Baú Crepuscular - o blog do Lauro

Atualidades Mantiqueiras, Histórias Crepusculares, Hábitos Macaúbicos, Artigos, crônicas, devaneios e outras viagens. Só quero ver a Sanja passar…

31.8.06

Boa noite, Brasil!

No início dos anos 80, o Flávio Cavalcanti foi encerrar sua carreira de apresentador na Band. Sei lá porque diabos, eu gostava daquele estranho animador de auditório com discurso de direita. Ele tinha um quadro em que ligava aleatoriamente para um nº em qualquer lugar do Brasil. Se no nº ligado, o atendente berrasse “boa noite, Brasil”, faturaria a pequena fortuna de Cr$ 100.000,00. Pois bem, sabedores da minha fissura no programa, uns delinqüentes da Tereziano de antanho, que se diziam meus amigos, ligaram para minha casa sincronizados com a ligação do Flávio Cavalcanti. Naquela época era raro extensão telefônica nas casas e eu, por isso, cruzei toda a casa derrubando o que tinha pela frente, peguei o fone, enchi o peito e berrei: “boa noite, Brasil”. Gargalhadas espocaram do outro lado da linha.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    22:47 — Arquivado em: Sem categoria

O Varão crepuscular

O Varão crepuscular é um cidadão probo que tem circulado de nariz tapado ultimamente. O fedor que exala de Brasília o tem incomodado por demais.
Fanho em razão das narinas obstruídas, o Varão não se acanha com a voz distorcida e solta o verbo pra pregar suas convicções pelas esquinas desta Sanja.
Tarde destas, o Varão “chopeava” no Tekinfin. Entre goles, ele disse:
“Pelo amor das macaúbas!! A teoria política da merda está campeando pelo nosso Brasil varonil. O esquisitão do Paulo Betti disse primeiro que não dá pra fazer política sem revirar o excremento. Argh! Agora vem o chefão barbudo e solta essa: ‘Política a gente faz com o que a gente tem. Não com o que a gente quer. Maioria a gente constrói pelo que a gente tem ao nosso lado. Não pelo que a gente pensa que tem. Esse é o jogo real da política que precisou ser feito em quatro anos para que chegássemos a uma situação altamente confortável.’
É o ápice da desfaçatez. É puro descaramento de quem por muitos anos se arrogou como arauto exclusivo da ética. Agora, sem pudor nenhum, ele se aconselha com tipos como o Sarney e o Newton Cardoso, e mancha sua biografia com uma escura tintura cínica.”
O Varão pede ao Gê mais um chope, entope a boca com um naco de bauru e prossegue com a homilia:
“Em nome desse ‘jogo real da política’, Lula arrebanhou no Parlamento um conluio de partidos lambanceiros que culminou com a farra mensaleira. Num eventual e quase certo segundo mandato, o homem vai continuar sendo apoiado pelos pulhas mensaleiros. Vai ser apoiado, não vai recusar e deve retribuir com mimos tão vultosos quanto indecorosos. Pelas sagradas águas do Jaguari!! O bolo fecal deve continuar a espalhar seus indesejáveis odores por mais quatro anos.”
Antes de pedir a conta, o Varão arremata:
“E quer saber?! No malcheiroso jogo político, os mandatários do povo são norteados pela vil conveniência. Inimigos que uma hora parecem eternos, aparecem noutra trocando beijinhos e juras de amor. E assim segue o cortejo catingudo…”
Sempre achei o Varão um cara convicto em suas posições políticas, mas nunca o vi tão corrosivo e descrente como agora. E devo confessar que nunca fui um entusiasta do voto nulo, mas já não malho quem o é. A ojeriza colada ao ato de anular o voto não deixa de ser uma resposta do eleitor à bandalheira que malcheira por aí.
Caridoso, o escriba jura que vai presentear o Varão com um frasco de “Bom Ar”.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    21:05 — Arquivado em: Sem categoria

