o lixo. O episódio do Mercadante pedindo a renúncia de Sarney e depois, por ordem de Lula, voltando atrás foi uma das cenas mais patéticas da nossa história recente. O abraço em Collor, então… sem comentários.

Política não se faz com o fígado, mas um respeito mínimo pelos ideais e alianças dentro de um espectro mais progressista é o mínimo que o eleitorado petista espera de um governo do partido.

Jasson, o que é mais triste é o jornalismo chapa-branca de alguns: nenhuma crítica isenta, subterfúgios escandalosos para justificar o injustificável (“em nome da governabilidade”).

No governo FHC bati muito na aliança espúria dos tucanos com o PFL, mas os abraços recentes de Lula passam dos limites do tolerável. São vergonhosos para sua biografia e para a história do partido.

E, de verdade, posso até ser um idealista ingênuo em alguns aspectos, mas Lula dia-a-dia se afasta mais das suas origens, da sua história, ele renega descaradamente com as alianças todo o seu digno berço político.

Jasson, sei da sua militância, dos seus ideais, da sua bandeira. Democraticamente, respeito.

Mas, pela sua formação profissional, ainda espero uma análise isenta da conjuntura. É possível ressaltar muitos avanços no atual governo. No entanto, a afirmação de uma coisa não significa a negação de outra. Artigos de quem tem formação jornalística, mesmo expressando a opinião do autor, devem ter equilíbrio entre os prós e contras. O contrário, deixa de ser artigo para virar panfleto.

 

Saudações democráticas

 

 

Contra Sarney ou contra Lula?

por Jasson de Oliveira Andrade

As aparências enganam, diz o ditado popular. É o que está acontecendo com o massacre contra o senador José Sarney. Aparentemente a campanha é pela moralização do Senado. Na verdade, tudo é feito para sangrar o governo Lula e seus aliados, tendo como meta a eleição presidencial de 2010, procurando, indiretamente, beneficiar o candidato José Serra e prejudicar a sua adversária Dilma, apoiada pelo governo. Esta constatação já está sendo percebida por alguns analistas políticos.
O advogado Saulo Ramos, autor de Código da Vida, livro muito vendido, que foi ministro da Justiça do governo Sarney, escreveu um artigo na Folha para defendê-lo. Logicamente o texto é um panegírico dele. Tirando esses elogios, o autor diz algumas verdades que merecem ser divulgadas. Ele inicia assim o artigo: “Soube que José Sarney foi avisado para não se candidatar a presidente do Senado porque o mundo desabaria sobre ele como um vulcão de coisas impossíveis”. Por que isso iria acontecer? Saulo Ramos explica o motivo. Após dizer que não fizeram tais acusações durante 30 anos que ele esteve no Congresso, afirma que “não o haviam feito enquanto não se tornou presidente do Senado em véspera de ano eleitoral”. Em outras palavras: ele só está virando a Geni de nossa política, segundo o autor, porque ele apóia o governo Lula e também a Dilma. É o que eu também penso.
O jornalista Luiz Antonio Magalhães, no artigo “As lacunas da cobertura da crise no Senado”, já é mais claro do que Saulo Ramos. Ele diz em seu esclarecedor texto: “O Congresso Nacional [Senado e Câmara Federal] está em crise, mas para a grande imprensa tudo se resume a um nome: José Sarney. É certo que o presidente do Senado, eleito pelo Amapá e líder do PMDB do Maranhão, está cercado de encrencas, algumas delas tão complicadas de explicar como batom na cueca. Fazem bem os jornalistas em correr atrás das denúncias sobre o ex-presidente da República, mas fariam melhor, muito melhor, aliás, se conseguissem explicar ao distinto público o que está realmente em jogo no legislativo federal”. Adiante ele explica o que os jornalistas procuram esconder dos leitores. Ele afirma que “para o leitor, fica parecendo que anteontem Sarney desembestou a praticar corrupção, a torto e a direito, praticando um verdadeiro haraquiri [suicídio] político”, mas na verdade “não foram de ontem para hoje que começaram a ser assinados os atos secretos, agora cancelados pelo presidente da Casa. (…) E o mais importante de tudo, não foi ontem para hoje que a imprensa ficou sabendo de tanta imoralidade. Ao contrário, muitos jornalistas que parecem orgulhosos dos “furos” que estão dando na verdade deveriam estar com vergonha de jamais terem tocado no assunto antes…” Entretanto, por que não tocaram no assunto antes? O jornalista explica: “Sarney está sob intenso tiroteio porque a eleição para a Mesa Diretora do Senado precipitou, no Congresso, a guerra que está sendo travada nos bastidores da política brasileira, qual seja a da sucessão do presidente Lula no próximo ano. (…) Pode até parecer confuso, mas não é. São interesses conflitantes, mas com o mesmo objetivo: detonar não apenas Sarney, mas o que ele simboliza – o PMDB alinhado com Lula”. Ele encerra assim o seu artigo: “Nada disso aparece nas análises dos jornalões, que preferem apostar no espetáculo das noticias que chocam (e que esses mesmos jornalões já tinham conhecimento). Se o fazem por inocência, é apenas mau jornalismo. Se o fazem por interesses no resultado da eleição de 2010, é manipulação pura e simples. Nos dois casos, o leitor sai perdendo”.
No título deste artigo perguntei: contra Sarney ou contra Lula? Agora a resposta é fácil. É contra Lula, ou melhor, contra a sua candidata Dilma, procurando favorecer o Serra. A campanha vai dar certo? Só vamos saber em 2010. A conferir.

