9.8.07
Efeméride Arcadiana

Crepusculares espalhados pelo globo, mantiqueiros perdidos pelo planeta, macaúbicos viajantes esparramados por este mundão, não posso me abster de reproduzir a belíssima homenagem prestada a este proseador por Maria Célia de Campos Marcondes, quando da minha posse na Arcádia desta Sanja. Além de afinidades literárias, minha madrinha na Academia tem, desde priscas eras, forte ligação de afeto com os Borges, especialmente com minha tia Leila.
Por questão de espaço, permito-me editar a peça retórica.
Sérgio Ayrton Meirelles de Oliveira, digníssimo presidente da Academia de Letras de São João da Boa Vista, autoridades presentes, prezados confrades e confreiras, senhoras e senhores.
Lauro Augusto Bittencourt Borges, foi com imensa satisfação que o indiquei para uma vaga na Academia de Letras de São João da Boa Vista, e com satisfação maior vi seu nome aprovado.
Já nas primeiras leituras que fiz, de seus escritos, através do jornal, percebi que você tinha talento e isto me deu muito orgulho. Como se fôssemos amigos de longa data, parentes, como se tivéssemos um convívio importante. No entanto, pouco o conhecia pessoalmente, mas havia uma ligação histórica entre nós. Você não a sabia, não a vivenciou, mas faz parte de uma, muito importante, fase de minha vida.
Professor Augusto Bittencourt, seu avô, lembro-me dele, quando, todas as tardes, dava aulas de admissão ao ginásio, na garagem de sua casa. Éramos vizinhos, lá no entorno da Tereziano Vallim, e sua figura imponente, de pessoa letrada, inteligente marcou minha infância, início da adolescência. Assim como Dona Fiúca, sua avó, modista famosa na cidade e região.
Ana Maria, sua mãe, com quem, diariamente, subia e descia o caminho que ia para o distante Colégio Santo André, e formávamos, com outras dezenas de colegas, um bando de palradoras e alegres estudantes que, durante anos, todas as manhãs, fazia o mesmo percurso.
Quando já nos encontrávamos no meio do caminho, perto do Córrego São João, onde se inicia a subida da colina, unia-se a nós, minha grande e muito querida amiga Leila Fernandes Borges, sua tia.
Foi com ela, junto a ela, que vivi minha adolescência, os anos bons da juventude, aqueles que nos marcam indelevelmente. Foi uma pessoa muito importante na minha vida. Fomos e somos amigas e esta palavra, amiga, por si só, diz tudo.
Lauro Borges, Dona Alice, seus avós, o jipe que ele dirigia pela cidade, com o qual nos levava ao cinema. O sítio, onde passávamos as férias…Quantas lembranças queridas e, nelas, a figura, a personalidade marcante de sua avó Alice, emerge com muita força.
Seu tio Ivan, seu pai Hélio, seu primo José Pedro. Todos eles…
Mas hoje não é dia só de recordações é, principalmente, dia de festa.
Lauro Augusto Bittencourt Borges advogado por formação, bancário por opção e cronista por diversão, como ele mesmo se auto-define, tem, em suas crônicas, um estilo irreverente, satírico, cômico, caricatural, mas nunca desrespeitoso.
Cria, muitas vezes, com personagens reais, situações fictícias, chegando mesmo, a confundir o leitor que fica sem saber onde localiza o tênue fio que separa o real, da ficção. Esta sua característica surreal, já lhe causou dissabores e algumas boas risadas.
Criou ainda neologismos, usando lugares, coisas, situações que caracterizam a cidade e que, de certa maneira, estavam no inconsciente do sanjoanense, faltando apenas alguém que os nominassem.
Assim, temos hoje, quase que, já inscritos no dicionário sanjoanense, ou a se inscrever, os termos: Macaúbico, Sanja, Homo Crepuscularys, JJ Park, Mantiqueiro, além de Madame Gê, Tio Dema, entre outros.
Realiza, no momento, uma eleição onde serão escolhidas, pelos seus leitores, “as Sete Maravilhas da Sanja Crepuscular.”
É jovem, mas preza as raízes, as tradições, os costumes, as histórias que o constituem seja como pessoa, seja como sanjoanense, ou ainda como morador da rua do “Compadre Tetê”, da qual ele se ressente de perder sua característica residencial e clama: “Quer coisa mais chata do que pedir uma xícara de açúcar num escritório de arquitetura? Uma lata de óleo numa clínica odontológica?”
Lauro, o escriba, seja bem vindo à Academia de Letras de São João da Boa Vista, a partir de hoje, esta é também sua casa. Você a honrará. Com certeza.
ps: Agradeço, ainda, o confrade e colega e jornal, Clóvis Vieira, que gentilmente atendeu meu convite e arrasou declamando poemas de Christino Cardoso de Pádua e Castro Alves.
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
22:31 — Arquivado em: 

Comentário por Marcelo Belóquido — 12.8.07 @ 17:50
De parábéns a Maria Célia pela bela homenagem ao recém-imortal (meio paradoxal isso) dos crepúsculos.
Recomendações a todos, extensivas ao Barão de Macaúbas.