Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

16.8.07

Ano macaúbico

Entra ano sai ano e a babel caipira cada vez mais confirma sua vocação de trocar cultura com povos além-fronteira.
Jovens crepusculares caem no mundo e adolescentes estrangeiros chegam para um ano macaúbico, através do excepcional programa de intercâmbio de jovens do Rotary Internacional. E o Rotary sanjoanense é referência brasileira no trabalho.
Alessandro Strapazzon é um canadense com ascendência italiana da cidade de Flin Flon. A pequena localidade tem seis mil habitantes e congela no inverno com temperaturas de até 40° negativos, isso mesmo, quarenta graus negativos.
Este escriba está hospedando o simpático adolescente de 18 anos e, entre uma mandioca frita e outra (ele adorou mandioca), tascou algumas perguntas bem clichês num inglês nada confiável.

Por que o Brasil?
Eu sempre fui muito interessado na América do Sul, na sua cultura, na sua história. E quando vi o Brasil na lista de opções achei que seria fantástico passar um ano conhecendo um estilo de vida tão diferente do meu país. E, claro, aqui no Brasil não tem neve.

Seus pais aprovaram sua decisão de viajar para o Brasil?
Meus pais respeitaram e apoiaram minha decisão de participar do programa de intercâmbio do Rotary. E quando souberam que eu tinha escolhido o Brasil ficaram entusiasmados e disseram que eu visitaria um grande país, que teria uma ótima experiência de vida e um ano inesquecível.

Antes de aqui chegar, qual a imagem que você tinha do país?
Um país bonito, muitas praias, selva, calor e, naturalmente, mulheres bonitas. Sempre enxerguei no Brasil uma cultura muito rica e um povo que dança. Ah!, antes de viajar, vi também Capoeira num programa de TV.

Como é ser jovem no Canadá?
Crescer na minha cidade sempre foi muito divertido. Sempre tem alguma coisa pra fazer. Nos sete meses com neve há muitas atividades de inverno. Adultos e crianças pescam no gelo, esquiam, praticam snowboarding. A pesca, no inverno ou no verão, é comum porque o país tem muitos lagos. Uma outra coisa popular é cruzar de esqui o condado. No verão, no calor, é muito divertido nadar nos lagos. Muitas famílias lá têm chalés sem eletricidade nem água encanada e, no inverno ou no verão, é um lugar muito divertido para passar os fins-de-semana. Eu e meus amigos adoramos acampar. Por vezes acampamos em barracas, outras vezes encostamos um veículo perto de um lago e dormimos dentro.

O bom e o ruim no Canadá.
O que é bom é que nós estamos cercados pela natureza. Temos muitas florestas e lagos por toda parte. Uma prática comum e tradicional no país é a caça. A caça é muito interessante porque você fica muito tempo na mata e vê coisas que as pessoas das grandes cidades só vêem pela TV. Mesmo quando nós voltamos pra casa de mãos vazias, é sempre muito relaxante e divertido. Também acho positivo no Canadá a preservação das nossas tradições. Há no país, ainda, muitos povos nativos que usam técnicas tradicionais e rudimentares de vida nos seus cotidianos. Perto da minha cidade vive a nação Cree. Uma desvantagem é que as cidades são muito pequenas e dispersas pelo país. Você precisa viajar muito para comprar algo específico ou ir a um médico especialista. A cidade “grande” mais próxima à minha fica a cinco horas de viagem e tem apenas 35 mil habitantes. Acho também ruim que o primeiro-ministro canadense apóie o presidente Bush e a Guerra do Iraque. Muitos canadenses pensam como eu e são contra a política do governo. A neve eu acho boa e ruim. Boa pelo divertimento e ruim por ser tão longa no ano (sete meses). Depois desse tempo todo você fica enjoado de tanto gelo.

Neste pouco tempo (10 dias) que você está em São João, já gosta ou desgosta de algo na cidade?
Realmente não há nada de que eu não goste na cidade. Não tive nenhum problema aqui. Gosto daqui porque a cidade não é grande nem pequena demais. E as pessoas são tão agradáveis e pacientes comigo e com meu português ainda tão ruim. E adorei a comida de vocês. Eu sinto que ganharei peso este ano.

Picanha never
Em tempo: Ainda falando de intercâmbio, Laurinho envia novas da Noruega: a Coca de 500 ml custa US$ 4,00. Na foto em uma pizzaria, a redonda é acompanhada de água. O churrasco em outra foto é de hambúrguer e frango. Picanha never. E tem mais histórias legais no blog: http://lauronanoruega.blogspot.com/

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    23:29 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Comentário por Marcelo — 17.8.07 @ 8:49

    Boas vindas ao macanadaúbico. E dá-lhe bauru, dona lindona, tekinfin, sorveteria da dom pedro e outras beloquices. Inté!

  2. Comentário por Ana Lucia Finazzi — 17.8.07 @ 14:10

    Oi Lauro, tudo bem?
    Que sorte teve este canadense por ter voces como pais aqui no Brasil; e por estar em nossa Sanja. O Laurinho, pelo visto, aproveitando todas.
    Tenho, atualmente,dois sobrinhos em intercâmbios. Pedro está no Canadá. Não me lembro a cidade mas é uma das grandes. Também já está voltando. A Kika está em Barcelona, amando tudo e curtindo até o futebol do Barça. Felizardos pela oportunidade.Até mais.

    Ana Lucia

  3. Comentário por Pyr — 17.8.07 @ 14:12

    Laurão!!!
    Muito legal o depoimento do cara que vem de Flin Flon… eu hein!
    Fala pro Alessandro que minha sobrinha passou num teste que alguns jovens brasileiros fazer para migrar para o Canadá e no final do ano ela segue para QUEBEC. Vai morar lá com o cara metade, que trabalha na IBM e fez um trabalho muito interessante para ser aplicado em Quebec.
    De repente, eles podem se corresponder via email, pra dar uma dicas sobre os costumes e rotinas do país!

    Abração!!!
    Pyr

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