Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

22.11.07

Macaublogs.com

Leio por aí que o Boni, aquele figurão, ex-todo-poderoso da toda-poderosa Rede Globo, botou na grande rede um portal que acolhe blogs de celebridades. E por celebridades leia-se atores, cantores, apresentadores, socialites, modelos e toda a fauna do mundinho Caras.
Cá nas paragens macaúbicas, um certo escriba nada poderoso, arremedo de cronista, plagiador incorrigível, também jogou na internet um sítio de blogs. O Macaublogs, orgulhosamente crepuscular, acolhe, claro, os diários virtuais dos colunáveis do mundinho Vera Oliveira [Para os além-mantiqueira, explico: Vera Oliveira é a Mônica Bergamo das margens do Jaguari].
Ainda incipiente, o Macaublogs já tem algumas pérolas.

Bartazá – Cabelo e Política
Enquanto esse povinho ignorante e alienado não toma jeito e aprende a votar, eu fico aqui, na batalha, botando a tesoura em cocorutos fedorentos e cabelos sebosos. Ontem, só pra não parecer deselegante, eu cortei o cabelo de um moço que tinha o coco até que bem perfumado: o Armandinho da Lupa. Ele chegou dizendo que iria para São Paulo fechar um grande negócio e que precisava estar apresentável no encontro. O cara tinha uma juba cheirosa, mas feia de doer. Passei a máquina zero sem dó pra acertar aquele layout do cão. Armandinho não gostou da ‘zerada’, me xingou e foi embora sem pagar. Não ganhei nada, mas cumpri um patriótico dever. Armandinho, pra quem não sabe, é dono de zona no DER e vai sempre pra São Paulo comprar ‘mercadoria’ nova. A ‘zerada’ foi providencial, não só pela estética. O mundo tem que conhecer o nosso Maroni. Ah!, a propósito, o puteiro do Armandinho se chama Spahamas. Amanhã eu passo lá pra conferir a qualidade das ‘mercadorias’ frescas.

Poiano do Tekinfin – Chope e Fofoca
O dentista anda bebendo além da conta. Agora ele deu pra entornar Johnnie Walker Black sem gelo. Ontem a ex dele veio aqui com o fazendeiro mal-ajambrado. Tenho comigo que a corneada é a razão do exagero nas canjebrinas. Duzentas pilas a garrafa do scotch e estou faturando horrores com a miséria alheia. Isso está me incomodando. E o bancário gordinho anda abusando da gulodice. Sábado, depois de um filé a cavalo e dois baurus, ele arrematou a noite com uma redonda de quatro queijos. Estou ganhando os tubos com o colesterol alheio. Isso está me incomodando. A filha do advogado, beldade das beldades, chegou da Austrália e vem tomar chope escuro quase todo dia. Ela vem com insinuação libidinosa demais e roupa ‘demenos’. A potranca tá dando mole pro garçom (é o Gê, curiosos!) e nem tchuns pra mim. Isso está me incomodando.

[Nome excluído*] – Mel no gogó
A mulher do fazendeiro insiste em fazer aulas. Ela pôs na cabeça que tem talento pra cantar: “Nasci para brilhar nos palcos. Sou uma pedra bruta que precisa ser lapidada.” Eu posso com isso?! Ela desafina pra diabo e acha que o dinheiro do marido compra a voz da Nara Leão. Sugeri que ela tente pintura e artesanato no ateliê da Vânia. Ela deu de ombros e disse que me paga em dobro pra cantar ‘Beija Eu’ da Marisa Monte na festa de aniversário da filha daqui a quinze dias. Eu posso com isso?! Ainda não faço milagres, fulana. Leia aqui no meu blog: faça uma bela dublagem e gaste o dinheiro do fazendeiro com sapatos da Lina e botox na carinha murcha.

*Contrariado, excluí do post acima o nome da homenageada, que, no meu conceito e de muitos, é referência musical nesta Sanja de belos crepúsculos. Homenagem verdadeira, mas incompreendida.

