3.7.08
Karol e Mari

Corujice é faceta deste escrevinhador que o planeta Sanja tá careca de saber. Já levei até uns ralhetes de leitores por lambidas excessivas na cria. O que muitos não sabem, e não deveriam mesmo saber, é que, além dos encantamentos explícitos pelo rebento, o colunista também se encanta — e hospeda no seu chatô— por forasteiros jovens do programa de intercâmbio do Rotary.
Meses atrás, o solo sagrado da Tereziano foi pisado por duas nórdicas adolescentes que vieram provar a gosma doce da macaúba. Karoline Gallefoss e Marianne Angvik, norueguesas que aprenderam a amar o Brasil, entre saracoteadas pela Dona Gertrudes, falaram um pouco sobre a experiência de viver nos trópicos. Respeitei, claro, a essência das declarações, mas um tempero crepuscular no incipiente português delas deu no que segue:
1. Por que o Brasil, meninas?
Karol: Porque eu queria a diferença, o choque cultural. O Brasil é calorosamente diferente da Noruega. A cultura popular, a língua latina, o clima quente, o carisma das pessoas. O país tem cor, vivacidade. [nota do escriba: Karol fala do calor com absoluto conhecimento de causa. Sua alvíssima cútis padeceu muito sob o sol inclemente do Piauí, onde ela passou a maior parte do intercâmbio]
Mari: Lá em cima, no freezer do mundo, o Rotary da minha cidade só falava coisas boas sobre o Brasil, e eu, claro, fiquei muito curiosa e decidi viajar pra cá. E também penso como a Karol: a riqueza da vida está em conhecer outros cheiros, outras cores. [nota do escriba: Dentre os novos cheiros que a Mari conheceu, seguramente o de pão de queijo foi o mais marcante. A menina escandinava fez o seu intercâmbio na capital das alterosas, onde devorou toneladas da iguaria mais famosa das Minas Gerais]
2. E seus pais, o que acharam da escolha do destino?
Karol: Meus pais disseram: “Karol, o ano é seu e você viaja pra onde quiser.” Eles aprovaram a minha escolha e ficaram entusiasmados pela oportunidade da filha viver num lugar tão longínquo e tão diferente da Noruega.
Mari: Mamãe falou: “Ah!, eu queria voltar aos meus 17 anos e fazer intercâmbio. Aproveite muito, filha, porque é uma oportunidade única de você amadurecer, de tornar-se independente.”
3. Antes de aqui chegar, qual a imagem que vocês tinham do país?
Karol: Eu confesso, eu confesso… tirando os clichês, não sabia muito sobre o Brasil. Sabia aquilo que todo mundo sabe: Rio de Janeiro, São Paulo, carnaval, Amazônia, futebol… essas coisas.
Mari: Além de tudo o que a Karol falou, eu ouvia dizer que o Brasil era um paraíso tropical muito festeiro, mas com muitos problemas sociais e perigoso pra se viver.
4. Ser jovem na Noruega é…
Karol: Jovens são jovens em qualquer lugar do mundo. Gostam de festas, de compras, de andar em turmas. São iguais, mas um pouquinho diferentes, se é que você entende.
Mari: É verdade, sim. Somos bem parecidos, mas as festas de lá não são tão animadas como as daqui. No Brasil, talvez pelo clima, a coisa ferve.
5. O bom e o ruim na Noruega.
Karol: Começo pelo pior: um país frio com pessoas também um pouco frias. De bom temos as belezas naturais e um sistema que funciona. E funciona sem jeitinho. A escola de lá é muito melhor que a daqui.
Mari: Política e socialmente, a Noruega é um lugar muito bom pra se viver. Quase sem corrupção e sem pessoas pobres. Temos boas escolas e bons hospitais sem precisar pagar por isso. Também quase não temos lugares perigosos. Também amo a natureza exuberante do meu país, os fiordes, o sol da meia-noite, a aurora-boreal… Não gosto muito do frio e acho que lá as pessoas são muito fechadas.
PS: O texto ruminante de semanas atrás versava sobre uma vaca em lugares insólitos. Achei que daria uma embalagem bacaninha no escrito ruim ao ilustrá-lo com a foto de uma mimosa robusta. A estupidez foi ampla, geral e irrestrita: a foto era de um boi. (grato ao meu amigo e confrade JS que apontou o capital erro)
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
23:33 — Arquivado em: 

Comentário por Marcelo Pirajá — 4.7.08 @ 12:59
Meu caro escriba macaúbico, como está? Muito legal a entrevista. Na verdade, é uma experiência única pra elas e pra você e a Josi também, eu imagino. Certamente sentirão saudades de Sanja. Agora, mudando de assunto, espero em Deus que nossas lavras sejam publicadas no jornal, sábado agora. Sabe o motivo do atraso? Um belóquido amplexo na sua pessoa.
Comentário por JS — 4.7.08 @ 19:04
Lauro, bom dia.
Como não se encantar por forasteiras tão encantadoras e encantadas pelo Brasil,não é mesmo? Cá entre nós, in off, cê num tem umas forasterias encantadoras destas sobrando pra mandar lá pro meu barraco? Veja bem,tudo em nome do intercâmbio entre os paÃses,certo? Nada de segundas intenções, ha ha ha!
Grato pela mensagem e pelos momentos de alegria.
Sucesso,
João Sérgio.
Comentário por José Ricardo Noronha — 18.7.08 @ 9:34
Grande Lauro,
Em um encontro aqui na Igreja aqui em SP, um dos meus amigos me contou que havia recebido durante um final de semana uma menina da Noruega fazendo Intercâmbio no Brasil e que estava vivendo aà em São João. Imagino ser uma das duas. A filha do Paulo (o amigo aqui referido) vai iniciar em breve a jornada dela por terras canadenses.
Um grande abraço do amigo,
José Ricardo