11.3.08
Frio e monossilábico

Décadas atrás, Tiano não consegue precisar a data, o frustrado encontro numa agência bancária local. David Nasser, o conhecido repórter que tinha negócios por estas paragens macaúbicas, estava também no mesmo lugar conversando com o gerente da instituição financeira. Um conhecido comum tentou a apresentação: “David, este é o tenente Christiano, um dos ‘33’ do Pacífico”. David, depois de uma saudação fria e monossilábica, deu de ombros e voltou a conversar com o gerente. Tiano se chateou com a indiferença do jornalista, e sentiu pessoalmente o quê muitos já sabiam: David Nasser era um sujeito agreste que só pensava em dinheiro. Enfim, um grosseirão!
Sobre ele, Mauro Dias escreveu no Estadão em 2001:
“David Nasser foi o repórter mais famoso de seu tempo - entre os anos 50 e os 70. Não deve ser aplicado a ele - embora eventualmente seja aplicado - o adjetivo ‘polêmico’. Não era polêmico. Era uma figura de poucos escrúpulos, que dava pouca importância para os fatos e muita importância para o efeito de suas reportagens.
Inventava, alterava, adequava a realidade à carga de efeito que seus escritos pudessem trazer. Era mais importante do que a notícia - opinião corroborada por seus companheiros de trabalho - tanto por aqueles que dele gostavam quanto pelos que o detestavam -, pelos amigos, pelos parceiros circunstanciais.”
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
17:25 — Arquivado em: 

Comentário por Marcelo Sguassábia — 13.3.08 @ 20:18
É, escriba, até onde eu sei o ilustre era mesmo vacilante em certos aspectos… meu pai conhece um episódio bancário, ocorrido aí em Sanja e envolvendo o dito cujo, que eu não ousaria comentar aqui.
Abraços.
Comentário por Fernando Maia (Fera) — 16.3.08 @ 13:46
Grande Laurão!
Tô passando por aqui só pra reforçar a minha opinião que é o óbvio: O blog é sensacional!
Muitíssimo bem escrito, com temas interessantes, super gostoso de ler.
Parabéns!!
Comentário por Sergio Meirelles — 23.3.08 @ 18:06
Lauro, ainda bem que teremos os Demônios da Garoa porque você foi lembrar de um energúmeno fascista. O gerente do seu texto pode bem ter sido o meu pai. O Davi deve exibir no inferno seu currículo onde pontifica o fato de ter sido o patrono, inspirador e financiador da Scuderie Le Coq, traduzindo - 0 esquadrão da morte dos anos 60/70. O Mauro pegou leve, talvez pela elegância do seu texto e do Estadão. Na sua Sanja tem muita história debaixo do tapete. Sérgio Meirelles
Comentário por Jasson de Oliveira Andrade — 5.5.08 @ 17:08
Lauro: Não sei se você leu o meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA. Na página 64, transcrevo A MINHA HISTÓRIA COM ACÁCIO, Luís Nassif,(página 40) carta que o jornalista lhe mandou. Antes, na pág, 38, consta o tópico LUÍS NASSIF, UM AMIGO DE SÃO JOÃO. Quanto ao David Nasser, se ainda não leu, recomento a leitura da biografia dele COBRAS CRIADAS - DAVID NASSER E O CRUZEIRO, de Luiz Maklouf Carvalho (editora SENAC). O autor revela, nas páginas 291/292, a briga de Nasser com Welson Barbosa! Finalizando, se leu o meu livro, gostaria de sua opinião. JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE