20.4.08
Lanterninhas vagabundas

Descarado reaproveitamento bloguético:
Vez ou outra, na mais medonha das trevas, a humanidade carece de lampejos de sabedoria. Nestas entressafras de luz, alguns pseudo-sábios tentam filosofar sobre os mais diversos assuntos. As tentativas iluministas são pífias, feitas com lanterninhas vagabundas.
Um destes arremedos de cultura é um bugre branquelo e aparvalhado, que “croniqueia” e “blogueia” às margens do Jaguari.
Eis alguns fragmentos do pensamento do escriba mentecapto:
Sobre a maior atuação de um centroavante desde o desembarque de Charles Muller nestes trópicos:
Cai o Planalto como centro do poder, cai o regime presidencialista, cai o presidente e cai o verde e amarelo da bandeira. Entra o Morumbi, a monarquia, o reino do Imperador Adriano e a gloriosa bandeira tricolor. (Também nunca se viu tantos porcos revoltados com o novo reino. Tanto motim por que o Imperador é chegado num torresmo?).
Sobre um disco napolitano tradicional degustado em point dos mais improváveis:
A avenida é o quê há de mainstream nesta Sanja. Já o bar é totalmente underground. Seguindo a dica do meu amigo Ricardo Caminhão fui conhecer o Bedrock na Durval Nicolau (bem no comecinho, defronte o pátio da Prefeitura).
O lugar é rústico, as paredes são de bambu, tem só meia dúzia de mesas e um cardápio enxuto em que o destaque são as pizzas. O reggae é o som ambiente que toca sem parar num prosaico cd player.
As redondas corretamente assadas em forno a lenha são servidas sobre uma pedra aquecida. Não há pratos e a pizza vem cortada “papo de anjo”.
Comi uma “4 queijos” que merece respeito das mamas do Bixiga.
A pizza, uma cerveja e um refrigerante me custaram R$ 21,00.
Bom e barato!!!!
Sobre a penosa empanada da Freguesia do Ó:
Depois da decepção pós-carnavalesca veio a redenção pré-pascoalina. Dia destes, às portas da Páscoa, numa rápida e urgente passada em Sampa, finalmente comi no Frangó a coxinha tida há muito pelo Washington Olivetto, e agora também por mim, como a melhor do Brasil (Do mundo, quiçá. Não consta que exista coxinha tal como a concebemos em outros países). Na lépida expedição ao boteco, pude me embasbacar com a carta de cervejas. São mais de 250 rótulos de todos os rincões do planeta. Tem para todos os gostos e para todos os bolsos. Pra quem pode, tem uma degustação de quatro litros de “loiras” por 800 pilas.
O Largo Nossa Senhora do Ó, onde fica o bar, é praça com cenário típico do interior. Igreja matriz, comadres fofocando, moleques brincando, a vida correndo num outro ritmo…
Mas, voltando ao cardápio, o cronista, por ser mais “gramático” do que “aquático”, prefere reverenciar as coxinhas do Frangó. O acepipe, que leva também catupiry, é de uma leveza e sabor absoluamente espantosos.
Sobre relevos de sabor:
Depois de uns bons dias de molho, no cinzento período pós-operatório, arrisco uma saída pra comer. E eu quero comer sustança.
Seguindo a dica de muitos, baixo na Durval Nicolau, bem em frente ao posto Nova São João, num lugar onde, em priscas eras, já funcionou uma costelaria.
Hoje quem reina no pedaço, depois de doze anos chapeando num trailer no Pratinha, é o Maurinho Montanha. O moço montou uma lanchonete simples, mas bem bacaninha. Lugar ajeitado, limpo, bem iluminado. No cardápio tem também porções e chope, mas a vocação inequívoca do Montanha é para os lanches.
Comi um X-Tudo daqueles pra limpar qualquer resíduo de comida de hospital. Grande no tamanho e no sabor. Josi pediu um bauru no prato. Um bauru bem estranho, mas generoso. Cobrindo o suculento filé suíno tem tomate e queijo. Até aí, bauru, mas escoltando o trio fundamental vem uma fatia de bacon bem crocante, alface, uma espécie de omelete enrolado com presunto e queijo e pão fatiado quentinho.
Dada a abundância dos lanches, imaginei que o sufixo opulento “Montanha” decorresse daí. Nada disso, o apelido é um legado paterno.
Quando peguei o cardápio, pensei em pedir um beirute (todos os beirutes do cardápio servem duas pessoas), mas olhando o “paraguaio” pão sírio massudo, desisti. Reclamei com o Montanha que, solícito, prometeu comprar o legítimo disco sírio (aquele da massa folha) quando avisado com antecedência da nobre presença deste glutão na sua lanchonete.
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
11:10 — Arquivado em: 

Comentário por Marcelo Pirajá — 20.4.08 @ 16:42
Lauro, incorrigÃvel glutão, faltou um “sobre” sobre a recente pendenga baurúnica, travada missivamente com o chapeiro light. Quanto ao descarado reaproveitamento, é válido e igualmente saboroso. Os melhores acepipes ficam melhores ainda de um dia pro outro! E aquela pedreira toda, já expeliu?
Grande abraço, ótimo feriado
Comentário por Neusa Menezes — 20.4.08 @ 16:55
Pode continuar “cronicando” e “bloguiando”. Gosto muito de tudo o que vc escreve.
É uma delÃcia!
Neusa Menezes
Comentário por Maria Celia Marcondes — 21.4.08 @ 18:46
Lauro, só entendi que a Neusa adora o que você escreve e eu assino embaixo. Leio tudo!!
Abraço
MCélia