Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

27.1.07

My way

Tenho que agradecer. Agradecer muito ao Homem lá de cima. Agradecer a volta semanal pra casa. Vou beijar os meus. Vou comer com os amigos. Passo a ‘ponte do arco’ com o Sinatra a plenos pulmões no cd player. Buzino alopradamente. Roberto falou numa canção que o cachorro lhe sorri latindo. Aqui é o crepúsculo que me sorri brilhando. E o Sinatra louva a metrópole em “New York, New York”. Não, Frank, o amor acho que é o mesmo, mas aqui é Sanja. “My way” cairia melhor. É isso, Sanja é my way, meu caminho. É isso.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    16:05 — Arquivado em: Sem categoria

25.1.07

Pílulas de grife

E mais uma da série "Pílulas Autobiográficas". O episódio me foi revelado por uma Pirajá de quatro costados sobre seu primo, Marcelo Pirajá Sguassábia, meu amigo e colega de lavras n’O MUNICIPIO. Provocado a se manifestar, Marcelo não só confessou a "pílula", como a dourou para os leitores deste blog. E mais, distribuiu outras "pílulas" da grife Pirajá. Vai lá, Marcelão, entrega todo mundo:

"Morava a umas quatro quadras da agência, por isso ia a pé ao trabalho. Naquela segunda-feira de 1988 precisava ir ao mercado na hora do almoço e, excepcionalmente, fui de carro pra labuta. Na volta, não encontrei vaga no estacionamento e deixei o carro na rua. Após o expediente, não tive dúvida: voltei, como de hábito, caminhando pra casa. Esqueci completamente do possante, estacionado próximo a uma espelunca de aluguel de roupas, num dos pontos menos recomendáveis do centrão de Campinas. Só dei pela falta no sábado de manhã, cinco dias depois, quando precisei sair pra comprar fraldas pra minha filha. Aí caiu a ficha. Corri esbaforido ao local onde havia deixado o carro, só pra confirmar o roubo. Dobrei a esquina que dava pra rua onde o tinha deixado. As mãos cobrindo o rosto, abri devagarinho os olhos, tamanho o medo de encarar o inevitável. E ele estava lá. Não sei como, mas estava. Só dava ele, sozinhão.

O mal da distração é hereditário. Quando morávamos em Americana, minha mãe, que tinha um fusca amarelo-gema, quase foi abordada pela polícia ao insistir em abrir a porta de um corcelzinho azul que estava parado próximo. Isso pra não falar do meu avô, o velho Dr. Pirajá, que ao estacionar no açougue ou na quitanda largava seu carro rabo-de-peixe com as portas abertas e o motor ligado. Sopa no mel pro bandido. Mas naquele tempo ainda se amarrava cachorro com lingüiça…"

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    21:55 — Arquivado em: Sem categoria

23.1.07

Pílulas autobiográficas

 João Paulo 2º, por gosto e ofício, foi um papa viajante. E nas suas viagens imortalizou um dos mais belos gestos da História: ao descer do avião, o pontífice beijava o solo da pátria visitada. Tocante sinal de respeito e humildade para com os anfitriões.
 Este cronista, herege e plagiador, repetiu o gesto dia destes. Depois de uma semana infernal de labuta no exílio limeirense, aterrissei em Sanja, pulei do carro e não resisti. Beijei o asfalto da Tereziano Vallim. Beijei o beijo do reencontro. Beijei o beijo de quem padece da saudade. Beijei o beijo do crepuscular desterrado. (nota: o blog recomenda aos leitores que não repitam o gesto do signatário deste espaço; o beijoqueiro em questão foi acometido por uma purulenta infecção labial)

 

