Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

29.2.08

Se chorei ou se sorri…

XICO SÁ

“Essa é a graça, amigo, chega de moralizar essas pendengas.”

“(…)O camarada Paulo Cesar Campos Viejo, vulgarmente conhecido como Peréio, ali na beirada do mesmo pano verde da Liberdade, preparou o taco com raro giz italiano e mandou, de trivela, cenho reflexivo: ""No futebol prefiro uma boa choradeira a essa alegria tola e idiota". O pior, amigo, é que a vida ficou tão mesquinha que até parece proibido tanto uma coisa como a outra.
Como se tanto a galhofa quanto o choro fossem motivos para fogueiras inquisitoriais. Triste de quem já perdeu tanto o humor esculhambado como a capacidade original do derramar-se em lágrimas e xingar até a parteira, poxa, pela inconveniência de haver nascido. Repare no Flamengo 2 x 1 Botafogo, jogo que teima em não perder-se de vista, daqueles que não acabam nunca no gramado ralo do campinho de várzea do cocuruto. Teremos mais pelos menos dez Flas x Botas que nada mais serão que a continuação desse embate, como os terceiros turnos eleitorais que se arrastam nas tribunas de Roma ou Brasília.
Repare que o Souza, o avante rubro-negro, fez o gol do seu time anteontem e ainda estava com o espírito voltado para a justa choradeira alvinegra. Nem o escriba Pablo Melgar, peruano de Cuzco que habita estas plagas bandeirantes, doente pelo Cienciano e por Johnny Cash, sobre quem fez belo livro da Mojobooks, entendeu direito a ""buena onda".
O Souza, como vimos, comemorou o gol imitando a tragédia dos botafoguenses, não estava nem aí se valia Libertadores, o que é uma Libertadores diante do que ocorrera no Maracanã três dias atrás? Nada. Rebobina o épico, rapaz, e verás que ganhar a vizinha gostosa vale por dez Penélopes Cruzes ou 20 loiras do Oscar. A maioria dos times do tal torneio continental não ganharia uma na Baixada Melancólica ou nos Aflitos. Rivalidade e paixão é na aldeia, o resto é cosmopolitismo de jeca travestido em moderno. Ora, lindo, lindo, lindo que os homens chorem pelos seus times, mesmo com a fraqueza de pôr a culpa em terceiros, juizes, por exemplo, mas também extraordinário que venha um Souza da vida e faça o seu teatro.
Essa é a graça, amigo, chega de moralizar essas pendengas. A graça é essa, amigo, o resto é aquela selvageria de homens que gostam tanto de homens que mal vêem a partida e já vão se pegar, a pau, pedra e até armas de fogo, na frente dos estádios.(…)”

Folha de S. Paulo, 29/2/2008

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    11:28 — Arquivado em: Sem categoria

28.2.08

Variant branca

Ainda sobre a “polêmica baurueira”: Paladar, preferências gastronômicas, carne mais grossa, mais fina, mais gordura, menos gordura… Sobre meu gosto pessoal, já fiz alguns apontamentos, reservadamente, ao amigo Silvio Carvalho.

Quero, no entanto, contra-argumentar a seguinte assertiva dele:

(…) concordo que o Bar do Canecão, bem como do Formiga (QUE, INFELIZMENTE NÃO MAIS EXISTEM), traz saudades, o primeiro, concordo, pelo "bauru" do Jorge, e o segundo, pelo que sei, pelo "passado", lanche de mortadela. Digo "pelo que sei", pois acredito que eu e você não pudemos constatar este fato pessoalmente, ou ao menos, não lembraríamos pelos anos que o Formiga não mais existe (…)

Minha mãe, já viúva, em noites domingueiras do final dos anos 70, estacionava sua Variant branca defronte ao velho Bar do Formiga, onde, no meio da mobília antiqüíssima, uma TV P&B transmitia qualquer coisa e uma lousa anunciava os resultados dos 13 jogos da loteca. Eu e meu irmão descíamos do carro pra encomendar os três baurus “pra viagem”. Sobre a chapa, pequena, ficavam afixadas duas placas veiculares das cidades de Cardoso/SP e Formiga/MG. Os lanches só começavam a sair às 19h. Antes disso, mesmo com o bar vazio, o Cardoso não se mexia pra fazer os baurus. Só às 7 em ponto ele ligava a chapa. Era surreal e até hoje tem um primo meu de Goiânia que também se lembra da cena. Minha memória gustativa é algo espantoso, tenho no meu HD culinário o sabor do bauru gravado. O sabor do bauru e o cenário do velho bar. Sobre comida, quando eu dou testemunho, são de coisas que verdadeiramente me lembro.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    9:23 — Arquivado em: Sem categoria

