Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

26.9.06

Bartazá neis!

Tenho um baita respeito por jornalistas que arriscam suas peles atrás da notícia. No front de conflitos no Oriente Médio, infiltrados em milícias africanas que estão em guerra civil, escondidos nos morros cariocas pra reportar o modus operandi dos soldados do tráfico, amoitados em penitenciárias paulistas narrando a gestão do crime de Marcola, PCC & cia. Nos lugares mais inóspitos e temerários, lá estão eles cavoucando boas histórias.
Este escriba, que nada tem de jornalista e muito menos de destemido, também arriscou sua pele por uma crônica. Ou melhor, arriscou o couro cabeludo. Sob protestos da minha mulher, entreguei o layout dos meus cachos ao folclórico candidato a deputado federal: Marcos Alberto Vieira, o popular Bartazá.
Defronte ao salão na 14 de Julho, imponente, fica estacionada a “viatura de campanha”. É uma Caravan anos 70, grafitada com slogans em tipologia tosca: “2006, Bartazá neis!”


Entro e sapeco com rima: “E aí, Bartazá, dá pra cortar?” A resposta vem num tom sério-irônico: “Eu corto, mas pra esse negócio de dar você fala com ele aqui.” E aponta para um cliente já embrulhado e pronto pra ter o seu topete —e que topete horroroso!— ceifado pela tesoura implacável do Bartazá.
“Vou lutar pela emancipação política plena do município”, responde Bartazá quando indagado sobre sua proposta de atuação parlamentar. Penso comigo: “emancipação política plena do município”, que diabo é isso?
Entre tesouradas no topetudo, ele prossegue: “Nasci em São Paulo, mas sou único candidato a deputado federal da cidade e pela cidade. Os outros que aqui vêm buscar votos têm sua base política em outras cidades. Só um candidato da cidade pode lutar pela “emancipação política plena do município”. E que diabo é isso?
Enquanto arremata a engenharia capilar no já ex-topetudo, Bartazá comenta sobre Ana Maria Rangel, candidata a presidente e companheira de partido —PRP: “Essa muié me sarvô! Essa muié me sarvô! Tô livre de votar em Lula ou Alckmin. Voto nela. Essa muié me sarvô!
Minha vez. Depois de algumas virulentas chacoalhadas, o mesmo pano, estampado e puído, usado no topetudo, também serve pra me embrulhar.

 
Um eleitor estaciona sua caminhonete em frente ao salão e apronta uma gritaria. “Um minutinho só”, pede Bartazá ao escriba embrulhado. O candidato se aboleta na carroceria do veículo, saca sua garrafa plástica de Coca, cheia de tinta branca e com espuma na boca, e grafa o seu célebre bordão: “2006, Bartazá neis!”


Bartazá volta ao ofício e se justifica: “Em época de eleição não podemos perder espaço de propaganda.”
Enquanto as lâminas dão rasantes no meu cocoruto, revelo que fui ao debate e inquiro sobre o seu desempenho. “Estava muito nervoso. Você me viu num dia ruim. Mas, apesar disso, consegui fazer perguntas bem melindrosas”, retruca o barbeiro.
E segue o andor:
“Bartazá, e o eleitorado, tem sido receptivo com sua candidatura?”
“Muito receptivo. Entreguei meus santinhos numa empresa e uma funcionária veio falar comigo.”
“Queria conhecer as suas propostas, imagino.”
“Nada. Queria saber o que significa ‘neis’. Bartazá neis, Bartazá neles, nos corruptos, sanguessugas e mensaleiros. 2006, Bartazá neis.”
O enésimo transeunte saúda com simpatia a candidatura do aparador capilar.
“Tá famoso, hein Bartazá?”, levanto a bola.
“Demais. E se eu for eleito vai piorar. Vou precisar botar um insulfilm 100% no carro. Pra ninguém me ver. Não é por nada não, é só pra não ficar com bursite de tanto acenar pro povo.” Conclui a troça e desaba numa gargalhada que delata uma dentição, digamos, carente de reparos.
O corte é concluído sem qualquer aprovação/reprovação do cliente. A virulenta chacoalhada no pano-embrulho diz que o serviço foi feito e que a fila tá andando.
Provoco com uma nota de R$ 5,00: “Bartazá, você tem R$ 0,01 pra me dar de troco?”
Aos desavisados, o corte custa R$ 4,99.
“Não, R$ 0,01 vai para o meu fundo de campanha.”
E dá-lhe gargalhada.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    21:50 — Arquivado em: Sem categoria