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    1:15 — Arquivado em: Sem categoria

7.7.09

Panis et circenses et gasolinus

Março de 1990. Collor, recém-empossado na Presidência da República, confiscava a poupança de milhões de brasileiros no plano econômico mais nefasto da história do Brasil. Erundina, nordestina arretada, dirigia a maior cidade do país e trazia de volta a São Paulo o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.

Este blogueiro, à época, pai de um bebê de 3 meses, foi com o primo goiano assistir o triunfo do francês Alain Prost em Interlagos.

Domingo último, mais de 19 anos depois do batismo, voltei ao autódromo paulistano para assistir uma etapa do campeonato de StockCar. Desta feita, ao contrário da primeira vez em que fiquei na arquibancada descoberta no final da reta oposta, ouvi o ronco dos motores num camarote bem na “esquina” da reta dos boxes com o “S” do Senna.

E, de novo, o circo motorizado foi um prêmio generoso do ganha-pão.

 

 

 

Clique aqui e se deleite com a imagem limpa, segura e perfeita de um cinegrafista amador

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    10:39 — Arquivado em: Sem categoria

28.6.09

Panis et circenses

Da empresa que ganhamos o pão, por vezes, também vem um pouco de circo. Nababescamente alimentado no Camarote Raí, com a presença do próprio, este blogueiro assistiu São Paulo X Náutico na tarde de ontem. Entre acepipes dos mais variados, cadeiras confortáveis, monitores de LCD e serviço que não dá descanso para as mandíbulas, vi a estréia do técnico Ricardo Gomes e a vitória do meu Tricolor do espaço mais VIP do Morumbi.

 

 

O anfitrião paparica o seu convidado ilustre; vista privilegiada da arena; o toque charmoso-retrô da tarde: tubaína em garrafinhas (teve gente que virou umas três)

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    22:51 — Arquivado em: Sem categoria

19.6.09

Chegando!

 

No primeiro dia deste frio junho uma notícia quente: Beatriz Schiavon Pastene veio ao mundo para ser a segunda menina do querido casal de compadres deste blogueiro, Alessandra e Alvaro Pastene. Com muita saúde, a pequerrucha Bia nasceu com mais de 3kg. para orgulho dos avós Wilson e Vera Schiavon e Ulises Pastene. Na bela foto, sendo “corujada” pela irmã Melissa.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    0:56 — Arquivado em: Sem categoria

14.6.09

A coisa é viral

O governador do Estado mais importante da Federação, um professor de física e blogueiro, o cabeça do programa de humor mais inteligente de TV brasileira, um apresentador global, o vocalista de uma banda de pop-rock nacional que bombou nos anos 80 e um cronista provinciano.

 

O quê essa gente tem em comum??

Todos aderiram ao fenômeno viral (palavrinha grudenta do internetiquês) do momento. Democraticamente eles trocam figurinhas no Twitter.  

Viral e ciberneticamente viciante!

Já conhece? Clique em cima do logo.