25.2.08

Polêmica baurueira

"A existência humana pressupõe fundamentais questionamentos.
Um deles: onde o bicho homem, depois de estafante labuta, pode repor as energias e presentear a alma com um bom sanduíche?
Depois de consultas, enquetes, cliques no Google, ingredientes analisados e paladares planilhados, duas opções, ou melhor, duas respostas-luz.
Um é o clássico boteco, aqui mesmo nesta Sanja que tanto venera o bauru de lombo. Ali na General Osório com a Dona Gabriela, entrando no São Lázaro, o Sid manda bem na chapa e faz o sanduba como poucos. Ele combina à perfeição a carne suína, o queijo prato, o tomate e o pão francês. O sabor evoca lendários baurus do planeta macaúbico: do Jorge do Canecão, do Formiga, do Nosso Bar de antanho…"
(Sanja em Prosa, O MUNICIPIO, 23/2/2008)

Em nome da necessária e salutar diversidade de opiniões, reproduzo abaixo mensagem de Silvio Carvalho, um dos donos do tradicional Nosso Bar.

 

Bom dia, grande são-paulino, Lauro Borges.

Sou leitor assíduo de suas crônicas no conceituado jornal "O MUNICÍPIO" e sempre gostei, gosto e, com certeza, continuarei sempre apreciando suas matérias.

"Sandubas e cachorradas", do dia 23/02, sábado passado, não foi diferente, ou seja, gostei, especialmente em relação a "esperteza" da Telefônica.

Entretanto, não posso deixar de externar minha tristeza e de todos envolvidos, muito embora, respeitando sua opinião pessoal, em relação a sua colocação em relação ao "Nosso Bar de antanho…"

Oras, vamos as minhas considerações, que também são pessoais :

1º - concordo, plenamente, que o lanche do bar do SID, tradicional ponto de encontro de algumas pessoas bem situadas na vida e, também, de pessoas comuns, é excelente, bem como outros itens de seu cardápio, e isto não se discute;

2º - concordo que o Bar do Canecão, bem como do Formiga (QUE, INFELIZMENTE NÃO MAIS EXISTEM), traz saudades, o primeiro, concordo, pelo "bauru" do Jorge, e o segundo, pelo que sei, pelo "passado", lanche de mortadela. Digo "pelo que sei", pois acredito que eu e você não pudemos constatar este fato pessoalmente, ou ao menos, não lembraríamos pelos anos que o Formiga não mais existe;

3º - O Nosso Bar, que encontra-se em atividade a mais de 50 anos, enquanto muitos outros aparecem e desaparecem, está aí, em funcionando e vendendo muitos baurus. Nossos fregueses, muitos e talvez a maioria, são da época antiga, de outrora, ou de antanho. Seus filhos são nossos fregueses e seus netos também. Continuamos com a mesma receita, do Nosso Bar de antanho.

4º - Reafirmo que, opinião é opinião, e respeito a sua. Contudo, não posso deixar de externar meu sentimento de tristeza, por colocar uma lanchonete TRADICIONAL, muito mais que muitas que existem, como uma "coisa que já era, já foi e não é mais". O Canecão fechou, o Formiga também, o Nosso Bar continua…e apesar de sua classificação de "antanho…", continuamos com o propósito de servir com qualidade superior de outrora.

Saliento que meu sentimento de indignação deve ser algo passageiro, algo impulsivo, e não o condeno (quem sou eu), mas senti que colocou uma lanchonete atuante como se só pudesse ser lembrada "no passado". Não considero verdadeiro e pessoas próximas a você podem confirmar que não vivemos só dos tempos idos.

Isto não muda meu conceito sobre você, continuo lhe admirando e serei sempre seu propagandista positivo, onde for solicitado minha opinião sobre sua pessoa. E torço por você.