 Boa noite, Brasil!
 No início dos anos 80, Flávio Cavalcanti —aquele do indicador pra cima chamando “os nossos comerciais, por favor”— foi encerrar sua carreira de apresentador na Band. Sei lá porque diabos, eu gostava daquele estranho animador de auditório com discurso de direita. Ele tinha um quadro no qual ligava aleatoriamente para um número em qualquer lugar do país. Se no número ligado, o atendente berrasse “boa noite, Brasil!”, faturaria a pequena fortuna de Cr$ 100.000,00. Pois bem, sabedores da minha fissura no programa, uns delinqüentes meus amigos da Tereziano de antanho me ligaram sincronizados com a ligação do Flávio Cavalcanti. Naquela época era raro extensão telefônica nas residências, e eu, por isso, cruzei toda a casa derrubando o que tinha pela frente —ele só esperava cinco toques—, peguei o fone, enchi o peito e esgoelei o bordão. Gargalhadas espocaram do outro lado da linha. (nota: o blog não quer que seus leitores sejam vítimas de trotes zombeteiros e, por isso, recomenda aos incautos a rápida aquisição de um identificador de chamadas)

 

CLIQUE AQUI E CONHEÇA O FLÁVIO CAVALCANTI

 

 

 Happy Village
 Bairro Alegre, churrasco entre amigos numa aprazível chácara. Minha amiga Paula, crepuscular exilada na Califórnia, convida um dentista ianque pra saborear as picanhas. Um bancário metido a escriba põe-se a gastar seu sofrível inglês para cornetear ao forasteiro as belezas desta Sanja. “Wonderful twilights, oh!, lindos crepúsculos”, “macaúba, oh!, the big flavour, delicious”.  Lá pelas tantas, o cara me inquire sobre o lugar em que estamos. Aí é fácil: “We are in Happy Village, oh!, the nice place”. Meu filho, que patrulhava à distância minha incursão anglicista, reprova o “mico” do pai: “Pai, Happy Village?! Tenha dó! Nomes de pessoas, de lugares, de cidades, a gente não traduz. Bairro Alegre é Bairro Alegre, só. Não inventa. (nota: o blog não quer que seus leitores paguem “micos” e, por isso, recomenda aos aventureiros em outros idiomas a urgente matrícula num curso de línguas)
 
 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    20:05 — Arquivado em: Sem categoria

16.1.07

A defesa do indigitado

O lambanceiro mija, assume o jato, mas se defende. Leiam a réplica ao post LAMBANCEIRO DO RÉVEILLON:

 

 

“Caro escriba, a esta altura da vida, entrado nos quarenta, já não mais aspiro a fama. Na juventude, tocava sax e queria todos os holofotes sobre a minha insossa bandinha de jazz. O meu débil talento fez sumir o quarteto e a minha cobiça em tocar num barzinho de New Orleans. Hoje, recôndito no pé da Mantiqueira, só quero laborar com dignidade e envelhecer sob as bênçãos dos crepúsculos. Só isso. Você, com essa modinha ‘big brother’ de devassar intimidades, fez ruir o conforto do meu anonimato. Sua pena, invasiva e metida a zombarias, me causou uma notoriedade que eu abomino. Veja a que ponto chegou a coisa: um grupo de garotos instigados pelos pais me pediu autógrafo na mesa do Tekinfin. E, pior, me abordaram com aquela tontice que você chama de idioma neném, ‘Tio, dá um autógafo pá mim e sama aquela mina de totosa’. Não nego minha descontração no Réveillon. O que contesto na crônica, e com veemência, é aquela suposta e absurda esbórnia perpetrada pela minha pessoa. Sobre aquela amontoado de asneiras que você escreveu, sou compelido a me manifestar.

 

1- Não mais freqüento as missas dominicais no Perpétuo. Hoje em dia só vou às missas no Rosário. O pároco de lá é camarada meu, me deixa tocar sax a arranjar os cânticos numa embalagem jazzística;

2- Ao contrário do que você disse, cochilei uma vez, sim, no sofá da minha sogra. Foi em 1986 depois do Brasil ser eliminado pela França na Copa do México. O Zico errou o pênalti, eu errei a dose e, horas mais tarde, acordei com as bochechas marcadas daqueles botões de sofás antigos;

3- A morena de curvas salientes não usava vestido. Ela usava uma saia chiquérrima verde-floresta, toda plissada e com bordado rococó nas laterais. Ui!;

4- A bebida faz emergir alguns trejeitos da minha tenra idade. Não é por vontade própria que me ponho a falar no idioma neném. Já estou fazendo terapia pra me curar desta linguagem infantilóide. O doutor Jairo projeta a minha alta pra daqui uns oito anos. Não brinque, portanto, com patologias alheias;

5- Urinei, sim, nas plantinhas da dona Salma. Mas não o fiz por sem-vergonhice nem por abusos etílicos. O padre do Rosário, camarada meu, leu em algum lugar que a urina tem fantásticas propriedades adubantes. Em vez de desperdiçar meu xixi fertilizante naqueles horrendos banheiros químicos, preferi contribuir para a beleza e saúde do nem sempre garboso jardim da dona Salma.

