29.10.06
Resultado eleitoral em Sanja - votos válidos:
Lula: 36,69% (17.533 votos)
Alckmin: 63,31% (30.253 votos)
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Mestre Duña e suas múltiplas crenças
Há tempos, mais de ano, este escriba labuta por uma entrevista com o grande —e quase inacessível— Mestre Duña, o sábio multicultural, o navegante-mor de todas as áreas do conhecimento humano. Nas esquinas crepusculares, fuçando aqui e acolá, consegui apurar que Marcelo Sguassábia, “carpinteiro” do marketing e boa pena, é íntimo do Mestre. Tão íntimo que convenceu o filósofo duñesco a bater um pingue-pongue rápido com este blog. Através do “carpinteiro”, ele assim assentiu com o pedido do bate-papo: "Se é para o bem de todos e felicidade geral dos sem-noção, diga ao Lauro que concedo a entrevista".
Mestre, além de seda pura e alfinetadas, o Parlamento brazuca vai ganhar o que com a eleição do Clodovil?
Ganhará um ser bufante: bufa, bufa, bufa e não arregaça as mangas. Todavia, Clô deverá apresentar boas emendas, já que é profissional da costura.
Num eventual segundo mandato, o presidente Lula vai manter os fundamentos sóbrios da política econômica ou vai soltar a franga num “pacotaço” para aterrorizar a “zelite”?
É praticamente certo que soltará a franga —e franga das boas, com apito termométrico que avisa quando fica pronta. O referido “pacotaço” aterrorizará não somente a “zelite”, mas sobretudo a “Celite”, pois será uma verdadeira m…, se é que me entende.
Entendo, Mestre, entendo. Mas continuando, José Serra é um notívago que tem a fama de acordar assessores durante a madrugada para falar de trabalho. Pensando na saúde dos adjuntos, como fazer para que o governador eleito durma pesado da meia-noite às sete da manhã?
Simples: basta que ele ligue, já acomodado no leito, um Geraldo Walkman com fone de ouvido e músicas new-age. Minha gravadora, a Duña Records, coloca desde já o seu catálogo à disposição do insone governador.
O churrasqueiro do presidente Lula o colocou um maus lençóis com o caso do dossiê. É sabido que o cara tem nome de chuveiro —Lorenzetti. Nas suas acuradas pesquisas, o senhor detectou uma propensão maior para o crime em churrasqueiros que têm nome de chuveiro? Vide também o escândalo “Romualdo Corona”, churrasqueador da tucanada crepuscular, acusado de desvio de toneladas de macaúba e que, por isso, quase derrubou o prefeito Teixeirinha, a quem assessorava em assuntos macaúbicos e afins.
Admitir a citada propensão tão somente pelos exemplos de Lorenzetti e de Corona seria atitude inFAME. Quanto aos desvios de macaúba, os autos dão conta de que o homem-chuveiro levava voltagem nas transações, avaliadas em 110 e superfaturadas por 220.
Mestre Duña, ouvi falar do seu apreço por esta província crepuscular. Corre um boato que o senhor veraneia às margens do Jaguari e que até já freqüentou como visitante a Seita da Macaúba Alucinógena. Essas informações procedem, venerado Mestre?
Esses paparazzi não dão folga, já descobriram a versão crepuscular do meu Oráculo… Na verdade, revezo entre duas propriedades que mantenho na região —um pesqueiro às margens do Jaguari e uma chácara no Bairro Alegre. Para despistar a equipe da Revista “Duñas”, só vou pra Sanja disfarçado de Marcelo Sguassábia, já que aí ninguém conhece ele mesmo. Freqüento com assiduidade a Seita da Macaúba Alucinógena, na condição de aspirante ao noviciado, e devo ao gosmento xarope minha sempre acurada lucidez.
PS 1: Mestre Duña (pronuncia-se Duña), introduziu a filosofia duñesca em solo brasileiro, é Marcelo Pirajá Sguassábia nas horas vagas e fará dobradinha com o Bartazá nas próximas eleições. Duña Neis!
PS 2: Este escriba é grato ao Marcelo pelo esforço de reportagem. Captar as palavras do Mestre é tarefa hercúlea. Valeu a tabelinha, amigo, “carpinteiro” da propaganda e do bom vernáculo.
Crepuscular da gema, hoje ele é um jornalista e renomado professor estabelecido em Sampa. Um cosmopolita, podemos dizer.