Atenciosamente,

Silvio Carvalho

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    17:37 — Arquivado em: Sem categoria

19.2.08

Cano duplo e dobradinha

Amigos,
Não há necessidade de vigília na porta do hospital. Por favor, parem com isso!
Esse negócio de flores, fotos, velas e clamores ensandecidos, é para o Maradona. Deixe o escribinha crepuscular convalescer só com a brisa da Mantiqueira.
Ah!, boletim médico de hora em hora também é só para popstar. Não fiquem pressionando na recepção por notícias que não existem.
Ao contrário dos rumores, desminto categoricamente ter trocado as maçãs do rosto por macaúbas. Também não fiz plástica pra ficar com a cara do Luis Fernando Veríssimo. E, pasmem!, NÃO agarrei nenhuma enfermeira durante a troca do soro.
O competentíssimo Dr. Sidney G. Vallim (deve ser primo do Tereziano) disse que a cirurgia deu-se sem nenhuma intercorrência. A única surpresa, agora sem brincadeira, foi o cano duplo encontrado sob o meu umbigo. Sem maldade, gente. Ao contrário do esperado, foram encontradas DUAS hérnias.

Falei que a dupla hérnia foi a única surpresa. Minto. Fiquei de queixo caído com a dobradinha servida no hospital. Confiram aí a foto.

Dobradinha de cenoura com mandioquinha

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    20:18 — Arquivado em: Sem categoria

15.2.08

Sandubas

Onde devorar um bom sanduíche?

Um é o clássico boteco, aqui mesmo nesta Sanja que tanto venera o bauru de lombo. Ali na General Osório com a Dona Gabriela, entrando no São Lázaro, o Sid manda bem na chapa e faz o sanduba como poucos. O sabor evoca os lendários baurus, do Jorge do Canecão, do Formiga, do Nosso Bar de antanho…

Bauru by Sid (com mesa na calçada e tudo mais)

 

Outro é uma hamburgueria de grife, na Joaquim Floriano, no elegante Itaim-Bibi paulistano. Sérgio Arno, o famoso chef, comanda o General Prime Burger. O hambúrguer de picanha (tem também de fraldinha, de cordeiro, de vitelo…) no pão ciabatta faz a gente pensar que a humanidade ainda não está perdida. E depois do lanche você pode morrer feliz com um milk shake de sorvete Häagen-Dazs.

A foto com o celular é ruim, mas o hambúrguer… (e observe que seriedade nos acompanhamentos: ketchup Heinz)

…morrer feliz com um milk shake de sorvete Häagen-Dazs

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    17:14 — Arquivado em: Sem categoria

14.2.08

BANDITISMO!!!

O nome disso é banditismo. BANDITISMO!!!!
Em meados de dezembro alterei o meu Speedy do plano Power 500 Kbps para o Mega 1 Mbps. A assinatura que era R$ 88,70 foi para R$ 89,90. Na conta de janeiro, paguei ainda o valor de R$ 88,70.
Na conta de fevereiro a bandalheira começa: recebo uma cobrança da Telefônica pelo Speedy de R$ 142,10. R$ 89,90 da assinatura nova mais, pasmem, R$ 52,20 dos dias de dezembro proporcionais à nova assinatura. Cobraram o proporcional usado do novo plano, mas não subtraíram o não utilizado do plano antigo. Isso é roubo! Poderia ser uma falha no sistema. Não é. É fanfarrice!
No dia 31/01/2008, indignado com a malandragem, fico dezenas de minutos no telefone 10315 para explicar o ocorrido à atendente. Com a primeira, nada: “a conta tem que ser paga e ressarcimentos futuros, se for o caso, vêm em crédito nas próximas contas”. Então tá: eu pago o que não devo e ainda tenho que esperar pelo reembolso. Que descaramento é esse?!
Depois do mágico “então cancela essa merda”, sou atendido pela senhora Andressa, às 20:20h, que me dá o atendimento n° 1446885331012008 e me garante que eu não devo pagar a conta a vencer em 01/02/2008: “em 10 dias o senhor recebe nova conta com o valor correto”. E a patacoada da nova conta tem até protocolo: 2613531.
Hoje, 14/02/2008, passados 14 dias da promessa, ligo para os picaretas para saber se já enviaram a nova conta. “Não, senhor, a conta está correta e o valor tem que ser pago”.
A paciência vai pro espaço: “então cancela essa merda”. Fico 30 minutos esperando o “setor de cancelamento” atender, ouvir umas verdades e perder mais um cliente. Medrosos, eles não me atenderam.
Vai, mestre Houaiss, me ajuda a definir o imbróglio:
“abjeção, baixeza, cachorrada, cachorrice, cachorrismo, canalhice, canalhismo, ignobilidade, ignomínia, infâmia, mesquinhez, mesquinheza, pequenez, pequeneza, sacanagem, sacanice, sordidez, sordideza, torpeza, torpidade, ultraje, vilania, vileza; ver tb. sinonímia de indecência”
Gente, tomem juízo!