Penão Gianelli – Photos e Phod…
Só dá a mulher do fazendeiro aqui no portal. E ela tá por aqui também. O marido babão não consegue (ou não quer?) frear as extravagâncias dela. A perua viu as fotos da Mônica Veloso na Playboy e acha que também pode. Ela quer fazer, pasmem!, um ensaio sensual em P&B no trampolim da Esportiva. Disse que tem autorização do Talih e tudo mais. A grana seria boa, mas se eu fotografar uma peladona a patroa me trucida. Encaminhei ela pro Fritz, que, até onde eu saiba, tá solteiro por aí, pode despir ricaças quarentonas e não precisa justificar o trabalho inusitado pra ninguém.

Mulher do Fazendeiro – Tipo assim…
Ah, gente, sei lá, tipo assim, interpretar é uma coisa lúdica, mágica, que eu descobri há pouco tempo. Hoje, tipo assim, não me vejo mais sem uma dose de Shakespeare, sem um coquetel de Molière. Mas, tipo assim, o que está me fascinando mesmo no teatro é a obra do Nelson Rodrigues. Os temas rodrigueanos são, tipo assim, umas coisas loucas que misturam sexo e tragédias familiares. Ah, sei lá, tipo assim, tô ensaiando um superespetáculo, com supertexto do Nelson, com uma superdireção do Leandro, com supercenários da Sílvia e uma superprodução musical do Tocko. É uma coisa, tipo assim, super… Eu tô me dedicando, gente… vai ser bárbaro, eu vou conseguir… Amoooo vocês!!! Brigadú!!!

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    22:21 — Arquivado em: Sem categoria

15.11.07

Apedeuta

Neste chuvoso feriado, depois de uma deliciosa comida caipira nos confins rurais da vizinha Andradas, é impossível ignorar a repercussão internética e jornalética das bobagens ditas pelo presidente Lula acerca da “democracia” venezuelana. Entre as muitas carências do nosso mandatário maior, agora podemos também incluir o seu desapreço total pelos valores democráticos.
Lula, nos seus inúmeros improvisos de palanque, nas suas inúmeras metáforas de botequim, já disse muita parvoíce. Com o respaldo explícito e desavergonhado ao governo chavista, ele se superou. Logo um ex-sindicalista que já foi vítima de governos autoritários.
O blogueiro Reinaldo Azevedo é useiro e vezeiro em tachar o presidente de ‘apedeuta’ [que ou o que não tem instrução; ignorante]. Achava o adjetivo um pouco pesado. Achava desrespeitoso com a figura do presidente da República. Achava. Apedeuta é pouco pra quem admira a “democracia” do destrambelhado Hugo Chávez.
Josias de Souza, outro jornalista da blogosfera, tem muito mais competência para dizer exatamente o que eu quero. Vai Josias, bota os pingos nos ‘is’.

Sem medo de ser feliz, Lula defendeu o direito de Chávez de alterar a Constituição para obter um “terceiro mandato.” Insinuou que os críticos são movidos a preconceito. “Por que ninguém se queixou quando Margaret Thatcher [ex-primeira-ministra britânica, que deu as cartas entre 1979 e 1990] ficou tantos anos no poder?”
Um dos repórteres esfregou o óbvio na cara de Lula. Lembrou que a Grã-Bretanha vive sob regime parlamentarista. Ou seja, o primeiro-ministro pode ser destituído a qualquer momento pelo Parlamento. Lula não se deu por achado: “É continuidade, não tem nada de distinto. Muda apenas o sistema, o regime, de presidencialista para regime parlamentarista. Não importa o regime, mas o exercício do poder.”
Mencionou, além de Tatcher, dois outros ex-chefes de Estado de regimes parlamentaristas: o espanhol Felipe Gonzalez e o alemão Helmut Kohl. E injetou um abacaxi, o francês François Miterrand, no cesto de abóboras. “Ninguém se queixa do Felipe González, que ficou tantos anos; ninguém se queixa do Mitterrand, que ficou tantos anos; ninguém se queixa do Helmut Kohl, que ficou quase 16 anos”, disse Lula.
Quando escora seu argumento na trajetória de ex-primeiros-ministros longevos, Lula apenas tortura os meios para atingir um fim. Quando enfia Mitterrand na tortuosa peroração que erigiu para defender o impensável, levou às últimas conseqüências a ofensa à lógica. A França é República semi-presidencialista. Eleito pelo povo, o presidente nomeia o primeiro-ministro.
François Mitterrand presidiu a França por 14 anos (1981-1995) porque obteve do povo dois mandatos. Mandatos que a Constituição da França fixa em sete anos. Desceu ao verbete da enciclopédia sem enodoar a biografia com alterações constitucionais de fancaria. Fez dois governos dignos de críticas, sobretudo o segundo. Mas não merece a desfeita de ser comparado a Chávez.
Chávez tem todo o direito de cultivar sobre o ex-primeiro ministro espanhol José Maria Aznar a opinião que bem entender. Eleito democraticamente, foi vitimado, em 2002, por um golpe de generais sem tropa, apoiados por bando de empresários oportunistas, amparados por um naco de mídia parcial. Coisa inaceitável. Tão reprovável quanto o fracassado golpe que o coronel Chávez tentara aplicar dez anos antes, em 1992.
O que se discute é a má educação do compañero. Valer-se de uma cúpula internacional, realizada em terra estranha, para jogar na cara de José Luís ‘Exijo Respeito’ Zapatero e de Juan ‘Por que não te calas’ Carlos um episódio que não lhes diz respeito é coisa de histrião desgovernado. Lula disse: “Se nós dermos menos palpite nas regras do jogo dos outros países e olharmos o que nós estamos fazendo, todos nós sairemos ganhando.” Tem razão. Mas daí a considerar a Venezuela de Chávez um exemplo de democracia vai enorme distância.

