Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

4.4.09

São João pode salvar o Planeta?

Não me entreguei às obrigações de cidadania de escarafunchar o espinhoso assunto. Careço de vontade e não tenho a mínima competência. Mesmo nada entendendo (deste e de muitos outros assuntos), reproduzo texto do leitor deste blog, Pierre Farkasfalvy, húngaro radicado em Sanja, que é autor do livro Budapeste-Paris-São João e de inúmeros artigos publicados na imprensa sanjoanense.

Pode! Qual é o perigo que está nos ameaçando? É uma experiência maluca, querendo imitar o Big Bang, o momento da criação do mundo. Criaram e instalaram a cem metros de profundidade uma máquina que já tem o apelido de "Fim do Mundo". O projeto levou dez anos e sua execução catorze. Custou mais de oito bilhões de dólares. Seu tamanho (circunferência) é 27 quilômetros. Está instalada na Suíça, perto da fronteira da França. Dentro desse anel gigantesco os cientistas pretendem colidir partículas (protons) perto da velocidade da luz, o que poderá gerar energias próximas àquelas que ocorreram no momento da criação do Planeta e do Sistema Solar. Para ter ideia o que isso representa, deveriam ocorrer seiscentos milhões de choques por segundo! Essa experiência poderá liberar forças que os organizadores desse evento talvez não terão capacidade de controlar.

 

Haverá a possibilidade de se produzirem buracos negros que acabariam por devorar a Terra e todo o Sistema Solar. Valeria a pena? Em caso de não acontecerem esses fatos temíveis, qual será a vantagem para humanidade? Pela declaração do professor sanjoanense Ronaldo Marin: "Seremos testemunhas de um dos mais importantes experimentos científicos da humanidade, que deverá distribuir muitos prêmios Nobel, quando entrar em funcionamento definitivamente".

 

Desde o momento que percebi o enorme risco para satisfazer a curiosidade dos cientistas, comecei a minha luta para impedir essa experiência. Procuro convencer desde o mês de novembro, as pessoas para se engajar nessa campanha. Não é fácil! Natal, fim do ano, férias e carnaval praticamente impediram as pessoas de tomar conhecimento e criar uma atitude corajosa a respeito desse perigo enorme que está ameaçando a todos nós. Muitos consideram que a distância que separa o Brasil da Suíça eliminaria qualquer risco para sanjoanenses. Esquecem que fazemos parte do Planeta, da mesma forma que os habitantes daquelas paragens. Diversas pessoas, ocupadas com seus afazeres, disseram, quando foram convidadas para assinar a declaração: "Tenho problemas mais importantes e mais urgentes para resolver." Provável que não foram poucas que comentaram quando se distanciaram: "Esse velho é maluco!"

 

Por enquanto a Associação Comercial e a OAB estão dando apoio irrestrito à minha luta. Gostaria de sacudir amigavelmente todos os sanjoanenses: "Acordem! Juntemos nossas forças! Levemos essa nossa luta para todo o Brasil e para as entidades mundiais! Não queremos essa experiência, mesmo que seja uma das mais importantes da história da humanidade! Queremos continuar nossa existência, sem desafiar Deus e as leis da Natureza!

 

por Pierre Farkasfalvy

 

Para saber mais sobre o assunto clique aqui e vá ao Física na Veia!, o conceituado blog do professor Dulcídio Braz Jr.

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    1:18 — Arquivado em: Sem categoria

5 Comentários »

  1. Comentário por Flavia — 4.4.09 @ 23:11

    O LHC não vai causar nenhum tipo de energia que pode vir a destruir o mundo por uma questão puramente experimental: mesmo que todas as teorias já realizadas por físicos estiverem completamente erradas, ainda assim esse tipo de reação - com uma energia milhares de vezes maior, a qual nunca poderiamos atingir com tecnologia atual - acontece O TEMPO TODO NA NATUREZA, com o os raios cósmicos - tratam-se de prótons oriundos do espaço que colidem com a terra em energia muito superior à que os prótons do LHC irão colidir. E nunca se observou um buraco negro ou qualquer catástrofe similar. A única diferença entre os raios cósmicos e o LHC é que na natureza as colisões de raios cósmicos acontecem de maneira espalhada e sem controle - não dá pra prever onde vai cair e em que momento. No LHC conseguiremos controlar a energia dessas colisões e concentrá-las em uma região específica, e é muito mais fácil analisar dados de uma região do que dados espalhados. Mas existem experimentos que também analisam esses raios cósmicos - colocam-se balões com detectores na atmosfera e analisa-se os dados obtidos. Em resumo, o LHC não tem a possibilidade de destruir o mundo, então São João deveria se preocupar em salvar o mundo do que realmente o destrói - a exploração excessiva da natureza, a má distribuição de renda, a fome, o descaso dos políticos com a poluição…

  2. Comentário por Ronaldo — 6.4.09 @ 10:31

    A questão já foi bem respondida no comentário acima.
    Realmente colisões com níveis energéticos muito superiores aos do LHC vêm ocorrendo na alta atmosfera da Terra ao longo de sua história, não consistindo isso em nenhuma ameaça imediata à nossa sobrevivência. Portanto, não há nada a temer em relação ao experimento do LHC, o que, aliás, fica bem claro no artigo original mas que, por alguma razão, o senhor Farkasfalvy insiste em não compreender.
    Pelo contrário, o que temos são motivos para comemorar esse possível avanço nas pesquisas científicas que muito provavelmente trará respostas a questões fundamentais relativas ao conhecimento físico do universo. E, é de se esperar também, que aqueles responsáveis pelos experimentos que trarão essas respostas, sejam reconhecidos pelos diversos prêmios existentes para o incentivo à pesquisa científica, conforme o trecho “destacado” do artigo original, que no contexto correto, diz tão somente isso.
    Vejo como uma atitude extremamente louvável toda a disposição para o engajamento em causas importantes para o bem da sociedade. Entretanto, talvez essa energia pudesse ser melhor aproveitada na luta contra os verdadeiros “buracos negros” – metaforicamente falando – que assolam a sociedade brasileira, tais como a corrupção desenfreada em todos os níveis da política nacional, a crescente banalização da violência associada ao consumo de drogas e a falência do sistema educacional, só para citar alguns exemplos.

  3. Comentário por Marcelo Pirajá Sguassabia — 6.4.09 @ 14:34

    Meu caro escriba, como você bem comentou, o assunto é por demais espinhoso…
    Não tinha idéia da existência do aparato, coisa incrível. Cônscio da minha ignorância para quaisquer comentários, nomeio o Duña meu bastante procurador…

    Abraços crepusculares

  4. Comentário por Dulcidio Braz Jr — 9.4.09 @ 1:12

    “Quanto menos se entende, mais se quer discordar”.

    Esta frase é de Galileu Galilei, o “cientista maluco” que, pra satisfazer a sua curiosidade pessoal, apontou a sua luneta para o céu em 1609, há 400 anos.
    Nunca mais a ciência foi a mesma. Estava inaugurada a era experimental.
    E nunca mais o Universo foi o mesmo. Submetido a experimentos, o Universo nos revelou “segredos” que vêm satisfazendo a curiosidade de “cientistas malucos” ao longo de décadas, séculos.
    E por isso mesmo Galileu é o homenageado da Unesco em 2009 - o Ano Internacional da Astronomia - 400 anos da lunetinha e da ousadia de um pobre mortal em querer espiar o céu! Vejam só!!!
    Logo, se o mundo acabar por conta de algum experimento científico, a culpa é toda do Galileu!!! Foi ele quem começou com essa história… eu não tenho nada a ver com isso!
    Mas deixa eu voltar ao trabalho porque, não acabando o mundo, tenho muitas contas a pagar!!! E tenho a velha mania de cumprir com a minha palavra, meus compromissos, apesar de ser também apenas mais um “cientista maluco”! :-)

    Em tempo: obrigado pelo link Lauro!

  5. Comentário por Pierre Farkasfalvy — 15.4.09 @ 22:51

    Resposta à Flávia A. Dias, Professores Ronaldo Marin e Dulcídio Braz.

    Sinto-me honrado por ter recebido comentários de pessoas bem mais preparadas que eu, ao meu artigo São João pode salvar o Planeta?. Achei muito interessante a opinião delas, mas não chegaram totalmente me convencer. Se “os raios cósmicos, o tempo todo na natureza, colidem com a terra em energia muito superior à que os prótons do LHC irão colidir”, por que até hoje não apareceu o Bóson de Higgs e a eventual quarta dimensão que os cientistas que organizam a experiência do LHC esperam encontrar?

    Pode ser que esteja errado, mas pelas experiências que passei nos meus 83 anos, sou pessimista em certos acontecimentos.

    Quando assisti durante a II Guerra Mundial, a explosão acidental da metade de uma das pontes em Budapeste, resolvi sair da cidade. Ela foi preparada pelos alemães para ser dinamitada na chegada das tropas soviéticas. Acidentalmente explodiu num sábado, a uma e meia da tarde, lotada de pessoas. Comentei que, podia imaginar como iam ficar as outras pontes, quando chegam a vez delas. Chamaram-me de corvo. Na opinião da maioria, Budapeste seria declarada “cidade aberta”, sem luta pela sua posse. Infeliz-mente eu estava certo. Todas as pontes tiveram o mesmo destino e a batalha pela posse da cidade durou mais de dois meses, com cerca 120.000 vitimas entre civis e militares. Quando parti, antes do começo da luta, pedi à minha mãe todos os meus documentos e alguns dados da família. Ela não se confor- mava. Expliquei: “Não sei, se ainda vamos nos encontrar e, neste caso, quando e onde?” Nosso encontro deu-se 18 anos depois em Viena, quando eu já morava no Brasil.

    Quando, logo depois do fim da guerra, encontrei uma tia em Paris, ela tentou me convencer para voltar à Hungria, contando a democracia maravilhosa no país. Minha resposta: “Se a senhora poderá repetir isso, daqui a um ano, um ano e meio, é possível que eu volte.” Vencendo esse prazo, ela viajou com o marido e o filho aos EUA, pedindo asilo político.

    Devido essas experiências, sem contar outras, sou pessimista sobre o resultado do Projeto LHC. Pode ser que eu esteja errado. Mas existem pessoas mais inteligentes e preparadas que também acham o projeto perigoso e, pedem a sua suspensão.

    Pierre Farkasfalvy

    admirador de Galileu Galilei, ameaçado de morte pela Inquisição

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