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    22:02 — Arquivado em: Sem categoria

7.2.08

Carimbo fajuto

Nadia Comaneci assombrava o mundo com o mais espetacular desempenho de uma ginasta em todos os tempos. O ano era 1976 e a atleta romena, então com 14 anos, teve como palco da glória os Jogos Olímpicos de Montreal, no gelado Canadá.
Cá nos trópicos, no mesmo ano, um jovem de vinte e poucos carnavais, cheio de ideais, assumia o comando de uma sedutora província encravada no pé da Mantiqueira.
Político de rara sensibilidade social e acurada visão administrativa, o menino prefeito quebrou alguns dogmas da velha oligarquia dominante e botou a cidade nos trilhos da modernidade no último quarto do século vinte. E o fez de uma maneira muito elegante, na base da civilizada persuasão retórica, sem bruscas rupturas nem traumas. Os bons modos e a suavidade no trato sempre foram algumas de suas marcas, mas isso nunca significou tibieza de convicções. Muito ao contrário.
E os ecos da boa gestão se espalharam pela vizinhança. Sob a insígnia do saudoso e aguerrido MDB, encerrou o belo mandato municipal em 1982 sendo catapultado pelas urnas a uma cadeira no parlamento bandeirante. Licenciou-se da Assembléia para servir como Secretário Estadual de Agricultura e Abastecimento. E, de novo, serviu com apego ao interesse público.
Em 1986, a região mais crepuscular do planeta novamente o mandou para a tribuna do Palácio Nove de Julho. O velho MDB passara a ter um P na frente e começava a ser carcomido por turbas pouco recomendáveis. O virtuoso montorismo perdia espaço para o libertino quercismo. Os oito anos seguintes (86-94) deixaram um triste legado ao povo paulista: obras suspeitas, práticas espúrias, polícia truculenta e mais um punhado de obscenidades.
Soldado do partido, ele aceitou novamente uma missão extra-parlamento e ocupou com inequívoca probidade a direção da carteira agrícola do então maior banco estadual do país. Participar de decisões colegiadas de crédito era uma das atribuições do cargo de diretoria.
Hoje, depois de acachapante votação, governa mais uma vez a terrinha que o projetou. Administra a cidade e alguns percalços com a Justiça por conta de algumas concessões deliberadas em comitês de crédito.
Percalços injustos, mais políticos do que técnicos, decorrentes de um carimbo individual fajuto. Aqueles indecorosos oito anos (86-94) são, sim, de deplorável e nauseabunda lembrança. Rótulos desgraçados são justos para identificar o período. No atacado.
A Justiça, no entanto, não deveria se deixar contaminar por perigosa ideologização. No varejo, pessoas retas, com notória ojeriza a malversação do erário, não podem ser individualmente punidas para demonstrar repulsa a uma época.

Sentei e chorei
Um mago disse por aí que, às margens de um certo rio, sentou e chorou. Ignoro os motivos do lamento, mas tenho firme crença na justeza das lágrimas.
Justas também foram as minhas na segunda-feira de Carnaval. Depois de um périplo gastronômico-cultural pela Sampa mais que desvairada, decidi, antes de retornar para as macaúbas, seguir o conselho do Washington Olivetto e cair na Freguesia do Ó para comer a melhor coxinha do mundo.
No largo Nossa Senhora do Ó, esmurrei a porta de ferro, amaldiçoei os donos e caí no pranto inconsolável dos glutões não saciados: o Frangó estava fechado.

visite o boteco:

http://www.frangobar.com.br/

Quarentena
O escriba é grato aos incautos que sentiram a falta da sua tosca pena nas prosas macaúbicas.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    22:37 — Arquivado em: Sem categoria

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