 

E, pela ordem lá do início, clique no nome e vá para as twittadas dos citados:

 

José Serra

Dulcídio Braz Jr.

Marcelo Tas

Luciano Huck

Roger do Ultraje

Lauro Borges

  

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    14:39 — Arquivado em: Sem categoria

12.6.09

Escarafunchando o Baú

 Foto by Laurinho Borges

Suplemento especial de aniversário! A província macaúbica faz anos e a editoria d’O Municipio convida este farsante escrevinhador para lavrar sobre algum local interessante da cidade. Por minha conta e risco, estendi as memórias para simbolismos crepusculares além de concretudes.

“São tantas as emoções, bicho!”, diria o cantante de Cachoeiro.

“Ô terrinha onde abundam ícones!”, corneteia o escriba parvo.

Com tantas referências em diversos escritos, o trabalho foi procurar no Baú, costurar e alinhavar.

 

Claro que a avenida mais hype (palavrinha da moda nas publicações modernetes) das bandas caipiras paulistas seria um bom mote. Sobre a gloriosa —e agora mais democrática— artéria desta urbe, achei no Baú:

Dona Gertrudes sempre foi portadora do germe da arrogância. Nos seus domínios, aristocráticos domínios, só eram bem recebidas as pessoas de posses. E por posses leia-se não só dinheiro, mas lastro de tradição. Os tempos são outros e a casta dos fidalgos já não mais tem cofres generosos. Sobrenome de peso anda meio sem fôlego na praça e gente nova vem dando as cartas, ou melhor, vem dando os cartões de crédito. Os nouveau-riches e um certo poder de compra da plebe trabalhadora estão por aí. Agarrada ao básico instinto de sobrevivência, Dona Gertrudes tem feito algumas concessões e, digamos, democratizando o seu pedaço. Mas não se iludam, ela só os acolhe por interesse. Ela só enxerga cifrões e a empáfia continua a mesma. Ela só quer o dinheiro deles para manter os seus dispendiosos hábitos. Dona Gertrudes, ontem, hoje e sempre, pode até ser uma hostess mais eclética, mas o tamanho do salto não diminui um milímetro.

Um outro achado bacana (palavrinha da moda nos cadernos culturais dos anos 70) no Baú foi o choro pelo venda do Expresso São João:

Qual habitante destes terrões da Beloca não sentia um orgulho quase patriótico ao cruzar com o Expressinho na Bandeirantes, Marginais e afins? Sempre brinquei com amigos que ao adentrar os ônibus do Expressinho, independente do local geográfico, estávamos em território sanjoanense e salvos pela imunidade dos congregados do Jaguari.

No compartimento refrigerado do Baú é claro que ainda tem algumas bolas do Häagen-Dazs mantiqueiro dos coquinhos gosmentos:

O sorvete de macaúba, guloseima-ícone da cidade, nascido das mãos hábeis e da cabeça criativa da dona Angelina lá na Dom Pedro II. Há mais de 20 anos dona Angelina vendeu a sorveteria com a receita mágica. Mas o nativo crepuscularys, amante do néctar gelado, único no planeta, ainda convida: “vamos lá na Dona Angelina tomar um sorvete de macaúba”. A longevidade do exótico sorvete leva o autor destas a achar que macaúba em forma de creme gelado é a panacéia para todos os males depressivos.

Se a alameda gertrudiana lá do início é hype, esta outra é vintage, é retrô no melhor sentido “agasalho confortável Adidas” da expressão. As referências a ela ocupam mais de meio Baú:

Encravada no coração da cidade, tem a extensão de dois quarteirões. Este pequeno espaço público que, pelo tamanho, não deveria ser mais que uma rua, recebe a patente de Avenida: Avenida Tereziano Vallim. O seu charme e a sua localização privilegiada justificam esta deferência na nomenclatura. Afinal, poucos logradouros públicos podem ser, ao mesmo tempo, centrais na localização e agradáveis no habitar. Na fazendinha do compadre Tereziano Vallim, ainda abençoado lugar, o sossego doméstico e as crianças brincando nas calçadas ficaram perdidos em algum ano da década de 80. Escritórios, clínicas, repartições. A frieza deste tipo de ocupação destrói o calor das comadrices entre as vizinhas. Quer coisa mais chata que pedir uma xícara de açúcar num escritório de arquitetura. Ou uma lata de óleo numa clínica odontológica. O sumiço dos lares, pouco a pouco, vai minando a resistência dos últimos heróis-moradores. A Maria Varzim anuncia em tipos garrafais um “vende-se” na sua fachada. Socorro!! A invasão marcha firme, alguns sucumbem, mas ainda tem uma pequena brigada organizada, valente, uma turma que vai segurar até o fim dos dias o estandarte lendário —e residencial— do compadre Tetê.

