23.12.06
Caninos e natalinos
Ouço e leio por aí que andou complicada a escolha do presidente do Parlamento Crepuscular para o próximo biênio. Em três escrutínios, surpresa!, a disputa teve absoluto equilíbrio. Lady Vick e Doctor lograram fidelidade canina dos seus partidários na tríplice votação. Empates renitentes deixaram perplexa a Casa dos Edis Macaúbicos.
Sem traições e com um regimento omisso em critérios de desempate, os edis macaúbicos inovaram. Numa decisão esdrúxula, dividiram o próximo mandato para que cada postulante ocupe o trono por doze meses.
Este escriba, inepto porém corneteiro, acha que o Parlamento pisou no tomate. Copiar o regimento de outros colegiados e aplicar, no caso, a "jurisprudência" que daria o trono ao mais velho ou ao mais votado seria o mais acertado.
Como a opinião do cronista e nada são a mesma coisa, entra o Parlamento Crepuscular nas cabeças do ranking de resoluções bizarras. Numa analogia com a época, a vereança desta província inventou o panetone de sardinha.
Natalinos
Bizarrices de lado, Sanja está alumiada como nunca neste dezembro de calor inclemente. Prédios e ruas do centro estão com ornamentos luminosos de encher os olhos.
Sugando um chope no Tekinfin, fico extasiado com o espetáculo cintilante na fachada do Palmeiras. Chopes além da conta fazem o êxtase virar melancolia.
Luz é Natal. Natal é lembrança. E lembrança é pensar nos nossos queridos que comem rabanadas na eternidade. Minha vó, meu pai…
E a melancolia vira paz. Paz remissiva aos presépios de infância. Paz remissiva à bela narração das missas do Galo. Aquela que fala da imensa noite na Judéia. Fala do silêncio que vela os pastores do deserto. Fala do nascimento de um menino numa manjedoura.
Extasiado, melancólico, pacífico, este cíclico blogueiro deseja aos leitores um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de belos crepúsculos.
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
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