Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

30.5.08

Algumas nothas

Aureliano Passos Monteiro, emérito guarda-livros da Companhia Crepuscular, encontra-se acamado convalescendo de uma pavorosa blenorragia. Desde sempre um homem sério, Aureliano tem freqüentado ambientes nada recomendáveis ultimamente. A chaga, dizem, foi um sinal divino para levá-lo de volta ao caminho dos retos. Embora a esposa queira matá-lo, aqui da Redação emanam votos de pronto restabelecimento.
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Gildásio Rosa das Neves, maquinista da TransBeloca, não resistiu aos encantos da voluptuosa costureira Selma Tesourada e, entorpecido de desejo, abandonou a noiva Izildinha. Em pranto pela galheira vil às portas do matrimônio, Izildinha seguiu o conselho da tia Maria Pia e se enclausurou no Convento das Macaúbicas Descalças. Gervásio, fotógrafo do periódico, decreta que o irmão Gildásio fez o certo: “Ele barganhou uma vida de caldos ralos e insípidos por outra de homéricas e calóricas rabadas”.
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Notório mal-ajambrado e vezeiro em ultrajar o verbo, o edil Osmar Motta tem circulado com desembaraço e elegância por alguns salões requintados da cidade. Almas ingênuas creditam o garbo repentino ao curso de etiqueta de Madame Daniele Gertrudoir. A turba da língua mais ácida apregoa que a gaita grossa da corrupção proporciona tão somente uma recauchutagem grotesca. O político Motta, rezam estes, não passa de uma indecorosa casinha de sapé ornada com brilhoso vitraux europeu.
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Jairo Vallim, inspetor fiscal, com muitos vivas da família deu cabo ao duradouro compromisso pré-nupcial e levou a bela Maria de Lourdes Tereziano ao altar. Após solene cerimônia na igreja do Rosário, o novo casal brindou com os convidados em inesquecível rega-bofe no salão da paróquia. Cobiçosos pela primeira noite, os pombinhos nem esperaram o fim da festa e partiram em viagem para a fria e romântica Poços de Caldas. Funcionários do Palace Hotel dão conta que as ruidosas brincadeiras carnais só findaram junto aos primeiros raios de sol.
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Poeta chinfrim, cronista aborrecível, mais afeito ao trabalho burocrático e menos às lides intelectuais, o bancário Augusto Laureado foi eleito para a Academia de Letras. A suspeita eleição está sob rigorosa investigação. Alheio ao prognóstico de bandalheira, o abjeto escriba ostenta acintosamente o medalhão pelas esquinas da província.
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Clodomiro Januário, promotor recém-chegado na comarca, tem provocado arrepios nas donzelas casadoiras. Solteiro, galante e alinhado, o jovem operador do Direito é recíproco aos libidinosos olhares femininos. “Tudo fachada!”, brada o escrevente da 2ª Vara de Pindamonhangaba. E conclui: “Ele é bom de pose, mas não é chegado na fruta”.
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Mirante da Mantiqueira, o tradicional restaurante dos almoços dominicais precisa trazer à luz o triste ocorrido da última semana. Aos fatos. O patriarca dos Souza Andrade levou o seu numeroso clã ao estabelecimento para comemorar a Primeira Eucaristia do caçula Paulinho. O tão esperado mousse de chocolate foi uma tenebrosa sobremesa para os Souza Andrade. Minutos após a doce ingestão veio a amarga e desesperada procura por latrinas. Alô, alô, patrulheiros sanitários, vamos apurar as causas do desarranjo e punir os culpados. A flora intestinal dos Souza Andrade agradece.
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Ainda o rescaldo da diarréia. Entre desidratado e traumatizado, o caçula Paulinho jurou para desânimo da mãe carola: “Não comungo nunca mais!”
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Mestre Duña, coach dos Macaubulls, não vai comandar o time na Taça dos Bugres do Jaguari. Em evidente processo de fritura, o genial estrategista não conseguiu se fazer entender pelos pupilos e vai voltar para a cátedra. Sonhador, ele promete voltar e profetiza: “A Macaúba Mecânica ainda vai assombrar o mundo!”
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Doutor Joseph Prost Son, o sábio de branco, traduz para os leigos a patologia de Aureliano Passos Monteiro: blenorragia é doença sexualmente transmissível, provocada por bactéria da espécie neisseria gonorrhea. No homem, geralmente caracterizada por uretrite, na mulher, por corrimento mucoso. Gonorréia, para simplificar.
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Augusto Laureado, o acadêmico embusteiro, explicita aos broncos o infortúnio dos Souza Andrade: caganeira.