E, lá no fundo do Baú, no verso da foto que ilustra este texto, está gravado:

Tarde destas, minha mulher me chamou à varanda para contemplar um belíssimo pôr-do-sol. Larguei o meu jornal e fui meio a contragosto. Não me arrependi. Venerando àquele indescritível espetáculo da natureza senti um arrepio na alma e tive mais certeza do profundo amor que sinto por esta terra de crepúsculos tão estupidamente maravilhosos.

Em tempo: o cronista protocolou na ONU um pedido para que os crepúsculos desta Sanja sejam declarados patrimônio da humanidade.

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    15:40 — Arquivado em: Sem categoria

31.5.09

Abstinência torrêsmica

Sabadão de sono difícil!

Antes das 8 pulo da cama para receber o encanador. Enquanto ele se vira com a descarga encrencada, saio de casa pra resolver uma penca de pendências e para algumas básicas comprinhas domésticas.

Volto perto da hora do rango, planejando uma relaxada leitura na Folha sabática, seguida de uma refeição frugal e de um cochilo reparador da manhã movimentada.

Deus é testemunha das minhas boas intenções!

Boas intenções que sucumbiram a uma proposta indecorosa do colega de trabalho e amigo Rubinho Cambaúva: torresmo em São Sebastião da Grama.

Desde a morte do Chico do Pratinha, a plebe crepuscular sofre com a falta de um bom torresmo.

A sofrida síndrome de abstinência torrêsmica pode ser atenuada se o incauto se dispuser a rasgar 40km de estrada a aterrissar no Bar do Carlão, bem no centro de Grama. A urbe gramense, é fato, carece de temperos, mas sobra sabor no torresmo carnudo e sequinho do Carlão.

Sabadão de sono difícil: de manhã, o encanador; à noite, a difícil digestão da gordura suína. Neste caso, no entanto, o crime compensa.

Saboreiem as fotos:

 

 

 

 

 Vitrines provocantes, gordura libidinosa, cerva gelada, os prêmios do Torneio de Truco e a alegria cheia de colesterol do Rubinho

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    0:31 — Arquivado em: Sem categoria

10.5.09

Caldeirada na Fonte Platina

Gostava do João Ubaldo quando ele achava suco de espinafre uma coisa imoral. Hoje, por imperativos médicos, o genial cronista revelou estar comendo tanto capim que se conforma em assumir a condição de ruminante quando mais velho.

Pelos excessos à mesa, este blogueiro caminha também para um futuro menos calórico. Enquanto esse infausto futuro não chega, aceitei o convite do amigo Walther Castelli e fui saborear uma caldeirada de frutos do mar no chateau da família. Fonte Platina tem clima de montanha, maio combina com vinho e das mãos do Walther sempre sai comida boa.

Olha aí:

 

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    18:58 — Arquivado em: Sem categoria

20.4.09

Papo de Boteco

Li na coluna do Álvaro Pereira Jr., no Folhateen, e fui lá conferir. O cara detona, mas detona com conhecimento de causa.

Blog de comida com uma linguagem ácida e divertida.

 

Lá vai:

http://chefjulinho.blogspot.com/

 

E este post do novo restaurante do Alex Atala, Dalva e Dito, é antológico (tem até a conta carésima dissecada):  

http://chefjulinho.blogspot.com/2009/03/dalva-e-dito.html

 

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    23:47 — Arquivado em: Sem categoria

11.4.09

Náusea!

 

O jornalista Vladimir Herzog: "suicidado" pelo regime militar

Tive um rompante de replicar o amontoado de asneira perpetrado por um bestalhão autoritário na edição de 4/4/2009 do jornal O Municipio. Como, em outras épocas, já polemizei com o pateta truculento, fui até estimulado por alguns a combater novamente.

