22.12.07
From Sanja, to Lillehammer
Amigos,
uma pequena lembrança para Laurinho. From Sanja, to Lillehammer.
acessem o link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=wh9Hz4sjLD0

Amigos,
uma pequena lembrança para Laurinho. From Sanja, to Lillehammer.
acessem o link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=wh9Hz4sjLD0


Chamado às pressas, o técnico a examinou em alguns minutos, reuniu a família e comunicou em tom fúnebre:
—Nada mais a fazer. Não dá mais conserto. O modelo é muito antigo e já não há mais peças de reposição. Comprem uma nova que essa já deu o que tinha que dar.
Comoção geral. O casal abraçou-se em condolências recíprocas. A filha soluçava em prantos. O rapaz fez cara de choro, sentiu o baque, mas não verteu uma lágrima.
O técnico recolheu seu ferramental e saiu num silêncio respeitoso.
Branca, robusta, revestida com sólida lataria, Fri jazia no meio da cozinha. A casca intacta não refletia a avaria irreversível em sua máquina. Era o fim de três décadas de ininterruptos sopros gélidos refrescando bebidas e conservando alimentos. Mais que isso: a velha Frigidaire alimentou crianças, abasteceu celebrações, aliviou calores, testemunhou solidária e silenciosamente dietas transgredidas e paladares inconfessáveis.
Nos últimos anos, já fora de linha, suas moléstias quase terminais eram curadas, via gambiarras, com o auxílio de sucateiros.
Nada serenava a filha:
—Pai, o que vai ser da Fri agora? Ferro-velho, não, por favor! Dói na alma imaginá-la ao relento, num pátio infecto, sendo corroída na companhia de velharias. Não! Quantos Danoninhos, quantos Yakults, quanto amor, quanta compreensão…
—Podemos transformá-la num armário, filha. Também devo muito a ela e não vou permitir uma putrefação ferruginosa. Não! Nos anos 80 minha patota de boteco só bebia Skol e Brahma, e eu era execrado por preferir Malt 90… lembram-se da Malt 90?! Pois é, só a Fri entendia meus gostos. E que gostos! Só a Fri soube das minhas miscelâneas culinárias exóticas: mortadela com leite condensado, goiabada com farofa… ai delícia! Ela sempre foi discreta e nunca denunciou meu paladar diferente.
A mulher, também, teceu confetes emocionados à velha Fri:
—‘Dr. Atkins’, ‘Beverly Hills’, ‘Sol e Lua’, o escambau. Copiava minhas amigas, escravas da ditadura estética, e vivia aderindo às dietas da moda. Odiava! Fri era solidária nas minhas tentações da madrugada. Generosa, nunca me negou doce-de-leite. Cúmplice, jamais revelou minha tara por vaca-preta. Compreensiva, testemunhava em silêncio a minha gula por quindins. Descanse em paz, Fri!
O rapaz, ainda sem lágrimas, filosofou:
—Num mundo consumista, onde a tecnologia urge e grandes lojas vendem tudo em 24 vezes, qualquer mané pode comprar uma Brastemp duplex com Internet, GPS, som estéreo e entrada pra CD. Novíssima, linda e oca. Sem história. Gelada em todos os sentidos. O dinheiro compra quase tudo, quase…
(Texto republicado)
De praxe
Aos leitores que durante o ano suportaram o proseado tacanho deste espaço, os votos de praxe, clichês e sinceros: Feliz Natal e um 2008 repleto de realizações.
E é época de lembrança de uma das mais belas narrativas da História. Aquela que fala da imensa noite na Judéia, do silêncio que faz adormecer os pastores no deserto, do menino que nasce numa manjedoura…
Pausa
Um necessário interregno, salutar para o escriba e leitores. Com a benção da editoria, engaveto a pena por algumas semanas e, se não acharem ninguém melhor até lá, volto a lavrar em fevereiro do ano que vem. Até!
De novo! Ainda mais espetacular que 2006. Quem anda por Sanja downtown fica extasiado com as luzes natalinas. É Sanja! É Show!