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25.5.08

MINC & MANG

ELIO GASPARI, Folha, 25 de maio de 2008

"Uma proeza de Nosso Guia: trocou uma ministra do Meio Ambiente que dava circunspecção e dignidade à sua função pela dupla cosmocaipira Minc e Mang. Numa arte dos deuses da floresta, a severa Marina Silva, que se alfabetizou aos 16 anos, foi substituída pelos professores Carlos Minc (UFRJ) e Roberto Mangabeira (Harvard). Um veste-se como um saltimbanco, o outro fala como gringo de programa humorístico. Juntos, carnavalizam o debate."

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    13:10 — Arquivado em: Sem categoria

20.5.08

Guarapuava é assim!

Sérgio Mattos, colega de trabalho na gigante Caixa, hoje verte o suor na sua Guarapuava natal. Conheci o Sérgio quando ele, na busca por crescimento profissional, veio trabalhar em Mogi Guaçu. Convivemos profissionalmente durante alguns anos, conheci sua família e posso dizer que nos tornamos amigos. Separados pela distância, vez ou outra trocamos e-mails em que sobram farpas futebolísticas (o seu defeito é ser palmeirense doente). Desta vez, Sérgio, que não esconde o seu amor pelo rincão do berço, enviou bela e engraçada crônica bairrista, cuja íntegra reproduzo abaixo.

Guarapuava é assim!


O Paraná é repleto de tradições. Uma delas diz que as moças de Campo Largo preferem casar com os vizinhos de Ponta Grossa. É mais uma lenda da Gralha Azul. Terra de guapo macho é Guarapuava. O nome de origem tupi já diz tudo: lobo (guara) brabo (puava).
Guarapuavano não tem medo do frio. O frio é que gela de medo do guarapuavano. Com uma altitude que varia entre 1.000 e 1.200 metros, é normal a temperatura de Guarapuava cair abaixo do ponto de congelamento. O que garante uma bela cidade com quatro estações bem definidas: a estação de rádio, a estação rodoviária, a estação meteorológica e o inverno.
Os primeiros tropeiros oriundos de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, que usavam o paradeiro como rota, perderam a conta das nevascas em Guarapuava, o refrigerador do mundo. Consta que nevou em 4 de julho de 1953; 30 de julho de 1955; 20 de julho de 1957; 19, 20 e 21 de agosto de 1965; 8 de julho de 1972; 17 de julho de 1975; 25 de agosto de 1984; 9 de julho de 1994 e em 12 de julho de 2000, quando pararam de contar para não atrair turistas. Fundada em 1810, Guarapuava faz fronteira com o Pólo Sul e o Pólo Norte. Terra de gente resistente às intempéries, com 4 graus negativos aumenta na zona urbana a venda de biquínis e sungas. Dizem os geógrafos de Tibagi que sem Guarapuava o Brasil não seria descoberto: quem iria produzir os ventos para impulsionar as caravelas?
Numa linha reta, Guarapuava fica a 220 quilômetros de Curitiba, no terceiro planalto, centro-sul do Paraná. Mesmo relativamente próximo à capital do Paraná, no primeiro planalto, o nativo só por força “atora” os Campos Gerais. E reclama com um copo de cerveja na mão: “Estrada reta e mulher sem curva só dão sono!”.
Sem demérito aos amigos de Ponta Grossa, é preciso reconhecer que Guarapuava é grande pela própria natureza: o município já foi um dos maiores do Brasil em extensão territorial, ocupando mais da metade de todo o estado do Paraná. Também é uma enormidade com as culturas da soja, milho e batata, entre outras. No entanto, se alguém perguntar qual é a cultura preferida daquela braba gente, a resposta vem na ponta da língua: a Rádio Cultura.

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Terra hospitaleira, Guarapuava é famosa pela acolhida aos forasteiros. Contava o ator José Maria Santos, nascido em Guarapuava, que um deputado de Curitiba chegou à cidade para pedir votos e foi direto à barbearia fazer a barba. O barbeiro pegou a caneca, cuspiu dentro e começou a mexer com o pincel, como se aquilo fosse um creme para barbear. O candidato, todo encabulado, perguntou assustado:
- É assim que você faz a barba de seus clientes aqui?
- Com político que vem de fora é, mas se for daqui mesmo eu cuspo direto na cara!
É simples reconhecer um macho em Guarapuava. Certa feita um gaúcho veio conhecer de perto o fenômeno paranaense, queria saber se era verdade que Guarapuava era terra de Homem com H maiúsculo! O gaudério então foi comprar um passarinho e perguntou, nas proximidades da Lagoa das Lágrimas:
- Como é que eu descubro qual é o passarinho macho e qual é a passarinha fêmea, tchê?
- É muito fácil! Vai ali no quintal, cava um buraco e cata umas minhocas!
- Entendi! E daí, tchê?
- Daí o compadre leva a minhoca para o passarinho comer. O passarinho macho só come minhoca fêmea! A passarinha fêmea só come minhoco macho!
O gaúcho voltou para Bagé mais apressado que cavalo de carteiro, encafifado, mas absolutamente convencido de que Guarapuava não é Pelotas.

