15.11.06
Rede Engodo de Televisão
E dá-lhe flash-back! Não resisto e resgato mais uma lavra de antanho inspirado pelo Jorge Kajuru. O polêmico jornalista veio palestrar esta semana na FAE e, pra não perder o costume, sua língua ácida não poupou nenhum dos seus desafetos contumazes. E quando seu verbo corrosivo estava detonando a TV Globo, Kajuru falou com muita propriedade sobre a submissão do jornalismo da emissora ao departamento comercial. O dindim no caixa, na Globo, massacra o interesse jornalístico.
Este crepuscular escriba não quer se vangloriar —até por que vanglória é uma glória vã—, mas, em meados do ano 2000, quando do Mundial de Clubes, escreveu sobre o descaso da emissora para com o torneio, que tinha inegável apelo jornalístico. Pra não encher a bola de um evento exclusivo da concorrência —Band—, a Globo ignorou a disputa e fez murchar o mais prosaico dos manuais do bom jornalismo. Ao flash-back, ora pois.
“A Rede Globo insiste em deformar/omitir informações veiculadas nos seus noticiários. A emissora não perde os cacoetes dos anos de chumbo, manipulando e omitindo notícias baseada em critérios estritos de conveniência comercial.
Mudam os cenários, as vinhetas, mas o conteúdo é sempre o mesmo: falso, maquiado, à margem da realidade.
Para quem só assiste a TV Globo —e não são poucos— o Campeonato Mundial de Clubes da Fifa não existiu. Ou melhor, existiu, mas foi tão insignificante que se fosse disputado por XV de Piracicaba, Olaria e Friburguense não faria a menor diferença.
Chega a ser absurdo, ridículo. A Globo subordina o seu jornalismo ao seu departamento comercial. Os eventos só são objetos de matérias jornalísticas se a emissora for detentora dos direitos de transmissão dos mesmos. Do contrário, como ocorreu com o Mundial de Clubes, são solenemente ignorados.
O Mundial foi o primeiro oficializado pela Fifa; contou com a participação de Real Madrid, Manchester, Vasco e Corinthians, potências do futebol mundial; foi disputado no Brasil; a final foi entre duas equipes brasileiras; o Rio, no dia da decisão, foi invadido por 20 mil corintianos.
Será que nada disso tem relevância jornalística?
Será que a não detenção dos direitos de transmissão justifica o boicote a duas das maiores equipes do país e suas respectivas torcidas?
A Rede Globo erra, erra e não aprende. Em 1984 quando o país era sacudido pela campanha das Diretas Já, a emissora, subserviente aos milicos ditadores, ignorava as manifestações populares. Só voltou atrás e passou a noticiar os megacomícios quando suas equipes de reportagem começaram a ser hostilizadas nas ruas do país. Seus jornalistas eram alvos de refrões do tipo: ‘o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!’
Faça-se justiça, nem tudo é ruim no Jardim Botânico, a TV Globo é muito competente na área de teledramaturgia. A competência é tanta, mas tanta, que a ficção das novelas contamina o noticiário. A Globo faz novelas muito bem. Só isso.”
PS: Este tricolor cheio de títulos —e às vésperas de comemorar mais um— relê o texto de 2000 e reitera a falta de postura jornalística da emissora na época. Agora, falando estritamente sob a ótica da relevância esportiva, o Mundial de Clubes de 2000, em que os mosqueteiros ergueram a taça, foi, com o passar de poucos anos, relegado às periferias da história. Pensei em grafar “relegado à lata de lixo da história”, mas só pensei, achei muito “kajuru” e recuei.
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
15:24 — Arquivado em: 

Comentário por Marcelo Pirajá Sguassábia — 15.11.06 @ 19:01
É, Crepusculauro. O que manda são os reclames do plim-plim. Ou os ditames do dindim… Enfim…
A lavra é de antanho, mas o prazo de validade é indeterminado.