Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

7.2.07

Sanja em prosa

Nova coluna deste blogueiro deve nascer no próximo sábado nas páginas d’O MUNICIPIO

Nova vizinhança

 

Instância máxima, o Supremo Conselho Editorial se reúne pra deliberar sobre mudanças e um redesenho no jornal. Discussão vai, discussão vem, o martelo é batido acerca de algumas questões cruciais.
 E, dentre estas, decide-se que a página 2 deve passar por um processo de “desbrincadeirização”. Trocando em miúdos: o nobre espaço deve receber altas doses de seriedade e se livrar de qualquer pena galhofeira. O cinza informativo e sisudo deve imperar sobre qualquer esboço de fantasia anárquica.
 Vítima número um do choque de compostura, o Escriba Crepuscular agora tem suas parvoíces estampadas neste cabeçalho no meio do 2º Caderno.
 Cortamos a fita da nova coluna —sim, agora é coluna fixa com direito a nome— batendo um pingue-pongue com o Escriba:

 

 Novo espaço. Coluna fixa com nome e tudo. Muda alguma coisa na linha das crônicas?
 Escriba jornalético e internético, botei no meu blog uma síntese do que lavro: “Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, Crônicas, Devaneios e outras viagens. Só quero ver a banda passar, só quero ver a Sanja passar…”. Até por falta de talento pra coisa melhor, prossigo nesse andor repetitivo de ficção temperada com cenários reais. E vamos deixar a Sanja passar.

 Já sabe quem serão seus novos vizinhos?
 Ouvi dizer que a Clineida e o Marcelo Sguassábia —respondo sem saber se eles estão por aí— dividirão a página com este inepto escrevinhador. A nova vizinhança é o ‘crème de la crème’ da crônica crepuscular. Sinto-me honrado em tê-los nas redondezas. Mas, ao mesmo tempo, acho que isso vai ser ruim pra mim. Minha escrita é banal perto da deles, e comparações entre nós serão inevitáveis, com evidente desvantagem para o escriba que ora responde a estas intrépidas indagações. Agora, não há dúvida da generosidade deles. Clineida e Marcelo são como aqueles vizinhos de antanho, aqueles com quem você pode contar a qualquer hora do dia ou da noite pra pedir uma xícara de açúcar ou uma aspirina. Abusado e glutão, devo importuná-los nas madrugadas implorando por um naco de toucinho e meio litro de Coca.

 Você tem alguma mania, superstição, quando inicia algum novo trabalho?
 Mania?… tenho. À meia-noite de uma sexta-feira eu dou sete cambalhotas no meio da Tereziano Vallim. As cambalhotas têm que ser no sentido bairro-centro. Na manhã seguinte eu devoro sete bolas de sorvete de macaúba. Quando da primeira lambida, minha língua deve estar voltada na direção da antiga padaria da Maximina. Ah!, tem também uma coisa que eu acho mais devoção do que superstição: eu rezo e peço luz pra Nossa Senhora dos Crepúsculos Maravilhosos.

 Você tem um lema de vida, um ditado recorrente?
 Adoro frases-clichê, citações de almanaque, filosofias de botequim. Tudo o que é piegas é comigo mesmo. Ultimamente, no entanto, tenho tido algumas recaídas sartrianas. Profundo, Ed Motta constata numa das suas baladas dançantes: “(…)o mundo é fabuloso, o ser humano é que não é legal(…)”.

 

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    23:19 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por Marcelo — 9.2.07 @ 22:57

    Quem se sente indigno da nova vizinhança sou eu, ó Augusto Lauro. Assim como serei eu a bater à sua porta, em busca de uma colher bem cheia de ironia fina quando me faltar inspiração. Minha coluna é “Líricas Bulhufas”. Apareça, vizinho. Já mandei coar um café e bater um bolo de fubá.

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