Sede Social do Palmeiras

Escola Joaquim José

Prefeitura Municipal - prédio velho

Theatro Municipal

Nossa Caixa

Caixa Econômica Federal

Ainda a Caixa

Catedral

Despretensioso no início, se é que isso é possível quando se trata de ícones da cultura pop macaúbica, o portal de blogs tem alcançado ibopes descomunais. Nele, vozes do establishment cult-crepuscular trombeteiam sem censura.
Como a blogosfera ainda padece de acesso restrito, este desocupado navega nas postagens, pesca textículos aqui e acolá e, de novo, os compartilha com a plebe que trabalha.
Macaublogs.com em três pílulas:
Foguinho – Piranhas & Louras
O bancário gordinho é habitué da casa. Falo “casa” porque adoro dar um verniz de requinte ao boteco. Por exemplo, cliente desbocado aos berros: “Foguinho desce logo umas piranhas fritas e umas louras geladas!!” Antes que o bobalhão gargalhe do próprio gracejo, eu incorporo o britânico Little Fire e respondo num tom de voz bossa nova: “A casa hoje só serve piaparas cozidas no azeite e bebida fermentada de cereais, que boçais como você chamam pejorativamente de ‘loura’.” Mas voltando ao bancário rotundo, ontem ele trouxe sua patota, se entupiu de peixe, maionese e limão, entornou uma dúzia de Skol e, saco sem fundo da não satisfação, ainda pediu um pirão antes de passar a régua. É brincadeira!! Altas horas, eu querendo baixar a porta e ele ali, engordurado, encharcado, rindo às cascatas e sem a mínima vontade de voltar pra casa. De novo, a eficiência da expressão bossa nova: “Senhor emissário do sistema financeiro, este botequêrrrr que vos fala está exaurido. Na labuta de hoje, frigi mais de duas toneladas de peixe. Ante o exposto, peço a você e aos seus que se retirem do estabelecimento para que eu possa me recolher. Os justos merecem os lençóis limpos do repouso. Seu apetite, devo dizer, é ilimitado, mas a minha paciência, não.
César Gilmar Caslini – Megahertz & Outras Freqüências
“Toca aquela da Sandy, toca aquela da Sandy…” Toda vez é o mesmo grito estridente. Essa menina do DER liga todo santo dia. “Qual?”, o besta aqui ainda pergunta. “Vou cantar um pedacinho: Era uma vez/ Um lugarzinho no meio do nada/ Com sabor de chocolate…” Gente, tô ficando cansado disso aqui! Apelidos ‘criativos’, então, me seguro pra não xingar: “Fala que a ‘Pocahontas da Mantiqueira’ oferece a música do Titanic pro João Batista da Vila do Sapo.” Ou ainda: “O ‘Sheik do Perpétuo’ oferece o tema do Ghost pra Ana Cristina.” E os metidos a moderninho-vintage: “Meu nome é Purga, moro na Tereziano, curto surf, skate e outros esportes radicais. Queria ouvir o clássico dos clássicos do Pink Floyd: César, bota ‘The Wall’ pra rodar.” Dia destes ligou uma senhora. A voz era de uma pessoa distinta: “César, a falta de qualidade impera na sonoridade do mundo. Nossos jovens, pobrezinhos, são aculturados com lixos do naipe de Britney Spears. Quero que a minha filha ouça uma melodia de qualidade da minha juventude oitentista.” Pensei que viria uma MPB gil-caetânica. Nada disso. Fui obrigado a bater o telefone na cara dela depois dessa: “Quero ouvir ‘Comer, Comer’ do Gengis Khan.” PQP!!!!
Duña – Ombudsman das Macaúbas
E tem cronista que não se toca. Repetições, plágios, provincianismos e corujices. O cara leva pau de todo lado e finge que não é com ele. A CPMF cai no Senado e ele escreve sobre a influência da sujeira da chapa no sabor do bauru. Lula articula um terceiro mandato e ele grafa sobre a nova técnica que deixa mais cremoso o sorvete de macaúba. Renan é absolvido e ele divaga sobre a ‘dança do poste’ na novela das oito. Chávez se arma até os dentes e ele arrulha as peripécias do filho em terras escandinavas. Até quando o leitorado vai conviver com tamanha alienação? Basta!