Torresmo

Lá no parágrafo inaugural falei sobre uma incursão por paladares rancheiros na mineira Andradas. Concluo para não provocar síndrome de abstinência nos meus companheiros glutões.
“Aldeia Fazenda Velha” é um destes inúmeros restaurantes caipiras que pululam nos rincões do Brasil. Por um preço módico —R$ 15,00— você se acaba naquelas mesas de lombos, tutus, costelinhas, couves, torresmos e afins do rango gorduroso-saboroso. E ainda ganha de lambuja seis tipos de doces caseiros com o indefectível queijo Minas, branquíssimo e fresquíssimo.
Na minha estrada de descobertas gastronômicas, posso contar visitas em mais de dez casas do tipo. Nenhuma delas tem comida melhor que “Aldeia Fazenda Velha”.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    19:44 — Arquivado em: Sem categoria

10.11.07

Ludopédicas e literatas coincidências

Crepusculares, ludopédicos, exilados e outros bichos,

Minha colega na Academia das Letras Macaúbicas, Ana Lucia Finazzi, escreveu e fez publicar n’O MUNICIPIO uma bela crônica sobre as aflições, reflexões e realizações de ser mãe de um atleta de futebol profissional. “Mãe de Boleiro” é lavra de rara sensibilidade. Sentimento de mãe é coisa única, mas poucas conseguem retratá-lo em forma de texto. Ana Lucia o fez com maestria. E esta semana, um escriba bairrista, crepuscular por devoção, achou que a grandeza das linhas não poderia ficar só nos limites da província. A boa “macaúba” teria que ser contada para o mundo. Este sanjoanense petulante disparou o texto para alguns medalhões do jornalismo ludopédico e, grata surpresa, Juca Kfouri postou o texto no seu conceituado blog. Comentários e repercussões aos borbotões e o mundo conheceu esta lúdica “macaúba”.

E não parou por aí: um leitor do blog do Juca, Roberto Vieira, “psicografou” um texto de Coelho Neto, que vem a ser o patrono da cadeira acadêmica da Ana Lucia, e, surpresa!, também é pai de boleiro.

Ludopédicas e literatas coincidências.

E pra quem quiser ler textos e comentários no blog do Juca, aí vão os links:


http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2007-11-04_2007-11-10.html#2007_11-08_15_20_40-9991446-0

http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2007-11-04_2007-11-10.html#2007_11-08_13_18_14-9991446-0

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    16:27 — Arquivado em: Sem categoria

