13.9.06
Um pouco de cor
Debate bom é aquele em que os embates retóricos ficam restritos às idéias e propostas dos candidatos, sem nunca resvalar pra insultos pessoais, declarações muito ácidas, zombarias e toda sorte de temperos picantes. Certo?
Sei não, mas acho que nestes trópicos de pecados o povo quer ver sangue, bate-boca e provocações em profusão. A massa latina deixa os tons pastéis para as contendas helvéticas. Pra nós, vermelho berrante.
Na última 2ª, 11/9, candidatos a deputado —federal e estadual— com alguma ligação com esta província crepuscular debateram no auditório do Ciesp. Embora a tônica do encontro tenha pendido mais pra um cinza nórdico, este escriba, em short notes, tenta botar um pouco de cor na coisa.
Ai! – Se a intenção moralizadora do petista Paulo Teixeira for tão intensa quanto o seu aperto de mão, o Brasil está salvo. Lembro-me quase nada do que ele disse, mas não vou esquecer tão cedo dos meus ossos estalando com aquele cumprimento dolorido.
Fujão – Beraldo, crepuscular que tem alta patente no tucanato, justificou sua ausência no debate dizendo que tinha um compromisso inadiável com a coordenação da campanha do Serra. Desculpinha esfarrapada! Tucano Bê não baixou nos Crepúsculos por temer a ironia implacável do Baltazar.
O cara é show – Baltazar articula o nada com coisa nenhuma. Respostas incompreensíveis pra tudo e todos. E quando cobrado pelo Gilberto Júnior (quem?) por ser evasivo numa questão sobre tributação excessiva sobre os remédios, fez a platéia explodir em gargalhadas com a descompostura aplicada no colega: “O senhor faça-me o favor de fazer perguntas mais coerentes. Eu não vendo medicamentos. O meu ramo é higiene e beleza”.
Profeta – Ainda o Baltazar. Com ar apocalíptico, pra espanto dos presentes, ele alertou: “A obra de duplicação da estrada São João-Prata tem um erro grave de projeto. Na época das chuvas, as águas escoarão para o centro da cidade. Se nada for feito, São João estará debaixo d’água nos próximos anos”. O Raphael Bassi, presidente da Associação dos Engenheiros, levantou o dedinho pra pedir um aparte e desmentir o profeta do caos. Não conseguiu.
Quem? – Gilberto Júnior parecia que tinha o microfone a queimar-lhe as mãos. Respondia tudo de maneira ultra-rápida. Frases tão instantâneas quanto desconexas. Seu ápice no evento foi quando disse que o grande —ele disse o grande— problema na saúde pública no Brasil seria o transporte precário dos doentes. Pensei em sugerir uma dobradinha dele com o Levy Fidélix, aquele maluco do aerotrem. Na fusão das propostas, um vagão do trem modernoso seria transformado em ambulância. UTI no trem-bala!
Malas – Numa das primeiras participações do Paulo Teixeira na noite, a claque petista urrou no surrado estilo “macacas de auditório”. Muito barulho por tão pouco. E quando das perguntas entre candidatos, Simão Pedro e Paulo Teixeira faziam um chato joguinho de compadre. Um perguntava pro outro e o outro perguntava pro um. Bolas levantadas e tudo combinadinho. De doer.
Muy amigo – Um argentino grisalho circulava pelo recinto. Pelo sim pelo não, a PTezada tratou de manter suas esposas bem longe do portenho. Favre e afins, xô!
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
21:28 — Arquivado em: 
