Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

18.5.07

Aplicação Sorvética

Neste espaço de prosa galhofeira, o escriba fez troça quando da vinda de George Bush ao Brasil. Na lavra “O combustível macaúbico”, o texto “viajou” sobre a aterrissagem do norte-americano em plagas crepusculares atrás da energia da macaúba. E não é que o verbo pândego tinha lá um naco de verdade.
Sim, macaúbicos orgulhosos, encham o peito, berrem pra todo mundo ouvir: há tempos pesquisa-se a fabricação do biodiesel a partir da macaúba.
Recomendo o orgulho, sim, mas fiquem com um pé atrás [desçam alguns parágrafos e saibam o porquê].
Diego Mendes, em reportagem gelada e saborosa na última edição d’O MUNICIPIO, entrevistou um engenheiro agrônomo, Rogério Salviani, que revelou as experiências energéticas com o coquinho gosmento.
Louvo a ciência, mas muito cá pra nós, acho que a humanidade tem mais a ganhar com macaúba no sorvete do que empurrando carros mundo afora. Ando a pé, mas não abro mão do paladar exótico.
Chávez e Fidel, mais por política do que convicção, andam por aí esperneando contra o modismo do etanol. Diz a dupla de tiranos latinos que o aumento de terras destinadas ao cultivo da cana fará com que a fome atinja níveis nunca vistos no planeta.
Nunca levei a sério as patacoadas dos dois, mas agora a coisa é comigo. Compro uma passagem para Havana e faço passeata em Caracas se a macaúba sumir das casquinhas pra ficar só com motores.
Conclamo os crepusculares espalhados pelo planeta a aderir ao Movimento em Defesa da Aplicação Sorvética da Macaúba.
O Movimento se reunirá pela primeira vez no domingo, 10 da manhã, lá na sorveteria da D. Pedro II. Fidel e Chávez não vêm, mas enviarão representantes. Os presentes ganharão um kit composto de camiseta, apito e máscara da Dona Angelina.


Efeito contrário
A preguiça de um sedentário —que precisa malhar toda noite para emagrecer e caber num terno— faz parar por aqui as indignações macaúbicas. Josi me disse que o exercício físico libera no organismo uma substância estimulante. Sei não, mas acho que comigo o efeito é inverso.
Como a lingüiça tem que ser enchida, vamos enchê-la com o melhor da crônica tupiniquim. Vai Xico, vai Xico Sá, conta pra nós quem é o bicho simples e besta:

 
“Das tragédias masculinas a cegueira pelo futebol sempre foi a mais grega e incompreensível por parte das mulheres. A loucura ludopédica é paixão sem medida, sem luz, enviesada, carregada de todas as trevas, capaz de fazer a criatura trocar um romântico cinema-de-mãos-dadas por uma pelada qualquer, debaixo de chuva, mesmo que seja contra o Íbis, considerado, amigas, vejam só, o pior time do mundo, mesmo que a donzela não acredite que isso seja humanamente verossímil. Não há miséria maior para a alma masculina do que o apego aos onze semelhantes que o defendem na mais épica das batalhas. O grito fanhoso de gol que vem de lá dos porões de todos os canteiros de obras, do fundo da mais suja das pensões de Santa Cecília, São Paulo, ou do sótão onde morei na Barão de São Borja, no Recife de todas as dores de amores emparedadas. Domingos capazes de derrotar o mais brutamontes dos homens, o mais seco, o mais sem emoção, o mais sem sangue nas veias. É, amigas, não há tragédia mais incompreensível do que a devoção por aqueles marmanjos suados tentando acertar o barbante inimigo. Embora algumas mulheres curtam também futebol e já tenham decifrado até a lei do impedimento, não há fêmea que compreenda essa nossa linda infantilidade. Meus Deus!, como o homem é um bicho simples e besta.” (texto surrupiado do blog: http://carapuceiro.zip.net/)

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    0:30 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por Marcelo Pirajá Sguassábia — 18.5.07 @ 12:22

    Mal sabia o Sr. Críticas, baluarte da TFP, que o escriba estava falando sério em sua aparente sandice. Não, não, o mais rotundo e veemente não a macaubais de grandes extensões, às palmeiras perfiladas de 2 em 2 metros. Não à macaúba de agribusiness, à macaúba transgênica. Boa é a macaúba de quintal, de fazenda de viúva, de casa de tia véia, única e exclusivamente para aplicação sorvética. Belo texto, Crepusculauro!

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