3.9.06
Populista e personalista
Arnaldo Jabor, na Veja de hoje:
Veja – O senhor é um admirador de Freud. Do ponto de vista da psicanálise, como descreveria Lula?
Jabor – O Lula é muito mais deslumbrado com o poder do que eu imaginava. É uma pessoa que, de certa forma, queria subir na vida e conseguiu, e está um pouco deslumbrado com isso. Ele tem um complexo de inferioridade em relação à cultura, à inteligência. Está sempre falando do Fernando Henrique de uma forma crítica, mas você vê que ele é fascinado pelo Fernando Henrique. O Lula estabelece sua diferença para com o Fernando Henrique inclusive quando exercita uma certa grossura proposital. E agora, mais sozinho como ele está, o perigo é que fique mais truculento, mais autoritário. Ele está encantado com a própria solidão. Acha que, sozinho, pode, enfim, fazer as coisas. A soma de solidão com falta de solidez ideológica é preocupante. Uma vez que desapareceu o programa imaginário dos que o cercavam, ficou um homem sozinho com uma tentação populista e personalista.
criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges
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