 

Por ora, é só. Certo desta missiva replicante ter o mesmo destaque da crônica, agradeço.

Guaracy Crepuscular de Sanja.”
 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    22:36 — Arquivado em: Sem categoria

15.1.07

Beijo no asfalto

João Paulo 2º, por gosto e por ofício foi um papa viajante. E nas suas viagens imortalizou um dos mais belos gestos da História: ao descer do avião, o pontífice beijava o solo da pátria visitada. Tocante sinal de respeito e humildade para com os anfitriões.

Este blogueiro, herege e plagiador, repetiu o gesto dia destes. Depois de uma semana infernal de labuta no exílio limeirense, aterrissei em Sanja, pulei do carro e não resisti. Beijei o asfalto da Tereziano Vallim. Beijei o beijo do reencontro. Beijei o beijo de quem padece da saudade. Beijei o beijo do crepuscular desterrado.  Beijei…

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    21:34 — Arquivado em: Sem categoria

11.1.07

Novos rumos

Ela assumiu a Editoria d’O MUNICIPIO e me convidou pra ser colaborador. É verdade que eu já tinha colaborado para o jornal antes, mas sempre de maneira muito esporádica.
A Ana me prometeu um espaço mais habitual, e cumpriu. Sim, falo da Ana Cláudia Camara, competente jornalista, e minha amiga, posso dizer.
Depois de um bom tempo, não sei ao certo quanto, comandando a Redação d’O MUNICIPIO, ela vai atrás de horizontes profissionais além-Sanja.
Ana, muito obrigado pela paciência com meus atrasos, reclamações e outros faniquitos. Você sempre foi muito correta comigo. Meus textos, ao contrário de outros veículos, sempre foram publicados na íntegra, sem qualquer objeção.
Na nova empreitada, os meus votos de sorte e muito sucesso.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    22:28 — Arquivado em: Sem categoria

9.1.07

Fuxico!

Engraçado!! O blogueiro, vira e mexe, lavra assuntos palpitantes na nobre tentativa de despertar a consciência nacional. A lavra tida como séria dá traço de ibope. A plebe tá nem aí para política, economia, meio-ambiente ou qualquer outro tema aflitivo para a humanidade.

Agora, faça um fuxico sobre um socialite. O ibope vai pra estratosfera.

Este escriba, sedento de ibope, contou logo aí abaixo (CLIQUE e LEIA) a historinha de um honrado cidadão da província que, digamos,  se "desembaraçou" no Réveillon. Pronto! Explode a audiência e a curiosidade enche a minha caixa postal. Ligam pra minha casa e até da Califórnia querem saber a identidade do sujeito.

Aos curiosos incorrigíveis, um alento: loguinho, loguinho vocês vão saber quem é o lambanceiro. Ele já me escreveu e quer que eu publique a sua missiva de defesa. Só não o faço já, porque a crônica ainda não foi publicada n’O MUNICIPIO, o que deve ocorrer no próximo sábado.

Ah!, ganha um ano de sorvete de macaúba quem adivinhar o nome do fulano. Familiares dele não podem concorrer.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    21:09 — Arquivado em: Sem categoria

7.1.07

Visita ilustre

Marcelo Sguassábia, “carpinteiro” do marketing, boa pena e colega de crônicas n`O MUNICIPIO, deu um tempo nas grandes sacadas da publicidade e aterrissou dia destes nesta Sanja para reencontrar suas origens crepusculares. A passagem foi rápida, mas o amigo não voltou para a labuta sem antes se deliciar com o lendário sorvete de macaúba lá na D. Pedro II.

