16.1.07
A defesa do indigitado
O lambanceiro mija, assume o jato, mas se defende. Leiam a réplica ao post LAMBANCEIRO DO RÉVEILLON:
“Caro escriba, a esta altura da vida, entrado nos quarenta, já não mais aspiro a fama. Na juventude, tocava sax e queria todos os holofotes sobre a minha insossa bandinha de jazz. O meu débil talento fez sumir o quarteto e a minha cobiça em tocar num barzinho de New Orleans. Hoje, recôndito no pé da Mantiqueira, só quero laborar com dignidade e envelhecer sob as bênçãos dos crepúsculos. Só isso. Você, com essa modinha ‘big brother’ de devassar intimidades, fez ruir o conforto do meu anonimato. Sua pena, invasiva e metida a zombarias, me causou uma notoriedade que eu abomino. Veja a que ponto chegou a coisa: um grupo de garotos instigados pelos pais me pediu autógrafo na mesa do Tekinfin. E, pior, me abordaram com aquela tontice que você chama de idioma neném, ‘Tio, dá um autógafo pá mim e sama aquela mina de totosa’. Não nego minha descontração no Réveillon. O que contesto na crônica, e com veemência, é aquela suposta e absurda esbórnia perpetrada pela minha pessoa. Sobre aquela amontoado de asneiras que você escreveu, sou compelido a me manifestar.
1- Não mais freqüento as missas dominicais no Perpétuo. Hoje em dia só vou às missas no Rosário. O pároco de lá é camarada meu, me deixa tocar sax a arranjar os cânticos numa embalagem jazzística;
2- Ao contrário do que você disse, cochilei uma vez, sim, no sofá da minha sogra. Foi em 1986 depois do Brasil ser eliminado pela França na Copa do México. O Zico errou o pênalti, eu errei a dose e, horas mais tarde, acordei com as bochechas marcadas daqueles botões de sofás antigos;
3- A morena de curvas salientes não usava vestido. Ela usava uma saia chiquérrima verde-floresta, toda plissada e com bordado rococó nas laterais. Ui!;
4- A bebida faz emergir alguns trejeitos da minha tenra idade. Não é por vontade própria que me ponho a falar no idioma neném. Já estou fazendo terapia pra me curar desta linguagem infantilóide. O doutor Jairo projeta a minha alta pra daqui uns oito anos. Não brinque, portanto, com patologias alheias;
5- Urinei, sim, nas plantinhas da dona Salma. Mas não o fiz por sem-vergonhice nem por abusos etílicos. O padre do Rosário, camarada meu, leu em algum lugar que a urina tem fantásticas propriedades adubantes. Em vez de desperdiçar meu xixi fertilizante naqueles horrendos banheiros químicos, preferi contribuir para a beleza e saúde do nem sempre garboso jardim da dona Salma.
Por ora, é só. Certo desta missiva replicante ter o mesmo destaque da crônica, agradeço.
Guaracy Crepuscular de Sanja.”
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
22:36 — Arquivado em: 

Comentário por Marcelo Macaubês — 18.1.07 @ 20:35
Tô me mijando de rir!!! kkkkkkkkkkk!! Mais uma estupendamente lavrada.