21.9.06

Crepusculand City

O jornalista Mauro Chaves, no Estadão de 16/9, escreveu que para o presidente Lula voltar a ser respeitado, entre outras coisas, ele precisa explicar ao Brasil o significado de algumas frases proferidas durante o mandato.
Compadecido pelo exíguo tempo do nosso mandarim viajante, este escriba crepuscular tenta justificar algumas das parvoíces e, quiçá, resgatar um pouquinho da credibilidade da majestade barbuda.

 
“Eu gostaria de ter estudado latim, assim eu poderia me comunicar melhor com o povo da América Latina.”
Lula não quer a comunicação frívola. Ele quer ir ao âmago das aflições dos povos latinos. Aprender latim e se aprofundar no estudo da etimologia são aspirações mais do que legítimas em um líder que tanto preza as letras e se vangloria da sua sólida formação acadêmica.

 
“A grande maioria de nossas importações vem de fora do País.”
Lula foi bem didático. Há muito pouco tempo, a maioria das nossas importações vinha do Paraguai. E o Paraguai, na geografia lulista, é uma unidade federativa do Brasil situada na fronteira oeste do Paraná.

“Uma palavra resume provavelmente a responsabilidade de qualquer governante. E essa palavra é ‘estar preparado’.”
Grandes líderes são criadores compulsivos de neologismos: ‘Estarpreparado’, assim mesmo, tudo junto, é palavra já ungida e aceita pelos dicionaristas. Lula também usa muito o ‘nestepaiz’, outro neologismo. Ex. Estarpreparado é obrigação de todo governante. Nunca, nestepaiz, houve um presidente tão preparado como eu.”

“Eu mantenho todas as declarações erradas que fiz.”
E depois acusam o presidente de debilidade ideológica. Ele é um forte, um corajoso. Erra, assume que errou e se agarra no erro. Que convicção!

“Nós temos um firme compromisso com a Otan. Nós temos um firme compromisso com a Europa. Nós fazemos parte da Europa.”
É claro que nesta assertiva Lula não foi literal. Ele falou que, conceitualmente, fazemos parte da Europa. Ao contrário do resto da América Latina, temos ótimos indicadores sociais, baixo índice de corrupção e ínfima criminalidade. Aqui, como lá, o sistema público de saúde funciona e o transporte coletivo é dos melhores. Rio é Paris, São Paulo é Londres e esta Sanja é uma charmosa localidade inglesa: Crepusculand City.

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    21:48 — Arquivado em: Sem categoria

16.9.06

Nassif, Sanja e o escriba babão

Ontem, 15/9, Luis Nassif baixou nos Crepúsculos para palestrar em evento promovido pela FAE. Sua conferência é Aula Magna de economia, história, política e humanismo. E este escriba bairrista vibra com o apreço que ele tem por São João. Durante a palestra, qualquer motivo era gancho pra evocar sua adolescência de estudante nesta aldeia de belos crepúsculos.

Nassif, o prefeito Nelson e o escriba babão

Luis Nassif…

…Luis Nassif pensa o Brasil. Como jornalista econômico, sua crítica é um meio para apontar rumos e descaminhos em políticas públicas. E o Nassif adora São João.

…Luis Nassif é vigilante das boas práticas de jornalismo. E como tal costuma desmistificar unanimidades tortas que, não raras vezes, desembocam em injustiças. O caso Escola Base é exemplo. Quando toda mídia linchava os proprietários da escola, Nassif ponderou com vários argumentos que o caso merecia melhor apuração. E ele estava certo, como se comprovou lá na frente a inocência dos acusados. E o Nassif tem muito carinho por esta Sanja.

…Luis Nassif é profissional consagrado que ganhou o mundo na metrópole. Mas o Nassif não perde os seus referenciais da província. Como poucos, ele narra reminiscências de infância/adolescência no circuito Poços-São João. E o Nassif se renova com a água do Jaguari.

…Luis Nassif adora reverberar uma frase do Antonio Cândido: “As meninas de Poços eram simpáticas, mas as de São João eram lindas”. E o Nassif já se derreteu por beldades desta província crepuscular.

“Ao Lauro, algumas lembranças de Poços e São João para o cronista de São João”. Para o ego do cronista, esta dedicatória foi grafada no livro “O Menino de São Benedito”, uma coletânea de crônicas do Nassif. (Ói a cara de babão nas fotos)

 

PS: E lá no fim dos anos 90, este escriba polemizava nas páginas d’O Município com um advogado de extrema direita. Na época, enviei ao Nassif um capítulo da contenda. Pra minha surpresa, ele me respondeu contando uma história truculenta que vivera com o causídico extremista: Nassif e outros jovens crepusculares que faziam teatro estudantil foram tachados de comunistas e dedurados ao Exército pelo advogado radical. E isso no auge do militarismo. Nassif, além de me relatar a insólita história, autorizou a publicação. Encaminhei o texto ao jornal O Município, que o publicou para cólera do delator.

 

E o cara continua babando… e rindo de alguma piadinha infame que ele mesmo conta e só ele acha graça

 

 

 

 

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    21:32 — Arquivado em: Sem categoria

13.9.06

Um pouco de cor

Debate bom é aquele em que os embates retóricos ficam restritos às idéias e propostas dos candidatos, sem nunca resvalar pra insultos pessoais, declarações muito ácidas, zombarias e toda sorte de temperos picantes. Certo?
Sei não, mas acho que nestes trópicos de pecados o povo quer ver sangue, bate-boca e provocações em profusão. A massa latina deixa os tons pastéis para as contendas helvéticas. Pra nós, vermelho berrante.
Na última 2ª, 11/9, candidatos a deputado —federal e estadual— com alguma ligação com esta província crepuscular debateram no auditório do Ciesp. Embora a tônica do encontro tenha pendido mais pra um cinza nórdico, este escriba, em short notes, tenta botar um pouco de cor na coisa.

Ai! – Se a intenção moralizadora do petista Paulo Teixeira for tão intensa quanto o seu aperto de mão, o Brasil está salvo. Lembro-me quase nada do que ele disse, mas não vou esquecer tão cedo dos meus ossos estalando com aquele cumprimento dolorido.

Fujão – Beraldo, crepuscular que tem alta patente no tucanato, justificou sua ausência no debate dizendo que tinha um compromisso inadiável com a coordenação da campanha do Serra. Desculpinha esfarrapada! Tucano Bê não baixou nos Crepúsculos por temer a ironia implacável do Baltazar.

O cara é show – Baltazar articula o nada com coisa nenhuma. Respostas incompreensíveis pra tudo e todos. E quando cobrado pelo Gilberto Júnior (quem?) por ser evasivo numa questão sobre tributação excessiva sobre os remédios, fez a platéia explodir em gargalhadas com a descompostura aplicada no colega: “O senhor faça-me o favor de fazer perguntas mais coerentes. Eu não vendo medicamentos. O meu ramo é higiene e beleza”.

Profeta – Ainda o Baltazar. Com ar apocalíptico, pra espanto dos presentes, ele alertou: “A obra de duplicação da estrada São João-Prata tem um erro grave de projeto. Na época das chuvas, as águas escoarão para o centro da cidade. Se nada for feito, São João estará debaixo d’água nos próximos anos”. O Raphael Bassi, presidente da Associação dos Engenheiros, levantou o dedinho pra pedir um aparte e desmentir o profeta do caos. Não conseguiu.

