Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

24.4.08

Ålesund e outras histórias

Vista da cidade norueguesa de Ålesund

Esta e outras fotos no blog do Laurinho.

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criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    21:48 — Arquivado em: Sem categoria

20.4.08

O frango ajudou o porco

Morumbi: vestiários com ar respirável, gramado compatível com futebol profissional e refletores impecáveis

E o mundo animal conspirou contra o Tricolor: o frango ajudou o porco.

Para o bem do espetáculo e do fair play, só se espera que o cotejo final tenha como palco uma arena decente, onde gases tóxicos não entorpeçam os oponentes nos camarins, onde os tapetes não sejam vergonhosamente esburacados e onde haja iluminação íntegra sem gambiarra típica de chiqueiros infectos e por isso inóspitos.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    18:40 — Arquivado em: Sem categoria

Lanterninhas vagabundas

Descarado reaproveitamento bloguético:

Vez ou outra, na mais medonha das trevas, a humanidade carece de lampejos de sabedoria. Nestas entressafras de luz, alguns pseudo-sábios tentam filosofar sobre os mais diversos assuntos. As tentativas iluministas são pífias, feitas com lanterninhas vagabundas.
Um destes arremedos de cultura é um bugre branquelo e aparvalhado, que “croniqueia” e “blogueia” às margens do Jaguari.
Eis alguns fragmentos do pensamento do escriba mentecapto:

Sobre a maior atuação de um centroavante desde o desembarque de Charles Muller nestes trópicos:

Cai o Planalto como centro do poder, cai o regime presidencialista, cai o presidente e cai o verde e amarelo da bandeira. Entra o Morumbi, a monarquia, o reino do Imperador Adriano e a gloriosa bandeira tricolor. (Também nunca se viu tantos porcos revoltados com o novo reino. Tanto motim por que o Imperador é chegado num torresmo?).

Sobre um disco napolitano tradicional degustado em point dos mais improváveis:

A avenida é o quê há de mainstream nesta Sanja. Já o bar é totalmente underground. Seguindo a dica do meu amigo Ricardo Caminhão fui conhecer o Bedrock na Durval Nicolau (bem no comecinho, defronte o pátio da Prefeitura).
O lugar é rústico, as paredes são de bambu, tem só meia dúzia de mesas e um cardápio enxuto em que o destaque são as pizzas. O reggae é o som ambiente que toca sem parar num prosaico cd player.
As redondas corretamente assadas em forno a lenha são servidas sobre uma pedra aquecida. Não há pratos e a pizza vem cortada “papo de anjo”.
Comi uma “4 queijos” que merece respeito das mamas do Bixiga.
A pizza, uma cerveja e um refrigerante me custaram R$ 21,00.
Bom e barato!!!!

Sobre a penosa empanada da Freguesia do Ó:

Depois da decepção pós-carnavalesca veio a redenção pré-pascoalina. Dia destes, às portas da Páscoa, numa rápida e urgente passada em Sampa, finalmente comi no Frangó a coxinha tida há muito pelo Washington Olivetto, e agora também por mim, como a melhor do Brasil (Do mundo, quiçá. Não consta que exista coxinha tal como a concebemos em outros países). Na lépida expedição ao boteco, pude me embasbacar com a carta de cervejas. São mais de 250 rótulos de todos os rincões do planeta. Tem para todos os gostos e para todos os bolsos. Pra quem pode, tem uma degustação de quatro litros de “loiras” por 800 pilas.
O Largo Nossa Senhora do Ó, onde fica o bar, é praça com cenário típico do interior. Igreja matriz, comadres fofocando, moleques brincando, a vida correndo num outro ritmo…
Mas, voltando ao cardápio, o cronista, por ser mais “gramático” do que “aquático”, prefere reverenciar as coxinhas do Frangó. O acepipe, que leva também catupiry, é de uma leveza e sabor absoluamente espantosos.