28.8.06

Metáforas fecais

Josias de Souza, blogueiro mordaz e crítico implacável dos costumes políticos brasucas, teve um dedo de prosa virtual com este escriba crepuscular. Cutuquei-o sobre declarações de dois artistas após encontro deles com o presidente Lula.
A saber: “Política não existe sem mãos sujas. Não dá para fazer sem botar a mão na merda.” (Paulo Betti, ator)
“Não estou preocupado com a ética do PT ou com qualquer tipo de ética. Para mim, isso não interessa. Eu acho que o PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país, entendeu?” (Wagner Tiso, compositor)
Eu: Josias, querido, cá nos Crepúsculos algumas indagações não calam. Grandes artistas, eu disse grandes, têm salvaguarda para vomitar parvoíces?
Josias: Meu caro comedor de macaúba, a obra de grandes artistas e intelectuais costuma redimi-los de seus pecados. O “reacionarismo” de Nelson Rodrigues, por exemplo, foi soterrado pelo brilhantismo de sua produção jornalístico-literária. A alegada simpatia de Martin Heidegger pelo nazismo perdeu-se nos desvãos de sua eloqüente contribuição ao pensamento filosófico do Século 20. Basta um quadro de Pablo Picasso para apagar o mau-caratismo que permeia a sua biografia.
Eu: E o que o ácido colunista eletrônico tem a dizer sobre as metáforas fecais de Paulo Betti e Wagner Tiso quando inquiridos sobre as lambanças éticas do petismo?
Josias: A coisa fede, meu caro, a coisa fede. Escudados em uma suposta imunidade intelectual e artística, representantes da cultura brasileira aventuraram-se a promover uma releitura dos conceitos tradicionais da ética. Uma releitura tísica. Os raciocínios tísicos de Tiso e a frase bestial de Betti tentaram validar a tese, sempre em voga na política nacional, de que os políticos que roubam mas fazem também têm o direito de ser recobertos pelo manto diáfano da imunidade artística.
Eu: Então no caso destes dois artistas, você acha que suas obras podem redimi-los de seus “excrementos” verbais?
Josias: Recomendo aos porta-vozes do neo-amoralismo uma dose de cautela. O tempo, sempre tão generoso, talvez não apague gestos como de Wagner Tiso, dos dois o mais talentoso. Arrisca-se demais o maestro ao ceder a sua obra como trilha sonora de uma era que começou com a coletoria clandestina de Delúbio Soares e terminou na denúncia da “quadrilha” dos 40, patrocinada pelo Ministério Público. É “merda” que, por volumosa e malcheirosa, a tímida produção artística ou intelectual de seus defensores não consegue redimir.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    20:09 — Arquivado em: Sem categoria

Crepuscular na Magistratura

A magistratura bandeirante agora tem sob seu manto um crepuscular de notável saber jurídico. Christian Teixeira, após anos de estudos, tomou posse no último dia 17. Francisco Morato chora a perda do seu xerife, os togados paulistas recebem com vivas o novo soldado da lei e esta Província das Macaúbas deseja ao seu filho pleno êxito na nobre e deveras difícil arte de julgar.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    20:04 — Arquivado em: Sem categoria

27.8.06

Bonita, inteligente e tagarela incorrigível

E a filha do Chileno e da Lê nasceu. Mel deu seu primeiro choro no comecinho da manhã do dia 25/8. Mamãe e bebê passam bem e a pimpolha já na primeira noite roubou o sono dos pais.
Eu e Josi, orgulhosos padrinhos da Mel, estamos muito felizes e temos certeza que vamos acompanhar bem de perto e com muito carinho o crescimento de uma menina bonita, inteligente e, se puxar a mãe, tagarela incorrigível.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    14:07 — Arquivado em: Sem categoria

13.8.06

COITADO DO OLAVINHO - DE PARIS À PRATA

Coitadinho!!! Em entrevista à Folha, Olavo Setubal, entre outras coisas, diz que só pode viajar pra poucos lugares. Eu só vou pra Águas da Prata, ele, um pouco mais afortunado, vai também pra Paris, Londres e Nova York. Ói o choro dele aí:

FOLHA - O que o sr. mais gosta de fazer hoje?
SETUBAL - Hoje em dia, o que eu gosto muito é de viajar. Fui em maio para Paris e agora eu vou passar setembro em Paris. Paris é uma cidade fabulosa. Tem gente que gosta mais de Nova York, mas eu acho Nova York uma cidade cansativa, enquanto Paris é uma cidade que me tranqüiliza. Passear nos jardins de Paris é altamente repousante. Eu gosto de viajar, mas, por razões de saúde, SÓ posso ir a Paris, Londres e Nova York. Segundo o meu médico, se eu tiver um problema de saúde, essas cidades têm atendimento de Primeiro Mundo.

FOLHA - E nos finais de semana?
SETUBAL - Eu tenho uma casa em ÁGUAS DA PRATA, que tem quase cem anos, onde eu guardo as minhas coisas, minha biblioteca, minhas obras de arte. E lá sempre algum filho aparece para visitar o velho pai.

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    18:52 — Arquivado em: Sem categoria

12.8.06

E o queijo?

Nesta véspera do Dia dos Pais, a Avenida estava linda de tanta gente procurando mimos para os "velhos". E cá pra nós, como é bacana a Avenida fervilhando numa tarde ensolarada de sábado.