Quem? – Gilberto Júnior parecia que tinha o microfone a queimar-lhe as mãos. Respondia tudo de maneira ultra-rápida. Frases tão instantâneas quanto desconexas. Seu ápice no evento foi quando disse que o grande —ele disse o grande— problema na saúde pública no Brasil seria o transporte precário dos doentes. Pensei em sugerir uma dobradinha dele com o Levy Fidélix, aquele maluco do aerotrem. Na fusão das propostas, um vagão do trem modernoso seria transformado em ambulância. UTI no trem-bala!

Malas – Numa das primeiras participações do Paulo Teixeira na noite, a claque petista urrou no surrado estilo “macacas de auditório”. Muito barulho por tão pouco. E quando das perguntas entre candidatos, Simão Pedro e Paulo Teixeira faziam um chato joguinho de compadre. Um perguntava pro outro e o outro perguntava pro um. Bolas levantadas e tudo combinadinho. De doer.

 
Muy amigo – Um argentino grisalho circulava pelo recinto. Pelo sim pelo não, a PTezada tratou de manter suas esposas bem longe do portenho. Favre e afins, xô!

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    21:28 — Arquivado em: Sem categoria

9.9.06

É o vizinho

Quem passa pela Tereziano, vê a placa acima e conhece o teto do escriba, pode pensar: o cara tucanou explicitamente. Nada disso. A plaqueta da dobradinha tucana Beraldo-Torres, embora marotamente pendurada na divisa entre dois imóveis, pertence só ao meu vizinho, e sempre engajado, arquiteto Joaquim Mello. Sei lá, até posso votar em um deles, ainda não me decidi. Mas não é o caso de engajamento na campanha e publicidade escancarada.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    14:03 — Arquivado em: Sem categoria

7.9.06

Lulauro responde

E o homem fugiu da raia.
Nesta semana, a Folha sabatinou os principais candidatos à presidência. Ou melhor, tentou inquirir os três melhores colocados nas pesquisas. HH e Alckmin, bem ou mal, deram a cara pra bater e não se furtaram em responder aos jornalistas do diário mais influente do país. A majestade barbuda deu de ombros e recusou o convite. Olímpico, de salto alto, Lula já se acha reeleito e declina qualquer chamamento que possa lhe causar constrangimento. Xô perguntas embaraçosas!
A Folha publicou as 50 perguntas que ficaram sem respostas.
E este escriba, estafeta da democracia e compadecido do eleitorado, vai responder pelo presidente algumas das intrépidas interrogações. Como não tenho os hábitos etílicos da majestade barbuda, vou ingerir uma boa quantidade do mingau alucinógeno de macaúba. Assim, espero me aproximar da ebriedade tão necessária à veracidade das respostas.

Como o sr. responde aos que o consideram um deslumbrado com o poder?
Como eu respondo? Não respondo. Deixe que eles morram de inveja. Eu moro num palácio com piscina, sauna, cinema, geladeira duplex, cafeteira italiana e gansos de verdade na lagoa do jardim. Tenho meu aviãozinho que me leva a qualquer hora pra qualquer canto desse mundão. Quem critica tem inveja. É essa elite tolinha que acha que trabalhador só pode andar de Corcel, comer rabada e passar o feriadão em Itanhaém. Aliás, ultimamente só tenho visto gansos de gesso nos jardins dos abastados.


O sr. continua acreditando que existem 300 picaretas no Congresso, como disse certa vez?
Não. Hoje acho que há muito ‘menas’ gente ruim lá. A probidade e a moralidade do meu governo causaram uma epidemia positiva em todos os poderes da República. Hoje não há mais que 30 picaretas no Congresso. E mesmo esses 30 têm conserto. Nada que um mimo mensal não possa corrigir. Até tucano com bico quebrado tem salvação.

 
Como o sr. analisa o apoio que recebe agora do ex-presidente Collor, candidato ao Senado por Alagoas?
Veja, meu caro, como o mundo dá voltas. O mauricinho empertigado gostava de pisar no barbudo. Agora, tadinho dele, não consegue se eleger pela província sem a bênção do mesmo barbudo que ele outrora pisava. Tá comendo na minha mão o colloridinho da Dinda.