8.11.07

Mundo perdido

Atrás dos sonhos, ele tenta juntar o necessário pé-de-meia assando discos napolitanos numa pizzaria em Rhode Island. Ele até gosta do trabalho, mas, paulistano ôrra meu!, abomina aqueles molhos atomatados muito doces, ketchúpicos, horrendos, hereges, apavorantes. [A repetição de adjetivos pode significar que o cronista deseja dar intensidade dramática à narrativa. Não. No caso, é recurso pra falta de inspiração mesmo, pura lingüiça enchida pra anabolizar o número caracteres.]
Incorrigível saudoso da sua província [para o saudoso a metrópole da saudade é sempre província e explicação também enche uma boa lingüiça] natal, ele bate um fio pra botar as novidades em dia.
O interlocutor é o amigo Abraão, que iria com ele atrás das verdinhas da América rica, mas, glutão de todas as horas, teve o visto negado por chegar ao consulado comendo um quibe tamanho Itu. Os gringos acharam aquilo uma afronta.

—Brão, saudade das nossas paradas, meu brother! Daquelas rodas de pagode na Vila Brasilândia. Dos churrascos na casa da Silvinha. Da cervejinha com torresmo no boteco do Amadeu.

—Falou e disse, mano. Também curtia muito as nossas baladas. Mas a coisa mudou muito por aqui.

—Mudou?! Mudou o que?! Quem mudou?! Pra onde?! Fala, véio.

—O Orlandão fechou o “Batuque Satânico” pra vender dogão lá no bairro dos bacana. Ele enche os pão com salsicha ali perto do Iguatemi. Coisa fina, trabalha de avental branco e tudo. Tá tirando uns três pau e meio por mês.

—Num brinca, véio! O Orlandão tinha o pagode no sangue. Lá na zona norte ele era o rei da noite. Deixar esse reinado e a galera sem diversão pra enfiar salsicha nos ricaços. Fala sério, véio! Nós conhecemos a turma da Silvinha no “Batuque”, lembra?

—E num ia lembrar! E por falar na Silvinha…

—Não me diga que aquela gostosura engordou?

—Ainda não. Mas logo ela fica prenha e incha. A Silvinha se casou, véio. Lembra daqueles chilenos da Freguesia? Tinha um deles, que trabalhava pros japas e chegava no “Batuque” com gel no cabelo e botando banca de mauricinho…

—Claro que me lembro dele. Ulisses, o entojadinho em pessoa. Num brinca, véio, não me diz que a Silvinha se casou com ele.

—Digo, véio, digo… ele traçou a mina com uns papos de vida pacata no interior, crianças brincando na rua, casa com varanda… esses lances aí que dão sono só de pensar.

—Num brinca, véio! A Silvinha era mais agitada que mão de adolescente no banheiro, e foi logo se mandar para o lado dos caipiras. E ainda foi juntar as escovas de dente com aquele presunçoso do Ulisses.

 
—O Jorjão foi lá dia desses e voltou horrorizado. Disse que a Silvinha tá irreconhecível. Aquele monumento, que abusava dos jeans agarrados e barriguinha à mostra, abriu a porta com um lenço na cabeça e uma colher de pau na mão. O Jorjão, quando contou a história pra turma, chorava de soluçar.

—E não é pra menos… mas vamos falar de coisa boa: o Amadeu continua fazendo o melhor torresmo do Tucuruvi?

—Nada, véio. O Amadeu virou bandeira. Ele entrou pra uma seita natureba e agora só fala em hábitos saudáveis de vida. O boteco ele não fechou, mas a coisa lá tá uma viadagem só. Pra petiscar só tem tofu, cenoura e rabanete. Sem sal. E pra beber?! Pedi uma gelada e ele me veio com uma gororoba de berinjela com tangerina, aveia e mel. Joguei o copo no chão e mandei o Amadeu pra’quele lugar.

—O mundo tá perdido, Brão… os tamborins do “Batuque” silenciaram; a beldade do Jaçanã vai se encher de celulite no interior; o Amadeu virou baluarte do rabanete… o mundo tá perdido, Brão… vou me juntar com uma gringa e ficar por aqui.

—E vai abandonar pra sempre as redondas do Carmelo do Bixiga? Ele tá bem caído, mas ainda não abandonou a arte de assar e rechear uma redonda. Ele agora faz as pizzas com bordas de Catupiry.

—Nããããão!! O Carmelo, aquele calabrês carcamano, sucumbiu às bordas de Catupiry?! Definitivamente, Brão, o mundo está perdido.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    23:15 — Arquivado em: Sem categoria

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