Em tempo: seria uma trombeta a foto que ilustra esta crônica?
Na Folha de hoje. Leia a matéria e veja o vídeo (o link tá no fim). Bacana!!!
RAQUEL COZER
DA REPORTAGEM LOCAL
É Clarice, sem complemento, o nome "artístico" da menina que estrela a única produção nacional a ser exibida em janeiro próximo no Festival Sundance (EUA), o maior do cinema independente no mundo.
Ela está em "Laços", de Flávia Lacerda, que venceu o concurso internacional de curtas do YouTube, na última quarta, após passar por seleção da equipe do cineasta Jason Reitman ("Obrigado por Fumar") e pelo crivo de internautas do mundo todo. A exibição em Sundance faz parte do prêmio.
O sobrenome que omite é conhecido. Clarice é filha do diretor João Falcão e da roteirista Adriana Falcão, ambos de "A Máquina" -Adriana fez também o roteiro de "Laços". "É que "Clarice" é forte sozinho. Como penso em fazer algo em música, funciona assim", diz a moça de 18 anos, pele branquinha e sotaque entre o sulista e o paulistano, embora seja de Recife e more no Rio desde pequena ("É, todos acham que falo estranho…", conforma-se).
A história da menina que conhece um rapaz bizarro após a morte do pai ganhou de não se sabe quantos concorrentes (o Google não divulga) nem com quantos votos (idem). Mas superou ao menos 19 produções de outros cinco países que estavam na final, mais dezenas que não chegaram perto.
O vídeo custou pouco mais de R$ 2.000, rendeu US$ 5.000 (cerca de R$ 9.000) e deu a Clarice aquela espécie de reconhecimento imediato que a internet permite -não de ser parada nas ruas, mas de receber e-mails e scraps de congratulações. Até a noite da última quinta-feira, sua atuação tinha sido vista 145 mil vezes.
Atriz, cantora, cineasta
Clarice ainda não sabe em que circunstância "Laços" será exibido em Sundance nem se conseguirá tirar visto a tempo de ir lá ver com os próprios olhos. "Só ligaram pra gente pra dizer que vão ligar depois", diz.
Mas percebeu que, até mais que sua atuação, o que chamou a atenção dos internautas foi a música de abertura do curta, o popzinho meigo "Australia", com letra em inglês, composto e cantado por ela própria.
A música foi feita para "Laços" em um dia, assim como a melodia -ou parte dela, já que o primo Ricco Viana, músico, deu uma força depois. "Só sei três acordes", desculpa-se a ex-aluna de canto e teatro.
A moça tem outras canções que não mostra a ninguém. Com os elogios a "Australia", pensou em montar uma página no MySpace (o endereço www.myspace.com/clarice está ocupado. Talvez usar o sobrenome ajude). Não sabe ainda se fará isso, assim como não tem certeza de se quer seguir carreira como cantora, cineasta, roteirista, atriz…
Experiência, com a ajuda da família, ela tem. O pai a pôs no elenco da peça infantil "A Ver Estrelas" e do filme "Fica Comigo" (2006), e também na trilha de "Lisbela e o Prisioneiro" (2003) -em que ela canta, com menos graça do que canta hoje, "Para o Diabo os Conselhos de Vocês". Para a mãe, foi garota-propaganda do livro "Luna Clara e Apolo 11", e ainda arriscou uns versos na banda do primo Ricco, a Vermelho 27.
Os planos de ser cineasta encontraram um atalho quando ela conseguiu uma vaga na PUC ao fim do segundo ano colegial. "Não podia, mas fiz supletivo e entrei. Não ia estudar para vestibular se já tinha passado!"
Ao fim do terceiro semestre, a caçula da turma acha que a idade passa despercebida. "Quase ninguém sabe. Quando descobrem, dizem: "Que fofa!", e depois esquecem." Foi na faculdade que ficou mais amiga de Célio Porto, 17, o tal rapaz que encontra em "Laços". Com ele, criou e atuou ainda em outro curta, "Dois Menos Dois" -no qual, sem nenhuma fala, o amigo até que se sai bem.

