Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

31.7.08

Em defesa do hipopótamo balofo

Com o nebuloso pretexto de “defender” Carlos Alberto Cardo, o sempre truculento Acácio Vaz de Lima Filho perpetrou um amontoado de asneiras em forma de artigo na edição de 23 de julho de O Municipio. A “defesa” de Carlão foi um grosseiro subterfúrgio para atacar o autor destas linhas.
O causídico rancoroso, aludindo à minha sincera homenagem ao falecido, inicia seu textículo refletindo sobre a “estranheza das coisas deste mundo”. Ao ler o estéril arrazoado do Acácio, confesso não ter percebido nada incomum. Ao contrário, só reforcei minha convicção na irreversibilidade de algumas psicopatias.
Acácio Vaz de Lima Filho, é notório nesta Sanja, padece há muito de incurável confusão mental. Suas exposições são intelectualmente picaretas, tecnicamente ineptas e moralmente reprováveis. Lavro, pois, estas linhas em respeito aos inúmeros amigos e leitores que manifestaram incondicional solidariedade.
Aos pontos:

1. No meu texto, uma reverência verdadeira à elegante pena do Carlão, não há nenhuma ilação —expressa ou oculta— de desassistência por parte da filha e/ou da ex-mulher. Ouvi do próprio, resignado e sem mágoas, os reclames de “pindaíba e solidão”. A solidão, óbvia constatação, é um estado de espírito que independe de boas intenções alheias. Tenho certeza, ainda, que os mais próximos nunca o desampararam materialmente. Pergunto, então: a penúria se extingue com o dinheiro de outrem? Só cacholas desequilibradas e a serviço do mal produzem tantas deduções desatinadas;

2. Acácio, que autoridade!, não consente que o nome de Carlão Cardo “seja misturado a devaneios de gosto mais do que duvidoso”. Se vivo fosse, Carlão, que nas palavras de um colega acadêmico era um “boêmio apaixonado, libertário de palavras contundentes”, gostaria menos ainda que seu nome fosse misturado a manifestos de conservadores ressentidos e arautos de governos totalitários;

3. Professoral esse Acácio, não? Pra quem vive aspirando fungos, os literais de velharias poeirentas e os conceituais da intolerância, realmente crônicas não têm audiência. Avesso ao progresso, meu iracundo desafeto desconhece os neologismos da língua pátria;

4. Nos idos de 2000, este escriba e Acacinho (o diminutivo não denota intimidade, só conceito) polemizaram nas páginas de periódicos locais. À época, prostrado pelo vigor dos ideais democráticos, ele engoliu seco a derrota. Atribuo essa reinvestida tenebrosa a um refluxo retardado da briga mal digerida;

5. Quando desta peleja ideológica, recebi do consagrado jornalista Luis Nassif um e-mail revelador da personalidade do meu oponente, que foi publicado na íntegra n’O Municipio (11/03/2000) e também na página 40 do livro “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”, de autoria de Jasson de Oliveira Andrade. Pinço alguns trechos: “Prezado Lauro, infelizmente estou atolado em serviço, caso contrário contaria o episódio em que eu e um grupo de amigos que fazíamos teatro em São João fomos dedados pelo Acácio para o serviço de informação do Segundo Exército. Não se tratou meramente de uma discordância doutrinária, mas de um sujeito que utilizava o poder das baionetas para ameaçar, inclusive de prisão, meros adolescentes que ousaram encenar a peça “Liberdade, Liberdade” na região. Em minha vida profissional já convivi com discordâncias profundas, mas jamais algo dessa natureza, de uma pessoa nascida em São João, não ter o escrúpulo de denunciar adolescentes, seus conterrâneos, sujeitando-os eventualmente até a prisões e torturas, muito comuns na época. Até hoje não compreendo o que faz pessoas agirem assim, de levarem discordâncias de bar ou de escola para os porões de um ambiente militar. Falei que não ia escrever, e acabei escrevendo. Utilize como quiser. Um abraço. Luis Nassif.”;

6. Escrevi que o hotel Del Rey, onde Carlão passou seus últimos dias, seria “pouco recomendável”. Cometi uma injustiça acaciana. Simplicidade não pode e não deve ser pejorativa. Transfiro o “pouco recomendável” para o produto de alguns articulistas delirantes. Já fiz no particular e agora faço publicamente: minhas desculpas aos proprietários e hóspedes do hotel pela indelicadeza;

7. Teria o elefante autoritário patas tão leves que o credencie a apontar insensibilidades no hipopótamo balofo?

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    23:41 — Arquivado em: Sem categoria

