Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

29.3.08

Penosa!

Depois da decepção pós-carnavalesca (clique e saiba) veio a redenção pré-pascoalina. Dia destes, às portas da Páscoa, numa rápida e urgente passada em Sampa, finalmente comi no Frangó a coxinha, tida há muito pelo Washington Olivetto, e agora também por mim, como a melhor do Brasil (Do mundo, quiçá. Não consta que exista coxinha tal como a concebemos em outros países). Na lépida expedição ao boteco, pude me embasbacar com a carta de cervejas. São mais de 250 rótulos de todos os rincões do planeta. Tem para todos os gostos e para todos os bolsos. Pra quem pode, tem uma degustação de quatro litros de “loiras” por 800 pilas.
O Largo Nossa Senhora do Ó, onde fica o bar, é praça com cenário típico do interior. Igreja matriz, comadres fofocando, moleques brincando, a vida correndo num outro ritmo…
Mas, voltando ao cardápio, o blogueiro, por ser mais “gramático” do que “aquático”, prefere reverenciar as coxinhas do Frangó. O acepipe, que leva também catupiry, é de uma leveza e sabor absoluamente espantosos.

Com as penosinhas de perder a cabeça

Eu e Zé Pedro brindando com as cervas de grife

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    15:48 — Arquivado em: Sem categoria

28.3.08

Recordista crepuscular

Pelo sim, pelo não, já mandei reservar o meu na Cia. do Esporte. Não tenho praticado natação ultimamente (nos últimos 37 anos), mas pelo visto o material é tão bom que supre qualquer carência atlética.
Dou-me por satisfeito se quebrar o recorde macaúbico dos 400 metros medley.

Leiam abaixo o que saiu na Folha sobre o sungão.

Maiô papa-recorde crava mais 2
Também com o LZR Racer, "responsável" por 15 marcas mundiais em 2008, Lisbeth Trickett faz o melhor tempo já registrado nos 100 m livre
Eamon Sullivan garantiu o que já esperava. Mas a evolução de seu tempo ontem assombrou ainda mais a elite das piscinas. O australiano estraçalhou (de novo) o recorde dos 50 m livre, nas semifinais do campeonato nacional, com 21s41.
No mesmo dia, na mesma piscina de Sydney, Lisbeth Trickett, que deixou o sobrenome Lenton, fez 52s88 na prova mais badalada da natação e é a primeira mulher a nadar os 100 m livre abaixo dos 53s.
Os dois estavam com o LZR Racer e levaram a 16 o número de recordes mundiais superados neste ano. Apenas um deles não foi atingido com o traje. (Folha de S. Paulo, 28/3/2008)

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    23:56 — Arquivado em: Sem categoria

Enfermaria!

Alemão e caríssimo: eu prefiro este, mas…

Êta urucubaca sem fim!!!
Depois da hérnia umbilical, baixei de novo no estaleiro da Unimed. Desta vez, por cinco dias, para tentar exterminar cinco pedriscos intrusos no meu rim. Bombardearam as pedras com 5.044 choques, num procedimento chamado “lito-algumacoisa”. Mijei muito no “coadô", mas nada dos farelos pedregosos saírem.
Resultado: um cateter (alemão e caríssimo, segundo o competente dr. Proite) está implantado no aparelho urinário deste blogueiro para ajudar na hercúlea tarefa do despedregulhamento renal.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    23:00 — Arquivado em: Sem categoria

11.3.08

Frio e monossilábico

Décadas atrás, Tiano não consegue precisar a data, o frustrado encontro numa agência bancária local. David Nasser, o conhecido repórter que tinha negócios por estas paragens macaúbicas, estava também no mesmo lugar conversando com o gerente da instituição financeira. Um conhecido comum tentou a apresentação: “David, este é o tenente Christiano, um dos ‘33’ do Pacífico”. David, depois de uma saudação fria e monossilábica, deu de ombros e voltou a conversar com o gerente. Tiano se chateou com a indiferença do jornalista, e sentiu pessoalmente o quê muitos já sabiam: David Nasser era um sujeito agreste que só pensava em dinheiro. Enfim, um grosseirão!

Sobre ele, Mauro Dias escreveu no Estadão em 2001:

“David Nasser foi o repórter mais famoso de seu tempo - entre os anos 50 e os 70. Não deve ser aplicado a ele - embora eventualmente seja aplicado - o adjetivo ‘polêmico’. Não era polêmico. Era uma figura de poucos escrúpulos, que dava pouca importância para os fatos e muita importância para o efeito de suas reportagens.
Inventava, alterava, adequava a realidade à carga de efeito que seus escritos pudessem trazer. Era mais importante do que a notícia - opinião corroborada por seus companheiros de trabalho - tanto por aqueles que dele gostavam quanto pelos que o detestavam -, pelos amigos, pelos parceiros circunstanciais.”

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    17:25 — Arquivado em: Sem categoria