Escribas aloprados (não confundam com os aloprados de Brasília), quando se encontram, devaneiam em projetos mirabolantes. Devaneamos, sim. Aguardem!!

 

CLIQUE AQUI E CONHEÇA O BLOG DO MARCELO

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    20:12 — Arquivado em: Sem categoria

4.1.07

Lambanceiro do Réveillon

No ano todo o trabalhador crepuscular verte o suor para ganhar o pão. No ano todo ele é zeloso pai de família —aos domingos freqüenta as missas matinais na igreja do Perpétuo e almoça na casa da sogra, onde ele jura nunca ter cochilado no sofá nem aberto a geladeira sem permissão. No ano todo ele honra suas obrigações com o Fisco. No ano todo ele administra com segurança a sua pequena indústria que, diga-se, gera um punhado de postos de trabalho na província.
 O termo trabalhador usado na primeira linha não é, digamos, no sentido mais operário da palavra. O personagem desta crônica é um trabalhador, sim, mas um trabalhador aboletado numa classe mais abastada. Classe média alta, para usar o jargão das estatísticas que pululam por aí.
 Esta retidão cinzenta, este comportamento irretocável, esta probidade insuspeita, enfim, esta virtude em forma de homem sofre um pequeno abalo no Réveillon.
 E este abalo virou tradição pessoal no também tradicional “Réveillon da dona Salma”. O impoluto cidadão é habituè no evento, onde a esposa lhe concede uma espécie de salvo-conduto pra barbarizar. Ela fica na mesa, comportada, enquanto ele agita. E como agita!
Este escriba poupa uns caraminguás o ano inteiro para também, intruso entre medalhões do PIB, passar a virada na chácara Villa Salma. E lá no Réveillon dos bacanas, testemunhei in loco as estripulias do virtuoso.

 

A morena passa num provocante vestido colado que deixa as curvas em evidência e as costas nuas. Nosso amigo não perdoa e, num ridículo idioma neném, sapeca: “’Totosa’! ‘Totosona’! Você é muito ‘totosa’, viu. Vem ‘blincá’ com o neném”.

 

Para um conhecido mamado, que o abraça com uns tabefes ardidos nas costelas, e faz juras de se encontrarem com mais freqüência durante o ano, ele devolve: “Você vem falar comigo quando estiver são, de cara limpa. Larga de ser cretino, hipócrita. Cruzo com você na rua, no banco, em restaurantes, toda hora vejo essa carinha-de-pau. Você finge que nem me conhece. E agora vem com essa conversinha de se encontrar mais. Vai tomar um café forte, ô ‘pudim’ de cachaça. Vaza que eu quero ver é mulher bonita.”

 

 A siliconada-botocada-oxigenada-chapeada passa, olha, faz beicinho, e ele fuzila mais um vil galanteio: “Oi ‘loilinha’, sabe ‘qui’ você é muito ‘bunitinha’. ‘Loilinha’ miau, gatinha, vai miar no meu quintal. Rimou! Você ‘gotô’? ‘Gotô’ do meu ‘versinho’?”

 

Os banheiros estão ocupados e ele com a bexiga cheia. E daí. Num cantinho ermo, as plantinhas da dona Salma são regadas com um vigoroso jato de mijo. Quem urina o ano todo, se concede o direito de mijar no Réveillon.

 

Sid Bê, o tucano crepuscular que horas mais tarde tomaria posse como secretário de Estado, também foi vítima do lambanceiro de ocasião: “Beraldo, ô Beraldo, você tá fodido de trabalhar com o Serra. O homem é louco, não dorme. Ele vai te ligar de madrugada pra perguntar o nome do rio que corta Divinolândia. Você tá ó —faz um gesto obsceno— ferrado, fodido e mal pago.”

 “Deixa o homem trabalhar”, Sid Bê retruca.
“E deixa o homem aqui farrear”, fala em tom de galhofa, solta uma gargalhada e sai pelo salão com os indicadores em riste, como um folião embalado pelas marchinhas de antanho.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    19:34 — Arquivado em: Sem categoria

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