Depois de, há alguns meses atrás, levar um doloroso carimbo de “leviano e superficial”, agora este blogueiro-escriba perde o sono com mais uma pesada acusação: “corujisse (sic)”. A leitora vocifera que utilizo minha pauta (acho que ela quis dizer espaço, tribuna) para “lograr exposição de fatos familiares”. E o que é pior: ameaça não mais ler o jornal se o “pai-coruja continuar a se manifestar”. Ah meu Deus!!! Se alguém souber como me livrar deste terrível mal chamado “corujisse (sic) explícita”, por favor, me avise. Eu quero a cura!
Vamos atentar para os brados da missivista:
“Sou leitora de O MUNICIPIO há décadas e durante este longo período aprendi a acompanhar todas as colunas do jornal. Ultimamente, me tornei leitora assídua da coluna do senhor Lauro Borges, que sempre nos contagia com seu humor sagaz. Ocorre que, ultimamente, os textos do cronista em questão têm deixado a desejar, principalmente quando ele incorre em ataques de corujisse (sic) explícita com relação ao seu filho que está fazendo intercâmbio no exterior. Entendo que um pai deve se orgulhar de um filho, mas não posso conceber que o escritor se utilize de sua pauta para lograr exposição de fatos relacionados com sua família. Este aspecto soa mais como ostentação do que como crônica. Certamente, se quisesse saber notícias da Noruega compraria um guia turístico e não O MUNICIPIO. Caso o ‘pai-coruja’ continue a se manifestar, cogito a hipótese de não mais comprar os exemplares que acompanham o cotidiano de minha família há tanto tempo.” (Marilene Venâncio Nogueira, jornal O MUNICIPIO, Leitores, 5/12/2007)
Alguns amigos se manifestaram:
“É impossível agradar a todo mundo. Para cada 1000 leitores assíduos, tem sempre um espírito de porco procurando pêlo em ovo. A dar-se ouvidos ao argumento da leitora, não sobraria cronista incólume. Veja a Clineida, por exemplo, nossa colega de página. Muitas de suas crônicas falam sobre a filha que mora no exterior, e mais de uma vez ela utilizou todo o espaço que lhe cabia para reproduzir, na íntegra, suas cartas. Isso pra citar um exemplo bem próximo à gente…
Lamentável, mas esquecível. Mantenha a corujiCe e ignore os corvos.” (Marcelo Pirajá Sguassábia)
“Lauro, nem você nem seus textos são levianos e superficiais. Posso qualificá-los como adoráveis, leves, irônicos, meio folgazões. Deliciosos para se ler. Em tempo, corujice não é defeito, é admiração e amor pela cria.” (Carmen Balestrin)
“Lauro, corujice é uma doença de cura difícil e complicada, pois é muito bom ser coruja!!!! Talvez, por isso, seja quase incurável. Mas, vá em frente!!! Delicie-se. É bom para o coruja e para o filhote!” (Maria Célia Marcondes)
“Em tempos onde a fundação do ser humano, representada pelas nossas crenças, valores e princípios, nunca esteve tão em baixa, devo-lhe dizer que não me surpreendo com atitudes infelizes como a da senhora Marilene, que não conseguem enxergar nas ótimas lavras suas e do Laurinho, o legítimo interesse em compartilhar com muitos, histórias que nos agregam muita informação e cultura.
Sempre comento com a minha esposa que a construção de um mundo melhor é fincada acima de tudo em uma família bem estruturada (o Papa e toda a Igreja Católica pregam isso também). E o Laurinho é um exemplo disso. Embora não tenhamos uma convivência assídua, sei que o brilhantismo do Laurinho em muito reflete a ótima educação e criação que você e a sua esposa deram a ele, permitindo-o hoje compartilhar conosco ótimas histórias, que realmente nos fazem viajar em um mundo que nem parece o mesmo em que vivemos.
Não deixe que pessoas amargas apaguem esta sua ‘corujice explícita’ pelo seu filho, que posso lhe assegurar, é compartilhada por muitos, dentre os quais me incluo.” (José Ricardo Noronha)
Em tempo: Todas as mensagens foram publicadas com a expressa permissão dos autores.