Lá nos anos 60/70, este crepuscular, que o blog se abstém de citar o nome, chegou na capital de SP atrás de formação e horizontes profissionais.
Na busca por um teto, ele procurou uma imobiliária. O corretor, tentando empurrar-lhe a locação de um apê: “Preço pra fechar: o aluguel é 500 cruzeiros e o condomínio 150.”
Esperançoso em poupar uns caraminguás, nosso amigo não vacilou: “150? Eu fico com o condomínio.”
Por intermédio da minha mãe, tomei contato com um monumento à História desta província crepuscular. Trata-se do livro “Natação 50 Anos”, um antológico baú reminiscente organizado por José Marcondes.
O livraço, permeado por belas fotos e textos idem, conta a gloriosa história das cinco décadas da natação da SES.
Craque nos desportos e virtuoso nas artes plásticas, Marcondes, com a obra, se revela também um exímio memorialista. Obra para deleite, para folhear num lento prazer. Obra de inestimável valor para as futuras gerações.
A Sanja de antanho tem, no livro, um dos seus melhores retratos.
Dezesseis horas e trinta minutos de um dia qualquer do fim dos anos 70. O lendário servente Sibin, enfiado na sua inconfundível farda marrom, chacoalha vigorosamente a sineta pra anunciar o fim de mais um dia de aula. “Bateu o sinal!!”, urram de alegria os primaristas do “Joaquim José”.
Uns vão disciplinadamente pra casa. Outros, nem tão disciplinados assim, aproveitarão os últimos raios de sol pra bater uma bolinha na quadra da escola.
Este escriba, ruim de texto e pior de bola, estava entre a trupe de infantes boleiros. Jogávamos até a noite cair.
Êpa! Paulinho Rampudo, o bárbaro, estava escolhendo os jogadores para a peleja. Antes que eu esboçasse uma meia-volta, fui intimado por um dedo indicador: “Você aí, é você mesmo, bobão, tá faltando um no meu time, deixa essa mochila no chão e vem logo jogar.” Me borrando de medo, obedeci. Que moleque em sã consciência descumpriria uma ordem do Paulinho Rampudo?
Abre parênteses. O Rampudo era brutal, troncudo, um “armário”. Ameaçador e violento, tinha a fama de massacrar quem o desafiasse. Suas vítimas, diziam, padeciam de surras sanguinárias. Consta que não estudava e se comprazia com o cartaz de perverso. Atribuíam-no este malévolo comportamento a um berço de privações e maus-tratos. Ouvia-se que suas travessuras domésticas eram punidas num cárcere de cordas ao pé da mesa da cozinha. Um dia, por motivo que me escapa, o Talih chamou o Paulinho pra briga. Temi que o Turco virasse quibe. Sorte dele, do Talih, claro, que a turma do “deixa disso” evitou a pancadaria. Anos depois, a crônica policial alcunhou o personagem de Paulinho Febem, numa óbvia alusão à instituição que o acolheu em diversas passagens. Fecha parênteses.
Voltando à quadra do JJ. Tomado pelo pavor, pensava comigo: “num posso fazer merda, tenho que jogar bem senão o Paulinho me trucida.”
O Todo-Poderoso se compadeceu da tremedeira deste cabeça-de-bagre. Nem o traje incômodo de um velho jeans “US Top”, duro e pesado, conteve o meu ímpeto em não decepcionar o Rampudo. Dei o sangue. Acertei passes longos —sem os óculos, diga-se—, desarmei ataques mortais do adversário e, acreditem, fiz até gol de calcanhar.
Ao final da partida fui recompensado com um amistoso “valeu” do Paulinho. Soou como uma absolvição.
Involuntariamente, naquela tarde, o “bad boy” fez uma boa ação. Por alguns minutos, surpreendentes e iluminados minutos, o medíocre brilhou.
Que baita orgulho, gente! Somos “cumpadi”da Lê e do Chileno. Batizamos a Mel no dia 12 de Outubro na igreja de Nossa Sra. Aparecida. Essa menina vai longe. Recebeu o sacramento do batismo na Tereziano Vallim. A água santa abençoou a lindinha no templo que fica na melhor rua desta província crepuscular.
"ói as cumadi babando"
Crepusculares espalhados pelo planeta indagam: quão magnânima foi a votação do Bartazá? O sítio do TRE informa que o candidato-barbeiro teve o seu nome escolhido por 517 eleitores.