Sobre relevos de sabor:

Depois de uns bons dias de molho, no cinzento período pós-operatório, arrisco uma saída pra comer. E eu quero comer sustança.
Seguindo a dica de muitos, baixo na Durval Nicolau, bem em frente ao posto Nova São João, num lugar onde, em priscas eras, já funcionou uma costelaria.
Hoje quem reina no pedaço, depois de doze anos chapeando num trailer no Pratinha, é o Maurinho Montanha. O moço montou uma lanchonete simples, mas bem bacaninha. Lugar ajeitado, limpo, bem iluminado. No cardápio tem também porções e chope, mas a vocação inequívoca do Montanha é para os lanches.
Comi um X-Tudo daqueles pra limpar qualquer resíduo de comida de hospital. Grande no tamanho e no sabor. Josi pediu um bauru no prato. Um bauru bem estranho, mas generoso. Cobrindo o suculento filé suíno tem tomate e queijo. Até aí, bauru, mas escoltando o trio fundamental vem uma fatia de bacon bem crocante, alface, uma espécie de omelete enrolado com presunto e queijo e pão fatiado quentinho.
Dada a abundância dos lanches, imaginei que o sufixo opulento “Montanha” decorresse daí. Nada disso, o apelido é um legado paterno.
Quando peguei o cardápio, pensei em pedir um beirute (todos os beirutes do cardápio servem duas pessoas), mas olhando o “paraguaio” pão sírio massudo, desisti. Reclamei com o Montanha que, solícito, prometeu comprar o legítimo disco sírio (aquele da massa folha) quando avisado com antecedência da nobre presença deste glutão na sua lanchonete.

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    11:10 — Arquivado em: Sem categoria

13.4.08

Choradeira no chiqueiro

Cai o Planalto como centro do poder, cai o regime presidencialista, cai o presidente e cai o verde e amarelo da bandeira.
Entra o Morumbi, a monarquia, o reino do Imperador Adriano e a gloriosa bandeira tricolor.


criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    18:12 — Arquivado em: Sem categoria

Zuza Homem de Mello

“No Brasil, poucas pessoas têm a vivência, o conhecimento, a técnica e a sensibilidade musical de Zuza Homem de Mello.” (site “Página da Música”)

E por ocasião dos 50 anos da Bossa Nova, a Academia de Letras de São João da Boa Vista convida para a palestra do musicólogo Zuza Homem de Mello.

Quando? Dia 26 de abril de 2008, sábado, 19h.

Onde? Auditório da UniFAE

Quanto? Entrada franca

Frase atribuída a Zuza contada pelo meu amigo João Sibin:

“Um compasso do João Gilberto vale muito mais do que toda a obra do Zezé di Camargo”.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    11:56 — Arquivado em: Sem categoria

6.4.08

Mainstream e underground

A pedra aquecida é o pratão coletivo

A avenida é o quê há de mainstream nesta Sanja. Já o bar é totalmente underground.
Seguindo a dica do meu amigo Ricardo Caminhão fui conhecer o Bedrock na Durval Nicolau (bem no comecinho defronte o pátio da Prefeitura).
O lugar é rústico, as paredes são de bambu, tem só meia dúzia de mesas e um cardápio enxuto em que o destaque são as pizzas. O reggae é o som ambiente que toca sem parar num prosaico cd player.
As redondas corretamente assadas em forno a lenha são servidas sobre uma pedra aquecida. Não há pratos e a pizza vem cortada “papo de anjo”.
Comi uma “4 queijos” de-li-cio-sa!!!!!!!!
A pizza, uma cerveja e um refrigerante me custaram R$ 21,00.
Bom e barato!!!!

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    13:46 — Arquivado em: Sem categoria

2.4.08

Neno Quessa

Na cearense Juazeiro do Norte vive Seu Lunga, um comerciante que já apareceu até na Globo por conta da sua “doçura”. O homem, reza a lenda, não pestaneja em distribuir coices aos incautos inquiridores ingênuos.
Cá nas paragens crepusculares temos Neno Quessa, a versão macaúbica daquele nordestino mal-humorado que não tolera perguntas idiotas.
Histórias foram ouvidas nos cafés e nas esquinas desta Sanja, internéticas gags foram achadas no Google. Muito folclore em torno da figura. As situações que já estão na boca do povo recebem novos temperos do cronista.
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Depois de um fim de semana permeado por abusos etílicos, Neno, esborrachado no sofá, resolve aliviar o fígado e manda a empregada lhe servir um copo de leite.
A coitada arrisca:
—No copo, seu Neno?
—Não, sua besta. Despeja no chão e traz empurrando com o rodo.