Não o fiz por duas razões:

1.       A editoria do jornal me negou o democrático direito da réplica;

2.       Recebi e ponderei sobre o e-mail abaixo reproduzido (não tenho autorização para citar o nome do amigo autor da mensagem):

 

“Olá Lauro, boa tarde, há tempos não nos falamos. Pena.
Queria, com a permissão de quem te admira, fazer um comentário sobre sua mensagem, a qual, antecipadamente, digo que concordo.
Acho que você não deveria dar a réplica.
"Brigar" com o Fulano é dar importancia ao que ele escreve, despreze-o.
"Brigar" com o Fulano no jornal local, desculpe-me pela franqueza que a amizade permite, é estupidez.
Você acha que o pensamento ideológico do jornal está mais para você ou para ele?
Dê ao artigo a importância que ele merece. Nenhuma.
Um grande abraço.”

 

De qualquer forma, cito uma frase do grande poeta Ferreira Gullar:

 

“Um recurso manjado, de que lançam mão os regimes autoritários e os caudilhos, é inventar um inimigo do povo, que eles estão sempre prontos a combater. Esse inimigo hipotético serve para justificar muita coisa e, sobretudo, para manter a popularidade do regime ou do líder.”

 

Se você tem estômago forte, clique aqui e leia o texto nauseabundo

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    0:56 — Arquivado em: Sem categoria

4.4.09

São João pode salvar o Planeta?

Não me entreguei às obrigações de cidadania de escarafunchar o espinhoso assunto. Careço de vontade e não tenho a mínima competência. Mesmo nada entendendo (deste e de muitos outros assuntos), reproduzo texto do leitor deste blog, Pierre Farkasfalvy, húngaro radicado em Sanja, que é autor do livro Budapeste-Paris-São João e de inúmeros artigos publicados na imprensa sanjoanense.

Pode! Qual é o perigo que está nos ameaçando? É uma experiência maluca, querendo imitar o Big Bang, o momento da criação do mundo. Criaram e instalaram a cem metros de profundidade uma máquina que já tem o apelido de "Fim do Mundo". O projeto levou dez anos e sua execução catorze. Custou mais de oito bilhões de dólares. Seu tamanho (circunferência) é 27 quilômetros. Está instalada na Suíça, perto da fronteira da França. Dentro desse anel gigantesco os cientistas pretendem colidir partículas (protons) perto da velocidade da luz, o que poderá gerar energias próximas àquelas que ocorreram no momento da criação do Planeta e do Sistema Solar. Para ter ideia o que isso representa, deveriam ocorrer seiscentos milhões de choques por segundo! Essa experiência poderá liberar forças que os organizadores desse evento talvez não terão capacidade de controlar.

 

Haverá a possibilidade de se produzirem buracos negros que acabariam por devorar a Terra e todo o Sistema Solar. Valeria a pena? Em caso de não acontecerem esses fatos temíveis, qual será a vantagem para humanidade? Pela declaração do professor sanjoanense Ronaldo Marin: "Seremos testemunhas de um dos mais importantes experimentos científicos da humanidade, que deverá distribuir muitos prêmios Nobel, quando entrar em funcionamento definitivamente".

 

Desde o momento que percebi o enorme risco para satisfazer a curiosidade dos cientistas, comecei a minha luta para impedir essa experiência. Procuro convencer desde o mês de novembro, as pessoas para se engajar nessa campanha. Não é fácil! Natal, fim do ano, férias e carnaval praticamente impediram as pessoas de tomar conhecimento e criar uma atitude corajosa a respeito desse perigo enorme que está ameaçando a todos nós. Muitos consideram que a distância que separa o Brasil da Suíça eliminaria qualquer risco para sanjoanenses. Esquecem que fazemos parte do Planeta, da mesma forma que os habitantes daquelas paragens. Diversas pessoas, ocupadas com seus afazeres, disseram, quando foram convidadas para assinar a declaração: "Tenho problemas mais importantes e mais urgentes para resolver." Provável que não foram poucas que comentaram quando se distanciaram: "Esse velho é maluco!"

 

Por enquanto a Associação Comercial e a OAB estão dando apoio irrestrito à minha luta. Gostaria de sacudir amigavelmente todos os sanjoanenses: "Acordem! Juntemos nossas forças! Levemos essa nossa luta para todo o Brasil e para as entidades mundiais! Não queremos essa experiência, mesmo que seja uma das mais importantes da história da humanidade! Queremos continuar nossa existência, sem desafiar Deus e as leis da Natureza!

