29.7.07
Posse na Academia Macaúbica

Na foto, o orgulhoso clã (além dos sânjicos, prima Ana Paula e primo Kiko Sucupira botaram a caranga na estrada pra prestigiar a posse)
(sequência do discurso)
Mantiqueiros confrades e mantiqueiras confreiras, noves fora a minha preguiça de férias e a minha ignorância quase cabal sobre Castro Alves, tentei cumprir da melhor maneira minha lição de casa de pesquisar sobre o patrono.
Na minha parca bagagem, meus caros, nada tenho além de folias lítero-jornalísticas, colaborações de alguns anos na imprensa desta Sanja e, mais recentemente, um virtual blog onde minhas crônicas e outras elucubrações são postadas periodicamente.
Não fossem os empurrões da Maria Célia e da Clineida, minha postulação a esta Casa jamais seria voluntária. Embora confetes de acadêmicos não sejam raros acerca de meus escritos, julguei —equivocadamente, agora sei— que minhas pândegas linhas não seriam, digamos, adequadas a uma Casa de tal e tamanha espessura literária.
Já enveredei muito por pesadas e cinzentas reflexões políticas. O empresariado e o Poder Público, meus clientes no ganha-pão, são sensíveis a opiniões mais partidárias e contundentes. Pelo básico instinto de sobrevivência, passei a lavrar sobre temas mais amenos —e com uma pena mais leve e cheia de troça. E devo admitir que gostei da brincadeira. E pela repercussão dos escritos, acho que o mote menos denso proporciona mais desvarios literários. Nesse estilo, a crítica e opiniões mais ácidas, quando inevitáveis, não perdem a força quando vêm em embalagens sutis e com cores menos berrantes.
Carlos Heitor Cony, imortal da ABL, meu ídolo nesse vezo libertário e despretensioso disse: “Não tenho disciplina mental para ser de esquerda, nem firmeza monolítica para ser de direita. Tampouco me sinto confortável na imobilidade tática, muitas vezes oportunista, do centro.”
Aproprio-me da assertiva genial e acrescento: um débil ideológico e provinciano assumido por gosto e opção que escreve sobre atualidades mantiqueiras, histórias crepusculares, hábitos macaúbicos, crônicas, devaneios e outras viagens.
Citei Cony como ícone maior do viés blasé e sou obrigado a citar Luis Fernando Veríssimo como referência magna nas linhas de humor. Por mais paradoxal que pareça, e é, Luis Fernando Veríssimo é dono de um texto popular-refinado, e sabe, como ninguém, radiografar a alma da classe média brasileira.
Acadêmicos destes terrões da Beloca, tomo posse não me furtando em admitir minha total cegueira histórica e regimental da Casa. Tampouco tenho claro o papel da Arcádia na comunidade. Tenho uma vaga idéia e uma vontade enorme de, parafraseando Bento 16 que se disse “um humilde trabalhador na vinha do senhor”, ser um simples, mas atuante operário das letras. E mais, pra não ficar só em promessas abstratas, ser um agente efetivo na difusão dos hábitos literários nesta província de belos crepúsculos.
Cria da larga e arborizada Tereziano Vallim, filho de bancário e professora, neto de costureira legendária, tenho muitas dúvidas e algumas crenças. Acredito nos alicerces da família, no valor das boas amizades, na necessidade de preservação e exaltação dos referenciais históricos, no prazer da boa mesa, no deleite de uma boa leitura, no alimento para a alma de uma boa viagem, enfim, na capacidade infinita de satisfação, criação e superação do ser humano.
Falar em público é, sem dúvida, uma difícil missão para este escriba, sobretudo num momento em que transpiramos emoção. Espero ter honrado com estas linhas a tradição da Casa.
E espero, mais ainda, atender às expectativas dos meus pares no cultivo da língua e na valorização ao bom verbo.
E, por fim, agradeço quem atura minhas chatices cotidianas, minha esposa e meu filho, meu esteio, minha família, minha vida, meu tudo…
Saudações crepusculares,
Muito obrigado e que Deus abençoe a todos.
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
17:15 — Arquivado em: 

Comentário por Jose Ricardo Noronha — 29.7.07 @ 21:30
Grande Lauro,
Diretamente da “Cidade que nunca dorme” (eternizada por Frank Sinatra), envio o meu caloroso abraco pela sua merecida cadeira na Cadeira na Academia de Letras da nossa querida e crepuscular Sao Joao da Boa Vista!
Cheers!!
Jose Ricardo Noronha
Comentário por João Fernando — 30.7.07 @ 7:47
Parabéns Lauro.
Voce (e seus textos) merece(m)!!!
~João Fernando
Comentário por Pajolli — 30.7.07 @ 8:53
Lauro,
parabéns pelo ingresso na Academia, parabéns pelo discurso, digno de um imortal, conciso e apropriado para a ocasião.
Sucesso
Pajolli
Comentário por Ana Lucia Finazzi — 31.7.07 @ 12:49
Caro Lauro,tudo bem?
Adorei teu Blog.Parabéns.Tenho acompanhado as propostas para as Maravilhas de Sanja. Já incluÃram a “Chácara das Macaubeiras”? Esta não pode faltar na eleição presidida pelo macaúbico articulista.
Um abraço e , mais uma vez, parabéns!
Ana Lucia
Comentário por José Carlos Sibila Barbosa — 31.7.07 @ 12:51
Acadêmico Lauro.
Satisfação em tê-lo conosco.
O presidente Sergio enviou-me o convite para sua posse, mas infelizmente não me foi possÃvel comparecer na data marcada.
Deixo-lhe, portanto, as minhas boas vindas e muita produção literária.
José Carlos Sibila Barbosa.
Comentário por Maria Ines Prado — 31.7.07 @ 12:54
Prezado Lauro,
Seja bem-vindo a nossa casa.
Sinto nao estar presente a sua posse, por motivo de viagem. Ha um mes vim pra os E.U., volto no proximo domingo.
Enviei e-mail ao Sergio Meirelles, justificando minha ausencia.
Aprecio muito seu trabalho e desejo que continue colhendo bons frutos, como artesao da palavra.
Abraco,
M.Ines Prado
Cadeira 36
Patronesse - PAGU