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse recentemente que não se considera seu amigo. O sr. se considera amigo dele?
Uma confidência: eu e o Fê, politicamente, estamos em campos opostos. Por isso, e só por isso, a gente tem que manter as aparências de eterno conflito. Vez ou outra ele me convida pra bebericar um tinto francês e tragar um Montecristo no apê de Higienópolis. O nosso esporte favorito é falar mal do Itamar. A gente ri muito e só não se encontra mais porque reuniões secretas dão um trabalhão danado para o pessoal da segurança.

 
O que há de mais diferente entre o Lula que assumiu o Planalto em 1º de janeiro de 2003 e o Lula candidato em 2006?
Eu adorava os ternos da Colombo. Achava a loja tudo de bom em termos de elegância. Depois que eu comecei a me vestir com o Ricardo Almeida, pensei: como eu vivi até hoje sem as roupas desse cara?

 
O sr. acha que é possível fazer política no Brasil sem sujar as mãos?
Acho possível. Mas desde que o presidente da República baixe uma Medida Provisória dizendo que “merda” não é sujeira. Aliás, meu caro, é coisa que eu devo fazer nos próximos dias.

ps: Lulauro sorveu dose extra do mingau alucinógeno para tentar responder a questão: “Qual o último livro que o sr. leu? Poderia comentá-lo?”. Não conseguiu.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    16:58 — Arquivado em: Sem categoria

Nem burro nem maluco

Caetano, na Folha: "Eu não sou burro, nem maluco, então não vou votar nele."

FOLHA - Como você vê o escândalo do mensalão?
CAETANO - Eu acho que foi realmente vergonhoso e ruim. Há uma certa regressão no país -que fez o impeachment de Collor- quando se passa uma esponja no escândalo do mensalão. Lula e o PT afastaram os acusados, Lula se disse traído, mas a cada solenidade de despedida dos que cometeram delitos levantou a voz para dizer loas morais a essas figuras. E pôs a culpa num possível complô das elites através da mídia, o que eu acho completamente incongruente. Eu não sou burro, nem maluco, então não vou votar nele. Votei em Lula contra Collor no segundo turno, mas meu candidato não era ele.
Era o Brizola. E continua sendo (risos). Na última eleição, eu achei que era a hora de um operário chegar ao poder, de o PT enfrentar a realidade e de se desmistificar tudo isso. Se o Serra tivesse ganhado, ele, que é um excelente candidato, seria massacrado por essa mitologia do Lula, da esquerda e do PT. Quando justifiquei meu voto em Lula, disse que esperava que ele fosse empossado, que governasse e que passasse a faixa para outro. Continuo pensando da mesma maneira.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    14:56 — Arquivado em: Sem categoria

3.9.06

Populista e personalista

Arnaldo Jabor, na Veja de hoje:

Veja – O senhor é um admirador de Freud. Do ponto de vista da psicanálise, como descreveria Lula?
Jabor – O Lula é muito mais deslumbrado com o poder do que eu imaginava. É uma pessoa que, de certa forma, queria subir na vida e conseguiu, e está um pouco deslumbrado com isso. Ele tem um complexo de inferioridade em relação à cultura, à inteligência. Está sempre falando do Fernando Henrique de uma forma crítica, mas você vê que ele é fascinado pelo Fernando Henrique. O Lula estabelece sua diferença para com o Fernando Henrique inclusive quando exercita uma certa grossura proposital. E agora, mais sozinho como ele está, o perigo é que fique mais truculento, mais autoritário. Ele está encantado com a própria solidão. Acha que, sozinho, pode, enfim, fazer as coisas. A soma de solidão com falta de solidez ideológica é preocupante. Uma vez que desapareceu o programa imaginário dos que o cercavam, ficou um homem sozinho com uma tentação populista e personalista.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    16:50 — Arquivado em: Sem categoria

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