15.1.09
Orgulho crepuscular
Milagros – uma empresa que é um orgulho da nação crepuscular. Assistam o vídeo no link abaixo. E segue também a repostagem de um texto recente deste blogueiro que fala sobre criador e criatura.

INCENSOS MACAÚBICOS
Amaury Júnior é aquele colunista televisivo que recebe polpudos jabás para adular artistas, socialites e medalhões do PIB. O cara faz publicidade e promoção em embalagem de entrevista. Não seria exagero tachá-lo de embusteiro.
Cá nas plagas mantiqueiras, este escriba, em alguns casos, até pode ser carimbado como impostor, mas seus logros não valem um vintém para promover nada nem ninguém. Nem sorvete de macaúba eu ganho.
A (boa) história a seguir relatada, portanto, não oculta nenhum dinheiro espúrio. Ela é contada apenas e tão somente pela riqueza do enredo e pelas raízes crepusculares. E sem impostura, no máximo uma ou outra licença poética.
Nascido às margens do Jaguari, pupilo da Vera Gomes e outros mestres do bom e rígido Instituto de antanho, Martinho foi um infante-adolescente que gostava de recreações eqüestres. E antes que maldosos façam ilações infames, informo que a recreação era bem ortodoxa. Montaria convencional e só.
O canudo universitário veio em 1983. O neo-agrônomo foi ganhar os primeiros caraminguás pesquisando a ferrugem da folha do café. Trabalho digno, mas monótono e pouco palpável.
Fugindo da bioquímica ferruginosa maçante, o crepuscular conseguiu um estágio numa produtora de comerciais. Viagens, glamour e locações exóticas. Numa destas, o crepuscular passou a noite no topo de um arranha-céu da Paulista com duas modelos dançando nuas ao som de música new age. As tomadas eram feitas de um helicóptero.
Noutras, Martinho cruzou com um patuá de celebridades: contou piadas para o Chico Anysio, carregou o sofá da Hebe, gargalhou com a Nair Bello, bateu bola com o Pelé e cheirou lança-perfume com a Rita Lee…
O Tietê malcheiroso, as piadas já sem graças do Chico Anysio e um português repetitivo empurraram o macaúbico para a Londres do Tâmisa, do Mr. Bean e do inglês pouco explorado. Em dois anos no reino de Beth Segundona, o rapaz latino-americano lavou e serviu pratos. Até a grama sagrada de Wimbledon ele cortou.
Enjoado do chá das cinco e outras pontualidades, o intrépido viajante fez um tour pelo Velho Mundo, dos bistrôs parisienses às tulipas de Amsterdã. E o incrível périplo do nativo de Sanja ainda teve uma esticada até o longínquo sudeste da Ásia. Até fondue de vulcão em Java ele comeu.
Voltou para o Brasil e voltou para o glamour da publicidade. Por pouco tempo. As modelos cheias de curvas que dançaram nuas agora eram anoréxicas nas passarelas da São Paulo Fashion Week. O mundinho do Amaury Júnior perdera a graça.
“Chamado” a andejar pela Espanha, Martinho percorreu os 800 km do Caminho de Santiago de Compostella e descobriu o real sentido da vida. Martinho jura que nunca leu Paulo Coelho e nem foi influenciado por ele.
E o real sentido da vida é Sanja, macaúba, buscar água na Prata, chope no Tekinfin e outros hábitos do “beloca way of life”.
Rememorando os múltiplos aromas de incenso do Caminho, nosso herói procurou a resina perfumada em terras tapuias. Nada.
Da frustrada busca nasceu uma idéia, da idéia um projeto, e do projeto a Milagros, uma empresa que se orgulha de ser genuinamente sanjoanense.
A Milagros já é um sucesso importando, beneficiando e fragmentando as substâncias aromáticas. O sucesso é inconteste.
Agora só falta a cereja no bolo. Agora só falta o selo “AUTHENTIC OFFICIAL CREPUSCULAR”.
E o selo virá com um perfume revolucionário. Batinas serão sacudidas e o alto clero vai embarcar num frisson com o novíssimo “Macaúba Gold Fragrance”.
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
20:45 — Arquivado em: 