18 Comentários »

  1. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:46

    oi lauroaugusto achei certo mas inutil responder como ja te escrevi
    adorei o teu “texticulo”"” demais, sutil e desconfio q mta gente achou
    q VOCE nao sabe escrever. so os bão entenderam!!! abracos 1000 sp
    solidários (CJ)

  2. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:47

    O Acácio pleiteou uma cadeira na Academia e não obteve a votaçào necessária para tanto. Por isso ele é mordido com a Academia. Quando se refere aos pseudo-intelectuais ele está se referindo aos acadêmicos. A mim não afeta em nada. Quem não o conhece que o compre.
    Abraço (AL)

  3. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:48

    Lauro:
    Estou morrendo de rir aqui pela sua resposta ao “doutor” Acacio.
    Obrigado, de coração. (CS)

  4. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:49

    Carissimos,
    pelo visto foi retomada a velha peleja com nosso famoso e polêmico causídico local …
    vamor ver de camarote o novo duelo de titãs de nossa pacata urbe …
    não restara pedra sobre pedra rsss
    abraçosss (EFA)

  5. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:50

    Prezado Hipopótamo balofo,
    Aguardo ansioso pela semana vindoura apenas para ver a resposta de seu “colega”.
    Hoje mesmo pretendo passar no supermercado para reforçar o estoque de pipoca e guaraná que serão consumidos durante a leitura.
    Como diria Bia, “vai ser hilário”.
    Abração, (CRT)

  6. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:51

    Até onde irá essa discussão? Admiro os dois -um é meu colega de academia e o outro um advogado brilhante. Fico triste em vê-los numa situação em que ninguém ganha. Todos nós perdemos.(NM)

  7. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:52

    oi meu querido, culto e lindo Lauro
    Ontem conversando c o vedionil reportamo-nos aos artigos mencionados e tão polêmicos. ele ate achou q a nossa academia estava sendo sutil e repciamente atacada. gostei de sua resposta, mas, mais experiente, velha e cabrera, acho q isso nao convencerá quem deve ser convencido. Brigas e picuinhas infindas, nefastas e inúteis. abracos 1000 (CJ)

  8. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:52

    Arrasou Lauro!!!!!
    Mandou muito bem mesmo. Parabéns!!!(LS)

  9. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:53

    a briga é boa a escrita é boa os adjetivos adequados amei amei …agora estou em cima do muro confundiu minha cabeça sou loura fazer o que ahahahahahahah agora quero a réplica ahahahahahahahahah (até parece que eu não tenho o que fazer …..devo estar com delirius tremulus …ahahahahahaha) (VM)

  10. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:55

    Meu caro Lauro, a tua autocrítica sobre a infelicidade do texto no referente ao hotel dos Pradellas foi pertinente e o “mea culpa” imagino publicará na próxima edição do Município. Não conheço o Dr. Acácio mas sem duvidas sua pena ferina tinge o texto de um exagerado rancor, quem sabe alguma outra questão mal resolvida….
    Do próprio escrito do Dr. Acácio se desprende sem sombra de duvidas que o homenageado morreu mesmo “solitário e na pindaíba”, e a mesma sensação de “não poder atender” que originou tua matéria parece ter arrastado para a superfície da consciência deles alguns sentimentos por motivos, quem sabe, de inações passadas e que estes assomem e assolem às parentelas e amizades do defunto no presente não tira os dias de solidão do morto, conforme ele mesmo relata em um ano recebeu menos de 10 chamadas e confessou sentir que estava sumindo… já a matéria do Dr. Acácio pode que sirva de anestesia para estas mesmas almas doídas, pareceria que as mesmas mão que não souberam se abrir na hora certa se levantam agora em forma de punhos bradando exageros ao autor da matéria que ousou levantar suspeitas das suas solidariedades, embora sem intenção conforme confessa o que não tira o estrago ….esqueletos nos armários causam espanto sempre, os nossos próprios então!
    Mesmo assim, seu objetivo foi honesto e é de acertos e erros que é feita a vida, bola pra frente que atrás vem gente! Quem não se expõe não erra mas também não contribui em porcaria nenhuma, é o famoso cavalo de monumento, cagar em você não caga mas também não vai te levar a lugar nenhum!!! (AU)

  11. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:56

    Lauro, há tempos esse senhor te persegue! Deve ser fã ardoroso da sua ótima e estilosa pena. Abs. (AM)

  12. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:57

    Fui lá no seu blog reler o texto sobre o Carlos Alberto Cardo e não vi nada, absolutamente nada, que desse motivo para réplica tão grosseira e estéril. Você não disse uma palavra que desabonasse a figura - ao contrário, faz a ele uma homenagem. Ao final do achincalhe, resvalam estilhaços até pro Caetano Veloso, desafeto-mor do Acacio nos tempos de CCC. (CR)