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Na quitanda da Yoko, Neno compra uma dúzia de ovos. A japa, querendo ser simpática, pergunta:
—Vai ter omelete hoje, Neno?
—Nada. Isso é traque de salão.
Sorriso calhorda nos lábios, Neno sai da quitanda jogando um a um os ovos pela calçada.

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Neno bota o totó da esposa na coleira e leva o bichinho pra fazer suas necessidades na Praça da Bandeira.
O Paulinho Cassiano passa, pára e tenta tirar um sarro:
—Cachorrinho de madame, Neno?
—Não, é meu passarinho.
E levanta o pobre poodle pela coleira e começa a rodá-lo no ar.

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Antes de se entregar à cervejada, Neno baixa no bar do Tchelinho pra forrar o estômago com um caldo de mocotó. Tião Zanetti, desavisado, tenta puxar papo:
—Tomando uma sopinha, Neno?
Neno esvazia o prato sobre si, começa a se esfregar e devolve:
—Não, tô tomando banho.

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Ele passa na padaria da Dona Elza e chega a casa carregando um latão com quinze litros de leite. A esposa, assustada com a quantidade, exclama:
—Neno!!! Todo esse leite pra gente beber?!
—Não. É pra lavar a calçada. Traz logo a vassoura, mulher.
Não é preciso dizer que ele derramou todo o leite no chão.

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Assustado com os roedores na sua loja, Neno corre pro empório do Camarguinho. Esbaforido, pede rápido:
—Camargo, tem veneno pra rato?
—Tem, Neno. Vai levar?
Quicou na frente, ele manda pra longe:
—Não. Vou trazer os ratos pra comer aqui.

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Neno precisa faturar uns trocos e vende umas fotos antigas para o Leivinha. Cheque na mão, ele entra no Bradesco. A moça do caixa pede e leva de bate-pronto:
—Vai levar em dinheiro, seu Neno?
—Não. Pode ser tudo em clipes e elásticos, mesmo.

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Neno vai ao prédio do Changai visitar um amigo. No térreo, um inocente o alcança no elevador e educadamente pergunta:
—Sobe?
—Não. Se você não sabe, esse elevador anda de lado.

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Puto da vida depois de brigar com os filhos, Neno vai relaxar no pesqueiro do Rubens. Vara na mão e isca no anzol, ele contempla o lago. O Jair Morgabel, vozeirão grave, chega espantando o cardume e lhe dando nos nervos:
—Tá pescando, Neno?
—Não, seu xarope, só estou ensinando a minhoca a nadar.
Inconveniente, Jair não se emenda e insiste:
—Mas aqui dá peixe?
—Não. Aqui dá quati, tatu, tamanduá…, peixe costuma dar lá no mato.

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Precisando dar uns agrados à esposa, Neno a leva no Catarelli pra um chopinho de fim de tarde. Solícito, o garçom faz as honras da casa e interpela:
—Mesa pra dois?
—Não. Mesa pra quatro. Duas cadeiras são pra colocar os pés.

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Telhado velho faz com que as águas de março pinguem na cama do Neno. Furioso, ele sobe em cima da casa pra ajeitar as telhas.
O cunhado Jair Rosa vê a cena e cutuca:
—Acabando com as goteiras, Neno?
—Não. Tô fazendo goteiras novas.
Responde rápido e começa quebrar as telhas.

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Sábado de manhã, lépido e cheio de vigor, Neno flana pela Dona Gertrudes. O Carlinhos Molles cruza com ele e acena com um cumprimento informal:
—E aí, Neno, bão?
—Bão nada, não tá vendo que eu tô internado.

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Nota do cronista: Folclores e verdades de lado, a zanga do Neno Quessa é mais estética do que conceitual. Ele faz bem o tipo ranzinza intolerante, mas no fundo é só um grande galhofeiro.

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    16:06 — Arquivado em: Sem categoria

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