***

Machos das antigas (não comem o mel, comem as abelhas), os de Guarapuava ainda preservam costumes daqueles tempos do Visconde. No entanto, os modernos “lobos brabos”, usufruem de lavouras informatizadas, carros importados, viagens e negócios internacionais, muito dinheiro no banco, desfrutam de boa cama e, principalmente, fazem questão de uma boa mesa, conforme se ouviu na Rua XV de Novembro, o ponto de encontro que atravessa a cidade.
- Vou dar mais liberdade à minha mulher!
- Como assim?
- Vou ampliar a cozinha!

Dante Mendonça [18/05/2008]

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    21:50 — Arquivado em: Sem categoria

19.5.08

Voltei!

Tarifa promocional, a agradável companhia de Jorge e Magali e lá estamos novamente na charmosa Monte Verde. E, voltando, não pude resistir à famosa iguaria do Chicão. Vai o replay do post do ano passado.

A ‘berinja’ do Chicão
A eclética oferta culinária monteverdiana [ou seria monteverdense?] faz a festa dos glutões: truta, fondue, sopas, massas, bacalhau, comida caipira e, surpresa!, a berinjela do Chicão.
Fálicos trocadilhos pululam na mente do maldoso leitorado, eu sei. Mas a berinjela, no caso, é no sentido mais, digamos, caçarola da palavra. A berinjela ao forno chega à mesa fumegando e vem coberta com molho de tomate, queijo Catupiry, lascas de bacalhau e mussarela bem gratinada. Fui à Adega do Chicão pra manjar um prato mais montanhês-clichê. Uma truta, talvez. O ibope berinjélico nas mesas vizinhas e o paladar volúvel, no entanto, empurraram-me a escolher esta iguaria dos fogões do Chicão. E, sem medo de ilações infames, a ‘berinja’ do Chicão é de outra galáxia.

Tutu à mineira do Restaurante Capricho: um escândalo de sabor

 

Turma bacaninha

 

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    20:43 — Arquivado em: Sem categoria

16.5.08

Operárias da distração horizontal

História de uma época em que o pão era arduamente ganho com medições e projetos. Um tempo de trabalho com o saudoso amigo Bernardino. Fase de grana curta, mas de inesquecíveis tardes botequeiras e boas e engraçadas lembranças.
Gozador incorrigível, Dino emposta a voz pra dizer que a míngua no bolso vai ter alívio momentâneo. Dona Maria Emília Pinheiro da Costa está com o imóvel irregular e precisa regularizar a situação na Prefeitura. O nome pomposo da contratante me fez ver uns cifrõezinhos extras. Trena e prancheta na mão, lá fomos nós atrás de diminuir o rombo no cheque especial.
—Dino, onde a dona Maria Emília mora?
—Não enche o saco, chegando lá você vê.
Cheguei e vi. Um bar. Não. Menos que um bar. Um boteco rampeiro, escuro, ornado com mobília puída, onde Amado Batista e congêneres reinavam nos alto-falantes de um ordinário rádio-gravador.
Sobre o chão encardido, engradados de cerveja dividiam o exíguo espaço com moças que exerciam o nobre ofício de aquietar instintos masculinos prementes. O cheiro das coxinhas na estufa se misturava com o perfume doce das quengas. O instinto masculino precisaria ser muito, mas muito premente para encarar qualquer uma delas. Mínis, coloridas e agarradas, saias e blusas revelavam “boterinhas” desleixadas. Cabelos ensebados e batons mal aplicados realçavam ainda mais o desmazelo daquelas operárias da distração horizontal.
Mistério revelado. Dino cochicha que dona Maria Emília Pinheiro da Costa atende por um codinome que virou lenda no underground macaúbico: Monalisa. O projetista apalermado estava ganhando —verticalmente, diga-se— uns caraminguás no famigerado Bar da Monalisa.
Medidas tiradas (a casa irregular ficava nos fundos do covil), desenhos executados e processo montado, convidei a Monalisa para assinar o papelório na minha casa. Depois que a Belina barulhenta arrancou de volta, minha mulher interrogou:
—Quem é a figura?
Caprichei na pronúncia e devolvi:
—Dona Maria Emília Pinheiro da Costa. Ela é promoter.
—Promoter de quê?
—De uma casa de encontros recreativos que tem a finalidade de sossegar desejos masculinos aflitivos.
—Sei, sei… belo eufemismo para a velha zona!