  13. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:58

    Com braços potentes e fartos desencrava-se até as premissas do DIREITO ROMANO, não fosse a pegada firme com o com o verbete crepuscular “Sanja”, diria tratar-se de conluio, contudo, que falem mal, mas falem de mim, digo, de nossos devaneios…(DLR)

  14. Comentário por repercussão — 3.8.08 @ 15:59

    Lauro
    Entendi a homenagm ao teu/nosso amigo Carlão Cardo. Não vi, em momento algum, qualquer desrespeito à filha, à familia ou à sua memória.
    Por favor, prossiga e persevere em tuas “pretenções pseudo-literárias”, pois tem muita gente nesta “Sanja” que aprecia.
    Minha solidariedade, completa e incondicional.
    Abraços (CAZ)

  15. Comentário por GB — 3.8.08 @ 18:16

    Acho que respondeu a altura.
    Pena O Mnicipio não ter publicado sua matéria. O que aconteceu? Censura? Amizade? Talvez…
    Abraços.

  16. Comentário por José Ricardo Noronha — 4.8.08 @ 20:47

    Grande Lauro,

    Você é realmente um craque e não deve se preocupar com ataques tão bestas como o que lhe foi proferido pelo Dr. Acácio. Aproveite ao máximo a volta do seu rebento à esta província crepuscular “Sanja” que você tão bem retrata em suas inspiradíssimas crônicas.

    Abraços do seu amigo tricolor!

    José Ricardo Noronha

  17. Comentário por Bruno Martins Vasques Luciano — 11.8.08 @ 11:13

    Tenho o prazer de ser amigo do Dr. Acacio e dentre as ótimas coisas que aprendi com ele por seu intermédio conheci o Dr. Carlos Alberto Cardo. Depois que conheci o Nobre Carlão não consegui mais me desligar dele. Certamente das poucas ligações, citadas, não raras vezes eu estava do outro lado da linha. Carlão, muitas vezes, realmente estava triste, mas não pelo falso estado de penúria apontado, mas pela hipocrisia e pela frieza humana instalada no individualismo urbano. A forma que ele estava vivendo pode ter sido estado de penúria para pessoas mercenárias, mas não para ele um homem humilde na forma de viver porém nobre nas qualidades humanas. Diferente de muitos “doutores do crepúsculo” embevecidos pelo luxo e pela vaidade. Resumindo, Carlão era feliz por vários motivos, por ter sido honesto, amigo, por saber de sua capacidade profissional e intelectual, por seus dons culinários e musicais, por sua dignidade e sem dúvida por ter convivido até o fim de sua vida com a filha pessoa que ele vivia a exaltar. Portanto, só tenho o que agradecer ao Dr. Acacio e ao Carlão pois tive a honra de conviver com eles e aprender muita, muita coisa com estas duas digníssimas pessoas, posso dizer que me tornei mais homem, mais inteligente e mais feliz. Carlão obrigado por ter sido meu amigo !!
    Não sou letrado, nem intelectual, minha linguagem é simples, mas aprendi na minha infância a ser humilde, a ter respeito com o semelhante e a pedir licença para entrar em casa alheia e acho que sem estes princípios de nada vale o culto vernáculo !

  18. Comentário por Repercussão 1 — 13.8.08 @ 19:38

    oi Lauro augusto achei certo mas inutil responder como ja te escrevi
    adorei o teu “texticulo”"” demais, sutil e desconfio q mta gente achou
    q VOCE nao sabe escrever. so os bão entenderam!!! abracos 1000 sp
    solidários (CJ)

    O Acácio pleiteou uma cadeira na Academia e não obteve a votaçào necessária para tanto. Por isso ele é mordido com a Academia. Quando se refere aos pseudo-intelectuais ele está se referindo aos acadêmicos. A mim não afeta em nada. Quem não o conhece que o compre.
    Abraço (AL)

    Lauro:
    Estou morrendo de rir aqui pela sua resposta ao “doutor” Acacio.
    Obrigado, de coração. (CS)

    Carissimos,
    pelo visto foi retomada a velha peleja com nosso famoso e polêmico causídico local …
    vamor ver de camarote o novo duelo de titãs de nossa pacata urbe …
    não restara pedra sobre pedra rsss
    abraçosss (EFA)

    Prezado Hipopótamo balofo,
    Aguardo ansioso pela semana vindoura apenas para ver a resposta de seu “colega”.
    Hoje mesmo pretendo passar no supermercado para reforçar o estoque de pipoca e guaraná que serão consumidos durante a leitura.
    Como diria Bia, “vai ser hilário”.
    Abração, (CRT)

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