 

por Pierre Farkasfalvy

 

Para saber mais sobre o assunto clique aqui e vá ao Física na Veia!, o conceituado blog do professor Dulcídio Braz Jr.

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    1:18 — Arquivado em: Sem categoria

1.3.09

O banheiro

Temendo o apagão, a assessoria do prefeito marcou a cerimônia para o começo da tarde.

            Estava todo mundo lá: prefeito, vice, juiz, bispo, autoridades, populares e toda sorte de aspones e puxa-sacos que adoram bajular o Poder. Chamaram até a banda municipal para animar o grande evento.

            Que grande evento?? Ora, ora, incautos e desavisados, que mais poderia ser senão a inauguração do banheiro público na praça central da cidade.

            O governador foi convidado, mas recusou o convite alegando uma indisposição estomacal. Ainda bem que o mal-estar foi esse, caso o desarranjo fosse intestinal seria bem possível que o convidassem para inaugurar, literalmente, a obra.

            Na entrada dos sanitários armaram um palanque onde as autoridades se revezavam nos discursos.

            O Juiz da segunda vara revirou as catacumbas do Direito para enaltecer as privadas do povo:

            Um banheiro, sim, um belo banheiro. Uma obra de arquitetura, sim, uma magnífica obra de arquitetura. Mas, povo aqui presente, isso é muito mais que um belo banheiro ou uma magnífica obra de arquitetura. Muito mais. Nesta praça foi edificado um ideal de justiça, um sonho de igualdade. Nestas latrinas não há discriminação. Nelas repousarão as nádegas do rico e do pobre, do branco e do preto, do católico e do crente, do gay e do hetero, do médico e do padeiro… Parabéns ao prefeito por sintetizar numa obra pública o que a humanidade busca desde priscas eras.

            O bispo foi breve e profundo:

            Nós, sacerdotes, somos procurados pelos fiéis quando a alma e o espírito padecem. Entretanto, meus caros, por vezes é o corpo com suas contrações abdominais que clama por socorro. Nestas horas, queridos irmãos, só um bom banheiro para aliviar o suplício. Cumprimento o prefeito por atender aos anseios fisiológicos do seu povo.

            Embarcando no populismo exacerbado que contaminou os oradores, o prefeito se empolgou:

            Numa época em que o mundo se preocupa somente com números, cifras, cálculos, estatísticas e tudo o que vem a reboque das ciências exatas, a minha administração foca o ser humano a as suas mais imprevisíveis manifestações biológicas. Queremos que o cidadão tenha um teto aconchegante onde, na hora do aperto, possa satisfazer as suas mais humanas necessidades. Quem aqui nunca se viu arrepiado buscando desesperadamente por um vaso límpido? Meus concidadãos, esta obra marca um divisor de águas na minha gestão. De hoje em diante, eu e minha equipe vamos administrar a cidade visando o completo bem-estar do munícipe. Usem e abusem do novo banheiro. Façam nele o que tiver que ser feito.

            Após os calorosos aplausos ao discurso do alcaide, o mestre-de-cerimônias saiu do script e convocou o estado-maior sanjoanense:

            Neste momento ímpar na história desta cidade, quero convidar o senhor prefeito e seu vice para que inaugurem de verdade o banheiro, derramando seus fluídos corpóreos sobre a alva louça sanitária nele instalada.

            Constrangidos, mas sem saída, prefeito e vice desceram abraçados a rampa que leva até o interior dos suntuosos aposentos sanitários. 

            Enquanto o establishment municipal fazia o pipi inaugural, a banda, encerrando a epopéia vespertina, tocava “Carruagens de Fogo.”

 

Em tempo: a referência ao apagão no parágrafo inaugural denuncia que a crônica foi desengavetada. Verdade. A lavra, republicada, é da primeira metade da primeira década deste século, quando esta Sanja crepuscular, governada pelo tucanato, ganhou o banheiro público inspirador de escribas pouco criativos. O texto, para deleite de alguns e ódio de poucos, está na Segunda Antologia da Academia de Letras de São João da Boa Vista, publicada em 2007.

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    20:06 — Arquivado em: Sem categoria

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