Em tempo: Nome e apelido da personagem principal são fictícios. Dispenso a ira de quem quer esquecer o passado, respeito eventuais descendentes que possam se sentir ofendidos e não quero gastar meus parcos recursos com brigas em tribunais.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    14:22 — Arquivado em: Sem categoria

11.5.08

Neno again

Amigo de longa data, Japão casou-se no último sábado com a companheira de Rotary, Cris Taliba. Após bela cerimônia na igreja do Perpétuo, os noivos receberam os convivas em requintado banquete —by Spaço Buffet— no finado Centro Recreativo, hoje nominado Espaço Action.

Entre bebericos, petiscos e generosas garfadas, encontro na suntuosa festa o pândego intolerante: Neno Quessa.

Fazendo jus à fama, ouvi duas das dele:

—E aí Neno, veio mesmo pro casamento?
—Não, vim pro rodeio!

Sacolejando o esqueleto embalado por hits dos anos 70, Neno ouviu e devolveu:

—Dançando, Neno?
—Não, tô capinando o quintal!

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    21:40 — Arquivado em: Sem categoria

4.5.08

Silêncio!

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    18:22 — Arquivado em: Sem categoria

1.5.08

Na aldeia alterosa

O mercúrio baixa uns pontinhos e a gentarada crepuscular corre atrás de indumentárias mais densas pra esperar o inverno vindouro. Uns, mais abonados, se abastecem em shoppings campineiros e no eixo esbanjador Jardins-Iguatemi-Daslu. Outros, insignificantes para o PIB macaúbico, se contentam com as malhas das bordas sul-mineiras. O circuito Jacutinga-Monte Sião faz a alegria destes sacoleiros caipiras menos afortunados.
Desnecessário dizer que este cronista e seu clã abrem modestamente as carteiras com a turba dos minguados.
Como peças “made in Jacutinga” de julhos passados ainda habitam meu guarda-roupa, decido que é hora de mudança. E a variante possível para bolsos mendicantes é comprar na outra aldeia alterosa dos trajes de frio: Monte Sião.
Querer rodar por menos chão leva o muquirana pelos atalhos poeirentos e esburacados da velha rota de estradas terrosas. Enquanto o Aécio papa modelos e socialites nos salões bem freqüentados de BH, seus periféricos domínios são interligados por trilhas hediondas.
Não fossem as roupas de tricot, produzidas e vendidas em todos os cantos, a pequena localidade não teria nenhum atrativo blockbuster.
Ávido pelos tostões bandeirantes, a tradicional família mineira fez algumas concessões aos novos tempos e praticamente todas as lojinhas aceitam os plásticos Visa e Master. O atendimento é simpático, mas bem pouco flexível. Com um sorriso sincero, as vendedoras despejam negativas e mais negativas sobre quem tenta pechinchar ou negociar um parcelamento mais dilatado.
Testemunhei lá uma cena tão cômica quanto inacreditável. Olhando minha cunhada experimentar uma blusa e se atrapalhar com um simples zíper enroscado, meu irmão soltou em tom sabichão: “Gostou? Pode comprar que lá em casa eu lhe ensino a usar!”. Atônita, a atendente deve ter pensado que ele é redator de manual de instruções para os prosaicos dispositivos de fechamento que a crônica de antanho chamava de “feche éclair”.
Em tempo: se não quiser ver cara de interrogação nos comerciantes nativos, jamais peça um pulôver. Eles não têm a mínima idéia do que seja a palavra cantada desde priscas eras —e que eu aprendi com a vó Fiuca— para designar um suéter sem mangas. Peça um colete e você será soterrado por zilhões de cores e modelos.

Corujices
Aviso: o cronista pede aos incomodados com crises de corujice explícita que parem a leitura por aqui. Se quiserem continuar, assumam a conta e o risco, pois o escriba não se responsabiliza por dissabores decorrentes de carências mal curadas.
Para os que não desembarcaram no parágrafo acima, segue a procissão: da Escandinávia, meu rebento escreveu a seguinte notinha:

“Chegou a minha vez de entrar para os anais da história do esqui norueguês. Uma competição organizada por um grupo de senhores, a maioria aposentados, desde 1948, foi a minha chance de deixar o amadorismo e entrar de vez no seleto clube dos profissionais. Tudo bem que não foi uma competição muito séria, apenas 2 km, em que todos podiam participar sem restrições de idade ou sexo. Mas, mesmo assim, eu completei a prova e recebi um diploma para comprovar a façanha. E, ainda, para finalizar dei uma entrevista no pódio. Todos queriam saber sobre ‘o brasileiro que veio participar da sexagésima e última Gullhaugrennet’! Última porque o clube dos aposentados não tem mais dinheiro e disposição para organizar as corridas, e, sem membros jovens na associação, fica difícil dar continuidade ao projeto. O prêmio por mim escolhido entre inúmeras bugigangas doadas pelos competidores foi uma miniatura de trem que era quase (eu disse quase) a coisa mais parecida com um prêmio entre as opções.”

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    22:53 — Arquivado em: Sem categoria

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