30.8.07
I like brazilian sky

Terça-feira destas, 10 da noite, a reunião do Rotary termina, Albert sai à rua, olha para o alto, ergue os braços e se entusiasma com as estrelas no infinito: "I like brazilian sky!" ["Eu gosto do céu brasileiro!"]. A exclamação vem num inglês bem carregado de temperos asiáticos.
Albert é o nome ocidental de Chou Ping Yi, adolescente taiwanês recém-chegado nesta Sanja, e que também veio beber a água do Jaguari através do programa de intercâmbio de jovens.
E este escriba, de novo, se arvora como intrépido inquiridor para ouvir o neo-crepuscular do oriente.
O bate-papo abaixo reproduzido deu-se durante um prosaico mas gostoso jantar na residência deste que vos fala. Lá pelas 9 da noite, depois de se fartar com mandioca e bolinho de carne, foi preciso acelerar a conclusão da entrevista para Albert assistir São Paulo X Palmeiras na casa de um amigo. Ele revelava a ansiedade pelo jogo quando socava as mãos no gesto simbólico e universal de confronto e soltava num português muito engraçado: "San Pálo i Palmêlas!".
Por que fazer intercâmbio no Brasil?
Porque eu sempre quis conhecer o Brasil. No futuro, quando estiver trabalhando, acho que terei muitas oportunidades de conhecer EUA e Europa, mas as possibilidades de eu viajar a trabalho para o Brasil são muito pequenas. Então eu escolhi viajar para cá. Estou gostando muito, espero um dia morar aqui com minha futura esposa e até ter filhos no Brasil.
E seus pais, aprovaram a escolha do país?
Eles ficaram muito entusiasmados quando escolhi o Brasil, e concordaram comigo que seria uma oportunidade única de vir para cá. Eles não só aprovaram, como me empurraram para fazer intercâmbio no Brasil.
Antes de aqui chegar, o que você sabia sobre o Brasil?
Um país muito quente, alegre. Eu também conhecia a “capoêla”, que é um esporte muito popular em Formosa (Taiwan). E, claro, conhecia o Brasil pelo melhor futebol do mundo e pelas top models brasileiras, as mulheres mais lindas do mundo.
Como é ser adolescente em Taiwan?
Em Taiwan os jovens praticam muitos esportes. Os meus preferidos são basquete, ping-pong e sinuca. Eu e meus amigos nos divertimos indo ao cinema ou simplesmente andando pelas ruas movimentadas, olhando as lojas. Nos dias de semana, eu fico na escola das 7 da manhã até 5 da tarde, depois, normalmente, eu janto em restaurantes com minha família, volto para casa, tomo banho, faço as lições da casa e vou para a cama.
O que tem de melhor e o que tem de pior em Taiwan?
Eu acho bom em Taiwan a tecnologia muito avançada. A vida lá gira em torno da tecnologia. A tecnologia ajuda a melhorar a vida das pessoas. O que eu não acho bom no meu país é a vida muito corrida, as pessoas sempre ocupadas, muita gente aglomerada. Também é muito ruim a poluição, o ar é sujo. Aqui no Brasil, à noite, você pode ver muitas estrelas no céu. Em Taiwan, por causa da poluição, você não consegue ver nada no céu.
Você já consegue identificar o que você não gosta na cultura brasileira?
Eu gosto do povo, do país e do coração grande das pessoas daqui, mas, honestamente, eu fiquei surpreso com o costume de beijar todas as meninas. Em Taiwan, eu só beijo a minha namorada. Sei que aqui todos fazem, mas eu não gosto disso.
Como seus pais escolheram seu nome (Chou Ping Yi)? E, também, como escolheram o nome ocidental Albert?
A explicação é muito difícil. Não consigo explicar a escolha em inglês, mas posso dizer que cada palavra tem um significado. O nome Albert foi minha mãe que escolheu, mas não há um motivo especial para a escolha. Ela gostava do nome e só. Todos em Taiwan têm um nome ocidental. Se você vai à escola e não tem um nome ocidental, a professora escolhe um para você. Nós estudamos inglês, e para estudar inglês nós achamos que temos que ter um nome que não seja taiwanês. Faz parte da nossa cultura.
Por que, em Taiwan, vocês comem tanto em restaurantes?
A razão é porque todos trabalham muito e não têm tempo de cozinhar. Até o café-da-manhã nós tomamos fora de casa. Eu almoço na escola e meus pais, normalmente, almoçam em restaurantes. E têm dias que eles nem almoçam. À noite, depois de um dia duro, é mais fácil comermos em restaurantes. Estou adorando o costume brasileiro de fazer todas as refeições em casa, com a família reunida. [Fim]
Pressão e solução
No 0800, quase impossível falar. Via e-mail, disseram-me que o valor a mais era o correto e que o desconto acordado só valeria para a próxima fatura. No mesmo canal eletrônico, fui comunicado que este não era —em pleno século 21— o meio adequado para pedir o cancelamento da assinatura. Ok, senhores! Enviei minha queixa à seção de defesa do consumidor da Folha de São Paulo, "A Cidade é Sua". Não deu 24h e os bons samaritanos da SKY me ligaram com mil desculpas dizendo que sim, o valor combinado com desconto já estaria vigendo. Portanto, meus caros, se necessário, em casos de reclamação de consumo, "A Cidade é Sua" em cima deles:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/acidadeesua/
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
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