Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

1.6.07

Aromas de São Pedro

Águas de São Pedro, o menor município do Brasil. Este proseador, vertendo o nobre suor do trabalho, passou a semana na minúscula localidade. O patrão quer gestores com expertise em mercado financeiro. A gerentada num hotel, imersa, bombardeada com altas doses de fundos de investimentos, bolsas de valores, derivativos e outros bichos dos balcões do capitalismo.
Baixas temperaturas numa cidade aborrecida. Estudos e debates sobre um assunto, digamos, nada empolgante. Pra usar uma figura de linguagem do meu cronista-guru, Xico Sá: chupei o frio chicabon da solidão.
Mas nem só tons pastéis dominaram os dias de reunião. Ver e rever colegas de outras plagas é o quente chocolate da vibração.
Vibrante, também, é a cozinha do Jerubiaçaba Hotel —Jeru, para os íntimos. O chef pilota bem as caçarolas e entretém com aromas os que se entediam com a falta de entusiasmo do lugar.
O bufê de saladas é algo multi. Multiforma e multicromático. A aquarela de molhos extrapola na quantidade e qualidade: morango, maracujá, abacaxi, manga, coco, figo, caju, além dos clássicos, tártaro, mostarda e golf. Tem molho pra encher a piscina do hotel.
Sempre duas opções de carne, peixe ou frango. O glutão aqui sempre tende para nacos do traseiro bovino e, por isso, se exultou com o festival de steaks, escalopes e filés, todos eles corretamente servidos no ponto rosa-vermelho-sangue da suculência. Os ruminantes não sofreram em vão.
Massas e risotos de todas as estirpes também foram agradáveis surpresas diárias. No capítulo risotos, santo arroz turbinado!, o de alho-poró e o de abóbora merecem troféu, medalha, menção especial, placa e estátua na praça.
E em todas as noites, noves fora o menu já louvado, caldos densos, saborosos e plurais pra espantar o gélido clima.
A mousse de manga alcançou índices estratosféricos no ibope das sobremesas. Num dia de absoluto descontrole, mandei duas de uma vez e contrabandeei outra para o quarto.
Meu amigo e colega, o simpático japa Sérgio Toshimassa, me alertou para o pudim de leite condensado. Era de outra galáxia, segundo ele. Pela aparência, julguei equivocadamente que o doce tinha um pedigree de padaria. Não tinha. Comi, repeti e trepeti o pudim de outra galáxia prescrito pelo japa.
A competência profissional do Toshimassa é distinguida em prosa e verso por todos. O que ninguém sabia, bendito faro!, é a perícia dele em avaliar e recomendar pudins.
Arigatô, Japa!!!

Na pedra
E sem sair da mesa, noite destas, fria sexta-feira, poucos e bons se reuniram no Rotary para saborear uma tal fortaia. Coisa de louco!!
Numa mesa de pedra, despeja-se a polenta mole. Pimenta doce é colocada nas bordas e cobre-se a pasta de fubá com bacon, calabresa, carne de porco, rúcula, ovos estalados e queijo.
Celso Zerbetto e seu talento gastronômico já foram festejados em outra crônica —o cara é o criador do Dona Lindona, um sanduba ícone destas terras crepusculares. De novo, e merecidamente, este escriba bom de garfo aplaude o amigo que tão bem domina a arte culinária.

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Calvário
Reinaldo Azevedo, no seu blog:
“Se Renan insiste nessa história do calvário, é porque espera, depois, a grande absolvição e a vida eterna. Pra mim, tá bom. Mas não podemos abrir mão da crucificação.”

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    3:59 — Arquivado em: Sem categoria

2 Comentários »

  1. Comentário por Sergio Japa — 1.6.07 @ 20:29

    Bondade sua, bondade sua, ó nobre escriba!Imagino assim: o Senhor em sua magnânima capacidade nos dá todos os dons, em pequenas sementes (ou serão mudas?). Mas elas não crescem sozinhas, jamais. Necessitam que as pessoas ao nosso redor fiquem regando-as com doses grandiosas de bondade, de generosidade, de carinho, paciência e alegria! Os que eu ganhei ( ou recebi emprestados?)estão tãa viçosos…por causa dos amigos como você!

  2. Comentário por Marcelo Macaúbico — 2.6.07 @ 12:00

    Ah, meu caro escriba. Que saudade dos tempos de vacas bem menos magras, quando passei 3 dias (e olhe lá!), no Grande Hotel, lá em Águas. Seu texto me fez voltar pra lá, no início dos 90. Só discordo do ponto rosa-vermelho-sangue da suculência. Aí, não. Se fosse comigo o bife voltava pro chef, mesmo sabendo dos riscos do “molho especial” que poderia ganhar… Os puristas e entendidos que me desculpem, mas tem que ser bem-passado!

    Inté.

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