Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

20.7.09

Cariocadas

Uma garoa Sampa-londrina e surpreendentes 17° inibiram qualquer passeio que exija céu de brigadeiro.  Corcovado e Pão de Açúcar não combinam com cinza úmido.

Um guarda-chuva de camelô, tênis confortáveis e lá vamos nós para o velho centro do Rio. Arcos da Lapa, Teatro Municipal, Biblioteca Nacional, Confeitaria Colombo (doces irresistíveis num belo cenário clássico) e, claro, o acadêmico das macaúbas não poderia deixar de “orar” na sede da Academia Brasileira de Letras.

Alguns sabem que na literatura brazuca este blogueiro tem um ídolo: desde que ele assumiu a coluna Rio de Janeiro na página 2 da Folha e depois da leitura deliciosa do seu clássico “Quase Memória” (presente do amigo Walther Castelli) sou discípulo fanático da prosa genial e despretensiosa do Cony. Um tosco discípulo, é verdade.

Sem saber da agenda da Arcádia maior do país, descobri ao chegar que estava começando um seminário de críticos e escritores franceses. A palestra inaugural ia começar em vinte minutos e, de longe, vi uma movimentação de engravatados no hall de entrada.

Vestindo uma malha de Monte Sião me aproximei da porta e, obrigado Deus!, as pernas bambearam, a boca secou, o coração disparou. Amparado por uma bengala, Cony, que circulava no hall, foi gentil em posar para uma foto e deve ter se compadecido deste fã abobalhado que não conseguiu articular meia dúzia de palavras.

Para ficar mais um tempinho perto do mestre, fiz a inscrição correndo e, com um aparelho tradutor simultâneo (só eu e alguns poucos monoglotas usamos a geringonça) pendurado na cintura, entrei no auditório da ABL para ouvir a explanação de Emmanuel Renault, professor de Filosofia da Universidade de Lyon. Não entendi patavina das elucubrações do intelectual. Pela cara de enfado do Cony, acho que ele lamentou trocar a caminhada matinal na Lagoa pelo compromisso protocolar na Academia.

Posso voltar para casa, para o trabalho. Estas férias já valeram os meus parcos caraminguás. Pode chover mais cinco dias e o Pão de Açúcar branquear de neve. Não ligo. Abraçar Carlos Heitor Cony já justificou minha passagem por este mundo.

Em tempo: simpaticíssima, Nélida Piñon também aceitou ser retratada ao lado deste parvo das letras, mas, depois do instantâneo com o Cony maior, ela parecia uma reles vizinha da Tereziano.

  

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    23:57 — Arquivado em: Sem categoria

2 Comentários »

  1. Comentário por José Ricardo Noronha — 21.7.09 @ 10:31

    Amigo Lauro,

    Como você tem tão bem descrito, o Rio de Janeiro é uma terra linda e verdadeiramente abençoada por Deus por suas magníficas paisagens e belíssima natureza. Além disso, o Rio tem um tempero adicional que é a riqueza intelectual representada pela Academia Brasileira de Letras (que a propósito fica em frente à Banca do David, o camelô que se transformou em celebridade e foi entrevistado até pelo David Letterman em virtude da sua criatividade e combatividade diante de um mundo que lhe teimava em ser difícil).

    Have fun there!!

    Abraços,

    José Ricardo Noronha

  2. Comentário por Marcelo Pirajá Sguassábia — 23.7.09 @ 6:45

    Que privilégio, heim. Aproveite que você está aí no Rio e tente furar o cerco de um destes três: João Gilberto, Rubem Fonseca e Chico Buarque. Aguardo as postagens das fotos! Abraços

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