7.3.08

O crepuscular do Pacífico

O famoso P-40 Warhawk

Com um sobrenome desse ele poderia só flanar pelos elegantes salões da cidade. Mas ele queria mais. Queria mais altura que as montanhas da Mantiqueira.
No escritório da confortável residência, localizada no centro da cidade, junto com a simpática esposa Tereza Ribeiro de Oliveira —Dona Tê—, Christiano Osório de Oliveira Netto —o Tiano—, um crepuscular de família tradicionalíssima, me recebe para contar histórias de um decantado passado.
Ainda molecote, pelas mãos do instrutor do aeroclube local, Sebastião Carvalho —que fora motorista da sua tia Dona Beloca—, Tiano voou pela primeira vez nos ares da região. Os passeios aéreos com o espirituoso aviador fizeram com que o flerte com os céus virasse paixão.
No início dos anos 40 do século passado, engajado na Aeronáutica e servindo no paulistano Campo de Marte, ele começava a realizar o devaneio adolescente. Já no primeiro ano do preparatório de piloto, Tiano pode conduzir solando o pequenino Sterman, uma aeronave para calouros. O sanjoanense conta uma peculiaridade da sua admissão: “O médico da Base só aprovou o meu ingresso na carreira militar depois que operei de uma hérnia”.
Da Paulicéia desvairada para o pampa gaúcho. Com indisfarçável orgulho, ele me mostra a espada recebida às margens do Guaíba, que lhe conferiu o posto de aspirante a oficial e a formatura como piloto de caça da Força Aérea Brasileira. Da solenidade marcante em Porto Alegre, Tiano deixa escapar uma ponta de mágoa: “Fui o único formando que não teve ninguém da família presente. Nem minha namorada foi”.
Dona Tê, atenta ao papo, justifica: “Naquele tempo eu morava em Catanduva e nós namorávamos por correspondência. Era uma época em que moça nenhuma viajava sozinha”. Ela conclui, resignada: “Ninguém da família quis me levar”.
Nos exercícios de guerra no firmamento do Rio Grande do Sul, o jovem militar já “brincava” com o avião que foi um bombardeiro clássico na 2ª Guerra Mundial: o N.A. (cognome de North-American). Seguro no manche, ele manobrava dando rasantes no litoral: “Era pra fazer barulho e assustar submarinos”.
Em 1945, baseado na unidade de Santa Cruz no Rio de Janeiro, casou-se com a amada, numa cerimônia quase secreta em Aparecida. O comando aeronáutico não via com bons olhos o casamento de integrantes de esquadrilhas de caça. Dona Tê lembra que não eram só os superiores do quartel que não queriam as núpcias: “Os parentes não desejavam uma viúva na família, falavam para esperar o fim da guerra. Jovens e apaixonados, não ouvimos ninguém. Sabe o que é gostar, né?”
Sei, Dona Tê, e como sei!!
No período fluminense, ajudou a escrever um capítulo antológico da aviação militar brasileira. Tiano e mais trinta e dois pilotos do chamado 2° Grupo de Caça, bem preparados, corajosos e com o natural êxtase da juventude, ofereceram-se para uma missão no Pacífico, onde combateriam as forças japonesas. Salgado Filho, então ministro da Aeronáutica, ficou sensibilizado com o gesto de galhardia do grupo dos 33. E prometeu: “Se o presidente decidir enviar a FAB para combater no Pacífico, vocês serão os primeiros”.
O destemor do grupo, que voava nos intrépidos P-40 Warhawk, entrou para a memória do país depois de retratado na célebre revista “O Cruzeiro”, em reportagem assinada pelos consagrados jornalistas Jean Manzon e David Nasser. O Brasil conheceu a história na edição de 7 de julho de 1945, na matéria intitulada “Os ‘33’ do Pacífico”.
O fim do conflito mundial, meses depois, frustrou a ida dos “33” para o teatro de operações no Pacífico, mas Tiano não demonstra tristeza: “Ficamos felizes com o término da guerra”.
No ano seguinte, 1946, o tenente-aviador Christiano pediu baixa da caserna e foi para Pirassununga tocar a propriedade agrícola da família. Tempos depois, brincadeira do destino, o governo desapropriou uma área vizinha às suas terras para construir a hoje conhecida Base Aérea daquela cidade.
Entre fotografias, recortes de jornais e relatos orgulhosos das proezas dos netos e bisnetos, Tiano, 86 bem vividos, relembra uma recente visita à Base de Pirassununga. Depois de questionado pelo Brigadeiro de plantão se teria algum objeto para doar ao memorial da FAB, ele sapecou com espírito de galhofa: “Tem eu!”

Clique aqui e leia a reportagem de Jean Manzon e David Nasser

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    15:37 — Arquivado em: Sem categoria

2.3.08

Maurinho Montanha

Depois de uns bons dias de molho, no cinzento período pós-operatório, arrisco uma saída pra comer. E eu quero comer sustança.
Seguindo a dica de muitos, baixo na Durval Nicolau, bem em frente ao posto Nova São João, num lugar onde, em priscas eras, já funcionou uma costelaria.
Hoje quem reina no pedaço, depois de doze anos chapeando num trailer no Pratinha, é o Maurinho Montanha. O moço montou uma lanchonete simples, mas bem bacaninha. Lugar ajeitado, limpo, bem iluminado. No cardápio tem também porções e chope, mas a vocação inequívoca do Montanha é para os lanches.
Comi um X-Tudo daqueles pra limpar qualquer resíduo de comida de hospital. Grande no tamanho e no sabor. Josi pediu um bauru no prato. Um bauru bem estranho, mas generoso. Cobrindo o suculento filé suíno tem tomate e queijo. Até aí, bauru, mas escoltando o trio fundamental vem uma fatia de bacon bem crocante, alface, uma espécie de omelete enrolado com presunto e queijo e pão fatiado quentinho.
Dada a abundância dos lanches, imaginei que o sufixo opulento “Montanha” decorresse daí. Nada disso, o apelido é um legado paterno.

Montanha pilotando a chapa

Em tempo: Quando peguei o cardápio, pensei em pedir um beirute (todos os beirutes do cardápio servem duas pessoas), mas olhando o “paraguaio” pão sírio massudo, desisti. Reclamei com o Montanha que, solícito, prometeu comprar o legítimo disco sírio (aquele da massa folha) quando avisado com antecedência da nobre presença deste blogueiro na sua lanchonete.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    17:33 — Arquivado em: Sem categoria

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