21.8.08
Piantella
História política do país e boa gastronomia. É o Piantella, lendário restaurante na capital da República. Este blogueiro, trabalhando uns dias em Brasília, foi conhecer o lugar na companhia de colegas de banco. Na noite, fraca em políticos segundo o maître, circulavam por lá o senador de Goiás, Marconi Perillo e o deputado do RJ, Miro Teixeira. Abaixo: fotos e alguns textos de Veja sobre o Piantella.

Deputado da bancada macaúbica

No cantinho do dr. Ulysses Guimarães

Adega que tem vinhos de mais de R$ 10.000,00 a garrafa

Steak au poivre
"Na mesa de um restaurante, as conversas se equilibram e se chega à clareza dos fatos". A frase é de Ulysses Guimarães, o senhor Diretas, que morreu em 1992, e o local onde foi proferida não poderia ser outro senão o Piantella. O restaurante era praticamente a sucursal do seu gabinete. Na famosa mesa no segundo andar – até hoje chamada de "cantinho do doutor Ulysses" –, costurou-se a transição democrática nos anos 70. A seqüência de fatos marcantes da recente história política do Brasil que tiveram como parte do cenário as mesas do Piantella imprimiu ao restaurante um prestígio inabalável. A "extensão do Congresso Nacional", como já foi chamado, transformou-se em um ícone de Brasília.
(Suplemento Veja Brasília, 21/04/2007)
Aberto em 1976, o Piantella é mesmo um clássico, não só porque tem um cardápio de pratos consagrados da culinária internacional, como carré de cordeiro, risoto de ervas e scargots na manteiga de alho, mas também porque foi e é freqüentado por todos os poderosos, do falecido deputado Ulysses Guimarães ao defenestrado ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que costumava pedir bife de rã, quando sua presença na casa era mais regular do que agora.
Dá para dizer que praticamente todos os grandes rolos e confusões políticas de Brasília tiveram algum episódio escrito nas mesas do Piantella. Um deles, aliás, envolve o próprio restaurante, numa história dessas que só pode ter como cenário a Capital Federal.
Conta-se que o chef Marco Aurélio Costa, um dos donos do restaurante, foi convocado a cozinhar numa praia deserta para o escritor Fernando Morais, enquanto este tomava os depoimentos de José Dirceu para um livro que recordaria sua trajetória política e, nessa empreitada, aproveitou para narrar também a história do restaurante, que deveria render um outro livro.
Só que, algum tempo depois, soube-se que os originais do esperado livro em que Dirceu supostamente contaria toda a sua passagem como grande cacique no Palácio do Planalto, foram roubados junto com o computador de Fernando Morais, junto com um taco de beisebol assinado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez mais uma caixa de charutos. Morais anunciou, então, que não escreveria mais o livro sobre o ex-ministro. E ponto. Mas uma coisa curiosa é que um dos sócios do Piantella, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Cacai, vem a ser amigão e advogado de Dirceu.
Ah, sim, sobre o livro a respeito do Piantella não houve mais notícia.
(Suplemento Veja São Paulo, 15/11/2007)
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
21:14 — Arquivado em: 

Comentário por Marcelo Pirajá — 22.8.08 @ 12:49
Meu federal escriba macaúbico, você parece bem à vontade na sede do poder. É, gente da sua esfera é outra coisa! Este filet au poivre mexeu com os recônditos instintos carnívoros deste semi-natureba, contente que se apresente à mesa muitíssimo bem passado…
Recebi O Municipio ontem e de novo não vi sua coluna. O que acontece?
Abraços mantiqueiros, meus e do Duña