Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

23.1.07

Pílulas autobiográficas

 João Paulo 2º, por gosto e ofício, foi um papa viajante. E nas suas viagens imortalizou um dos mais belos gestos da História: ao descer do avião, o pontífice beijava o solo da pátria visitada. Tocante sinal de respeito e humildade para com os anfitriões.
 Este cronista, herege e plagiador, repetiu o gesto dia destes. Depois de uma semana infernal de labuta no exílio limeirense, aterrissei em Sanja, pulei do carro e não resisti. Beijei o asfalto da Tereziano Vallim. Beijei o beijo do reencontro. Beijei o beijo de quem padece da saudade. Beijei o beijo do crepuscular desterrado. (nota: o blog recomenda aos leitores que não repitam o gesto do signatário deste espaço; o beijoqueiro em questão foi acometido por uma purulenta infecção labial)

 

 Boa noite, Brasil!
 No início dos anos 80, Flávio Cavalcanti —aquele do indicador pra cima chamando “os nossos comerciais, por favor”— foi encerrar sua carreira de apresentador na Band. Sei lá porque diabos, eu gostava daquele estranho animador de auditório com discurso de direita. Ele tinha um quadro no qual ligava aleatoriamente para um número em qualquer lugar do país. Se no número ligado, o atendente berrasse “boa noite, Brasil!”, faturaria a pequena fortuna de Cr$ 100.000,00. Pois bem, sabedores da minha fissura no programa, uns delinqüentes meus amigos da Tereziano de antanho me ligaram sincronizados com a ligação do Flávio Cavalcanti. Naquela época era raro extensão telefônica nas residências, e eu, por isso, cruzei toda a casa derrubando o que tinha pela frente —ele só esperava cinco toques—, peguei o fone, enchi o peito e esgoelei o bordão. Gargalhadas espocaram do outro lado da linha. (nota: o blog não quer que seus leitores sejam vítimas de trotes zombeteiros e, por isso, recomenda aos incautos a rápida aquisição de um identificador de chamadas)

 

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 Happy Village
 Bairro Alegre, churrasco entre amigos numa aprazível chácara. Minha amiga Paula, crepuscular exilada na Califórnia, convida um dentista ianque pra saborear as picanhas. Um bancário metido a escriba põe-se a gastar seu sofrível inglês para cornetear ao forasteiro as belezas desta Sanja. “Wonderful twilights, oh!, lindos crepúsculos”, “macaúba, oh!, the big flavour, delicious”.  Lá pelas tantas, o cara me inquire sobre o lugar em que estamos. Aí é fácil: “We are in Happy Village, oh!, the nice place”. Meu filho, que patrulhava à distância minha incursão anglicista, reprova o “mico” do pai: “Pai, Happy Village?! Tenha dó! Nomes de pessoas, de lugares, de cidades, a gente não traduz. Bairro Alegre é Bairro Alegre, só. Não inventa. (nota: o blog não quer que seus leitores paguem “micos” e, por isso, recomenda aos aventureiros em outros idiomas a urgente matrícula num curso de línguas)
 
 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    20:05 — Arquivado em: Sem categoria

2 Comentários »

  1. Comentário por guilherme — 23.1.07 @ 22:57

    Muito bom seus comentários

  2. Comentário por Marcelo Macaubês — 27.1.07 @ 7:33

    Ótima essa do Bairro Alegre! Nesse link raro do Flavio Cavalcanti dos tempos da Tupi aparece o saudoso Sérgio Bittencourt, filho do ainda mais saudoso Jacob do Bandolim. Seriam parentes do escriba?

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