E por ocasião da publicação da crônica aí de baixo, "Hélio, o pai", o Meneval, banespiano que foi colega de banco do meu pai, me parou Cia. do Esporte pra contar uma passagem de antanho: "Seu pai e você foram na minha casa pra tomar um café. Você devia ter uns cinco anos. Na mesa, entre outras coisas, foi colocada uma goiabada. Você, criança, não se conformou com a ’solteirice’ do doce e tascou: ‘Mas cadê o queijo?’

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    19:26 — Arquivado em: Sem categoria

9.8.06

Hélio, o pai

Amigo Clovis Vieira, intrépido interrogador d’O MUNICIPIO e agitador das artes crepusculares, convida para uma crônica sobre o Dia dos Pais. Aceito, mas não gasto a pena com nova lavra. Desengaveto um texto que já deu ibope no começo deste século. Vamos lá.
O ano era 1976, o mês, fevereiro. Numa destas boçalidades da existência humana, um acidente automobilístico tirou a vida de um homem, um grande homem, pai de dois filhos, quase três. Este terceiro rebento deu seu primeiro choro dez dias após o estúpido desastre. Meu irmão caçula não conheceu nosso pai.
E eu o conheci muitíssimo pouco. Quando a eternidade veio buscá-lo minhas primaveras eram somente cinco.
Hélio do bigode espesso. Hélio do Banespa. Hélio de longas baforadas no seu cachimbo. Hélio do Opala verde e das maravilhosas viagens com a família. Hélio dos discos de vinil, de Roberto Carlos, de Chico Buarque, de Martinho da Vila, de Benito di Paula. Hélio de poucas lembranças e muita saudade.
Hélio amante da carne vermelha. Conta minha mãe que ele fazia questão de ir ao açougue do Dito Sinhá para escolher o melhor corte. Depois, deleitava o paladar com um belo bife. Os cromossomos foram vigorosos e legaram a este escriba e seu filho o mesmo apreço pelo traseiro bovino. Laurinho e eu perdemos a razão por uma picanha sangrando.
No curto período em que moramos na vizinha Vargem Grande, as tardes de sábado eram sagradas. Passeios de carro, onde eu viajava em pé no banco de trás, seguidos de pit-stops na Padaria do Zé Candinho para saborear as lendárias bombas de chocolate. Naquela época bomba não era um doce comum. Era iguaria fina de fim-de-semana.
Meu vizinho e amigo desde o berço, Cirto, conta uma história passada alguns meses antes de sua morte. Com sua habitual veia cômica, Cirto relembra um dia em que fomos nos entreter com pedalinhos em Águas da Prata. No fim do passeio, paramos no bosque para comer o tradicional milho verde. Eu preferi pastel. Vendo o filho atrapalhado com aquela enorme massa e insignificante recheio, meu pai fuzilou com sarcasmo: “Ô Cirto, olha só o pastel do Lauro Augusto, parece até envelope de ofício!”
Às vezes bate uma melancolia, um inconformismo com o desígnio divino de ter me privado tão cedo da convivência paterna. Numa altura da minha adolescência, cheia de conflitos, duvidei até da existência de Deus.
Minha mãe, devo reconhecer, fez o que pôde e o que não para transformar em gente aqueles três moleques. Sofreu mais do que todos, mas, no saldo final, sem falsa modéstia, reconheço-me como bom fruto da educação “anamaria”. Este reconhecimento, entretanto, não me tira a convicção de que, se meu pai fosse vivo, tanta coisa seria diferente pra melhor na vida da minha família. Não falo só da presença física do homem, falo, também e principalmente, do timoneiro que conduz a embarcação para águas tranqüilas.
Lá no plano celestial, imagino meu pai cachimbando e papeando com o Homem Barbudo sobre os rumos da carreira profissional do filho mais velho: “Ô Chefe, trabalho em banco é tão estressante. Será que o menino quer se matar de trabalhar como o pai?”
Aqui do andar de baixo, o bancário descendente responde:
“Pai, no trabalho quero ter o mesmo sucesso que você sempre teve. Mas não é o mais importante. Quero ser seu espelho na plenitude da condição humana. Quero ser o paradigma de homem e pai que você sempre foi.”

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    22:26 — Arquivado em: Sem categoria

6.8.06

Feijoada com chucrute

  

Andreas veio intercambiar há alguns anos no Brasil. Gostou. Voltou um ano depois pra rever os amigos e as famílias. Continuou gostando. Agora voltou com os pais e a irmã pra mostrar um pouco do Brasil. E um muito dos Crepúsculos mais que maravilhosos. Teve feijoada, churrasco e pão de queijo. Beberam a água do Jaguari e pelo jeito de tempos em tempos os Lemmer devem aterrissar por estas bandas caipiras.

Fotos no blog:

http://germanyinsanja.blogspot.com/

criado por Lauro Augusto Bittencourt Borges    18:16 — Arquivado em: Sem categoria

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