20.5.08
Guarapuava é assim!
Sérgio Mattos, colega de trabalho na gigante Caixa, hoje verte o suor na sua Guarapuava natal. Conheci o Sérgio quando ele, na busca por crescimento profissional, veio trabalhar em Mogi Guaçu. Convivemos profissionalmente durante alguns anos, conheci sua família e posso dizer que nos tornamos amigos. Separados pela distância, vez ou outra trocamos e-mails em que sobram farpas futebolísticas (o seu defeito é ser palmeirense doente). Desta vez, Sérgio, que não esconde o seu amor pelo rincão do berço, enviou bela e engraçada crônica bairrista, cuja íntegra reproduzo abaixo.

Guarapuava é assim!
O Paraná é repleto de tradições. Uma delas diz que as moças de Campo Largo preferem casar com os vizinhos de Ponta Grossa. É mais uma lenda da Gralha Azul. Terra de guapo macho é Guarapuava. O nome de origem tupi já diz tudo: lobo (guara) brabo (puava).
Guarapuavano não tem medo do frio. O frio é que gela de medo do guarapuavano. Com uma altitude que varia entre 1.000 e 1.200 metros, é normal a temperatura de Guarapuava cair abaixo do ponto de congelamento. O que garante uma bela cidade com quatro estações bem definidas: a estação de rádio, a estação rodoviária, a estação meteorológica e o inverno.
Os primeiros tropeiros oriundos de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, que usavam o paradeiro como rota, perderam a conta das nevascas em Guarapuava, o refrigerador do mundo. Consta que nevou em 4 de julho de 1953; 30 de julho de 1955; 20 de julho de 1957; 19, 20 e 21 de agosto de 1965; 8 de julho de 1972; 17 de julho de 1975; 25 de agosto de 1984; 9 de julho de 1994 e em 12 de julho de 2000, quando pararam de contar para não atrair turistas. Fundada em 1810, Guarapuava faz fronteira com o Pólo Sul e o Pólo Norte. Terra de gente resistente às intempéries, com 4 graus negativos aumenta na zona urbana a venda de biquínis e sungas. Dizem os geógrafos de Tibagi que sem Guarapuava o Brasil não seria descoberto: quem iria produzir os ventos para impulsionar as caravelas?
Numa linha reta, Guarapuava fica a 220 quilômetros de Curitiba, no terceiro planalto, centro-sul do Paraná. Mesmo relativamente próximo à capital do Paraná, no primeiro planalto, o nativo só por força “atora” os Campos Gerais. E reclama com um copo de cerveja na mão: “Estrada reta e mulher sem curva só dão sono!”.
Sem demérito aos amigos de Ponta Grossa, é preciso reconhecer que Guarapuava é grande pela própria natureza: o município já foi um dos maiores do Brasil em extensão territorial, ocupando mais da metade de todo o estado do Paraná. Também é uma enormidade com as culturas da soja, milho e batata, entre outras. No entanto, se alguém perguntar qual é a cultura preferida daquela braba gente, a resposta vem na ponta da língua: a Rádio Cultura.
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Terra hospitaleira, Guarapuava é famosa pela acolhida aos forasteiros. Contava o ator José Maria Santos, nascido em Guarapuava, que um deputado de Curitiba chegou à cidade para pedir votos e foi direto à barbearia fazer a barba. O barbeiro pegou a caneca, cuspiu dentro e começou a mexer com o pincel, como se aquilo fosse um creme para barbear. O candidato, todo encabulado, perguntou assustado:
- É assim que você faz a barba de seus clientes aqui?
- Com político que vem de fora é, mas se for daqui mesmo eu cuspo direto na cara!
É simples reconhecer um macho em Guarapuava. Certa feita um gaúcho veio conhecer de perto o fenômeno paranaense, queria saber se era verdade que Guarapuava era terra de Homem com H maiúsculo! O gaudério então foi comprar um passarinho e perguntou, nas proximidades da Lagoa das Lágrimas:
- Como é que eu descubro qual é o passarinho macho e qual é a passarinha fêmea, tchê?
- É muito fácil! Vai ali no quintal, cava um buraco e cata umas minhocas!
- Entendi! E daí, tchê?
- Daí o compadre leva a minhoca para o passarinho comer. O passarinho macho só come minhoca fêmea! A passarinha fêmea só come minhoco macho!
O gaúcho voltou para Bagé mais apressado que cavalo de carteiro, encafifado, mas absolutamente convencido de que Guarapuava não é Pelotas.
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Machos das antigas (não comem o mel, comem as abelhas), os de Guarapuava ainda preservam costumes daqueles tempos do Visconde. No entanto, os modernos “lobos brabos”, usufruem de lavouras informatizadas, carros importados, viagens e negócios internacionais, muito dinheiro no banco, desfrutam de boa cama e, principalmente, fazem questão de uma boa mesa, conforme se ouviu na Rua XV de Novembro, o ponto de encontro que atravessa a cidade.
- Vou dar mais liberdade à minha mulher!
- Como assim?
- Vou ampliar a cozinha!
Dante Mendonça [18/05/2008]
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
21:50 — Arquivado em: 

Comentário por Marcelo Belóquido Macaúbico dos Crepúsculos — 25.5.08 @ 15:28
Mas a crônica é do Sérgio ou é do Dante? Seja de quem for, o cara não é fraco, não. Gostei bastante.